segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Porque nunca é cedo demais para começar as compras de Natal...

Inspirada nos mais fervilhantes dancing clubs da Lisboa dos anos 20, a Caixa de Sabonetes Lisboa à Noite é uma edição original e estonteante de sabonetes da Ach. Brito, exclusiva para A Vida Portuguesa. Em homenagem ao Magestic (a actual Casa do Alentejo), ao Maxim (actual Palácio Foz) e ao modernista Bristol (na Rua das Portas de Santo Antão) que eram então os grandes lugares nocturnos de festa e perdição. São 3 sabonetes de 125 gramas, com aroma de Cravo, Orquídea e Jasmim, enriquecidos com óleo de flor de onagre para uma absoluta suavidade. O sabonete Bristol contém partículas douradas, deixando a pele cintilante durante o banho. Todos foram especialmente manufacturados por uma fábrica centenária para o esplendor - o da pele também. Apresentam-se numa embalagem negra, escrita a verniz, um puro luxo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Charme português em Nova Iorque

Sempre em busca de coisas interessantes de países interessantes, a Alisa e o Marco aterraram em Portugal e perderam-se de amores pelas nossas coisas antigas e autênticas. Calcorrearam o país, vibraram com as feiras tradicionais e escolheram objectos do quotidiano português para a sua loja Kiosk. Ou nas palavras deles: "We have a new love inter­est and it is called PORTUGAL. Three weeks vis­it­ing turned into six, one visit into two. Impres­sions all around. The col­lec­tion got huge, huger and hugest. To be hon­est we are not quite sure what hap­pened dur­ing the time we were away, fac­ing the sea and sit­ting on the EDGE OF THE WORLD. Look­ing out we real­ized that the cer­tain amount of iso­la­tion Por­tu­gal has always enjoyed allows it to truly be it’s own beau­ti­ful self." No regresso a Nova Iorque encheram a mala e quiseram partilhá-la, no estabelecimento e no site. A Vida Portuguesa gosta da selecção, do seu conceito de loja e deles também. Viva o comércio delicado.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A Vida Portuguesa no Porto

Nas prateleiras com 22 metros de comprimento ainda não há sinais dos produtos tradicionais resgatados ao esquecimento colectivo. Só há pó e trabalhadores num reboliço. A partir de meados de Novembro, já não será assim: é nessa altura que Catarina Portas prevê abrir a loja A Vida Portuguesa no Porto. (...) A empresária sonhava abrir uma loja no Porto "há dois anos e meio". "Calcorreei as ruas da Baixa todas, de Santa Catarina até aqui", recorda, numa conversa no espaço onde funcionará a loja. Há pouco mais de um ano viu o edifício onde a loja vai ficar, na esquina das ruas da Galeria de Paris e das Carmelitas, com vista para a Torre dos Clérigos. "Pensei: Se eu pudesse escolher mesmo, era este", conta. O desejo acabou por concretizar-se, depois de meses de negociações. Entrevista de Pedro Rios, jornal Público. Aqui.

Um sabonete para o Guardian

Ficámos a saber pelo último número da Fugas, que confirmava uma certeza muito nossa: "Lisboa tem graça como ninguém". Alexandra Prado Coelho falou com alguns estrangeiros (alguns de passagem, outros que não conseguiram arredar pé) sobre os encantos da capital. E levou-nos ao site do Guardian (jornal de referência na Europa como na Inglaterra) que andou recentemente, colina acima, colina abaixo, a descobrir uma cidade cada vez mais vibrante. Pelo caminho parou n'A Vida Portuguesa, para levar um "sabonete encantador antigo". "I picked up a can of eels in hilarious packaging from a traditional tinned seafood shop called Conserveira de Lisboa (Rua dos Bacalhoeiros 34), and a lovely old-fashioned Portuguese soap from A Vida Portuguesa (Rua Anchieta 11) in the Chiado." O artigo, assinado por Becky Barnicoat, aqui.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O comércio

Num texto intitulado “Eremita em Paris”, Italo Calvino, que tinha nessa cidade “uma casa de campo”, ou seja, um lugar onde ficava tranquilo, longe das suas relações familiares e sociais, fala sobre o comércio. Escreveu ele: “Tomemos as lojas, que constituem o discurso mais aberto, o mais comunicativo que uma cidade pode exprimir: lemos todos uma cidade, uma rua, um bocado de passeio seguindo a fila das suas lojas. Há lojas que são como capítulos de um tratado, lojas como artigos de uma enciclopédia, lojas como páginas de jornais.” Eu, que estou aqui a escrever num jornal, no intervalo da montagem de duas novas lojas, uma online e outra de porta para a rua, espequei a olhar para esta frase. Não é nada que não soubesse ou não sentisse, mas vê-lo assim bem (d)escrito, é interessante. Calvino exemplifica a seguir: “Em Paris, existem lojas de queijos onde estão expostos centenas de queijos todos diferentes, cada um etiquetado com o seu nome, queijos envoltos em cinza, queijos com nozes: uma espécie de museu, um Louvre dos queijos. (…) Se amanhã começar a escrever sobre queijos, posso sair à rua para consultar Paris como se fosse uma grande enciclopédia de queijos.” Esta dimensão do comércio como conhecimento e cultura nem sempre é devidamente valorizada num plano de negócios. Mas deveria sê-lo. Basta pensar nalgumas lojas de que gostamos, lojas que se mantiveram ao longo de gerações porque para além de géneros tinham exaustividade de conhecimento – mesmo que num minúsculo território. Comércio com saber, com personalidade, com alma. Quando hoje falamos de cidades criativas, essa maravilha que encanta presentemente tanta gente como the next big thing, não falamos de nada que seja novo. Na Revista de Comércio e Contabilidade, Fernando Pessoa, esse dedicado empregado de escritórios comerciais para além de escritor, desenvolveu este tema: “A actividade social chamada comércio, por mal vista que esteja hoje pelos teoristas de sociedades impossíveis, é contudo um dos dois característicos distintivos das sociedades chamadas civilizadas. O outro característico distintivo é o que se denomina cultura. Entre o comércio e a cultura houve sempre uma relação íntima, ainda não bem explicada mas observada por muitos. É, com efeito, notável que as sociedades que mais proeminentemente se destacaram na criação de valores culturais são as que mais proeminentemente se destacaram no exercício assíduo do comércio. Comercial, eminentemente comercial, foi Atenas. Comercial, eminentemente comercial, foi Florença.” Nem sempre nos lembramos disto, enquanto as notas passam por cima do balcão das lojas da cidade. Mas, sim, fazer lojas pode ser muito mais do que uma actividade económica. Possui uma dimensão cultural, de investigação, classificação e divulgação; inclui uma dimensão social, de troca e valorização da comunidade; e claro, uma dimensão económica, movimentando inúmeros agentes e gerando riqueza. Executado com criatividade, tudo isto tem muito mais graça. Publicada a 5 de Setembro de 2009

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A função e o ornamento

O desígnio primeiro do design é cumprir uma função. Um objecto deve ser apropriadamente concebido para conseguir a utilidade que dele se pretende. Mas a arte do designer consiste em obedecer a este ditame convocando a beleza e, nos seus melhores dias, o encantamento. Por vezes, a beleza vem da simplicidade. O material certo e simples, simples e engenhosa também a forma. O artesanato costumava ser assim. Aquilo a que hoje chamamos artesanato, uma especialidade rural e patrimonial, foi durante muitos séculos o comum da oferta. Olhamos para uma bilha de barro de Estremoz e apreciamos a sua elegância quase austera, reparando contudo na doçura da sua curva. Sabemos que guarda a água preciosa que beberemos à temperatura correcta, graças a essa incrível e mágica propriedade do barro de a esfriar ligeiramente. E dando-lhe um sabor a nenhum outro comparável, revigorante. Função sem ornamento, função no entanto bela. Hoje, o artesanato já não é assim. Novos materiais e a produção industrial ofereceram-nos outros produtos. Alguns mesmo, capazes de mudar a nossa vida. Richard Kapucinski explicou um dia como a vida em África, nesse continente que ainda andava a pé, tinha mudado e melhorado graças ao bidon de plástico, quase sem peso, barato e essencial para ir buscar água à torneira menos distante. Assim, o artesanato foi-se tornando obsoleto para o uso comum. Os objectos de artesanato tornaram-se bibelots e a sua função mudou. Deixou de ser útil, passou a ser fútil. E ornamentado, a maior parte das vezes drástica e desnecessariamente ornamentado. Contudo, o ornamento não é um crime, para contrariar o arquitecto Adolf Loos cujo ensaio acusatório “Ornamento e crime” de 1908 repudiava o estilo art nouveau vienense (em favor de uma modernidade que privilegiaria um ornamento menos supérfluo e mais orgânico). Surpreendentemente, o ornamento também pode ter uma função, a de surpreender e maravilhar. Não conheço melhor exemplo disto que o trabalho que Rafael Bordalo Pinheiro assinou quando se decidiu dedicar à cerâmica. Aproveitando uma tradição decorativa da louça das Caldas, ela própria já fruto da influência do trabalho do renascentista Bernard Palissy recuperada com grande entusiasmo no séc. XIX em França, Bordalo dedicou-se a exacerbar o conhecido, transcendendo-o escultóricamente. Ele criou azulejos, toda a espécie de jarros e bilhas, pratos e travessas, porta-cartões ou tinteiros, penicos e escarradores, moldando-os ou acrescentando-lhes figuras, frutos, flores, animais e o que mais ocorresse à sua imaginação desvairada. O caso destes últimos é interessante para o nosso tema. Após a crise do Mapa Cor de Rosa, o ultimatum britânico às possessões portuguesas em África, Rafael concebeu um penico e um escarrador decorados com a figura de John Bull, o Zé Povinho inglês. Tal era o seu ornato para uma função utilitária mas também metafórica: escarrar e defecar no inimigo desprezado do momento. Entre as milhares de peças que Bordalo criou nos últimos doze anos da sua vida, encontram-se também os animais gigantes, figuras de espantosa dimensão representando caranguejos, sardões, cobras, lagostas, cogumelos ou vespas. Estes bichos foram colocados, na época, no jardim da Estrela em Lisboa, semeados pelo verde, surpreendendo os visitantes. A visão de um destes seres de louça, animal ou vegetal em representação, criação artificial brotando entre a natureza, é algo capaz de nos comover pelo seu inusitado, pela sua extravagância, pelo seu brilho – e não só o do vidrado. O seu destino era o ornamento mas a mestria tornou sua função a pura emoção. Crónica para a revista Relance, Fevereiro 2009. Catarina Portas

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Aniversário

Faz agora por estes dias 2 anos que nos instalámos no Chiado, nos antigos armazéns da David & David. Antes de ser o que agora é, era assim.