quinta-feira, 9 de junho de 2011

Museu Antoniano

É quase pecaminoso deixar passar estes dias sem descobrir mais sobre a tradição do santo padroeiro de Lisboa, o casamenteiro entre os casamenteiros. Por isso recomendamos uma visita ao Museu Antoniano, no Largo de Santo António da Sé, precisamente.

"Entro na igrejinha de Santo António, perto da Sé. Gosto muito dela por ser tão pequenina. Parece um oratório, é riquíssima. Na porta ao lado está o Museu Antoniano. Tem imensos tronos de Santo António, assim como pratos e copos, entre outras peças de merchandise do santo do século XII. Esta igreja ruiu no terramoto de 1755 e começou a ser tradição fazer tronos a pedir moedinhas para o Santo António para o reconstruir. Em Junho, nas festas dos Santos Populares, o pedir a moedinha perdura." Catarina Portas à revista Up, Março 2009.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

"O trono mais original"

Fresquinha que nem uma sardinha, a Time Out que acaba de sair para as bancas traz as melhores ideias para festejar os santos. Porque o Santo António também se quer "padroeiro da ressaca. Se os três mandamentos da vida boémia são sexo, drogas e rock n' roll, os da noite mais boémia da cidade serão marchas, sardinha assada e música pimba. Ou rimas, manjericos e vinho tinto. (...)

O prémio do trono mais original de Santo António vai para este exemplar de A Vida Portuguesa. Mas não pense que já vem assim. Quem compra é que tem de o montar. Custa 35€." As rimas nos manjericos são sempre inspiradas como esta: "Toda a noite ouvi no tanque / a pouca água a pingar. / Toda a noite ouvi na alma / que tu me podes amar".

terça-feira, 7 de junho de 2011

Desde (quase) sempre

"Há quanto tempo trabalha aqui?". A Vida Portuguesa até pode ser novata nestas coisas do atendimento ao público (quando comparada com outros casos de charmosa longevidade) e, por isso, olha com respeito e veneração para as lojas centenárias da zona da Baixa e do Chiado. Como as 15 selectas retratadas por Luísa Ferreira e que fazem parte da "Maior Exposição Fotográfica do Mundo - Lisboa 2011".

Lojas com a magia de outros tempos, algumas delas negócios familiares que passaram pelas mãos de diferentes gerações, onde o cliente continua a ter "sempre razão" e é mimado como tal. Lojas que se impõe redescobrir, na certeza de que permanecem abertas e coquetes.

Porque nos custa receber a notícia de espaços que se perdem irremediavelmente como o da charcutaria Nova Açoreana, que fornecia os clientes da Rua da Prata e arredores também de charme e colorido. E que, apesar de não enfrentar dificuldades económicas, fechou recentemente por não se enquadrar na filosofia do projecto hospitaleiro que vai tomar conta do prédio.

Ora, nós acreditamos que são precisamente estes espaços originais e castiços que fazem a graça de Lisboa, que lhe dão os traços distintivos, por oposição às cadeias internacionais que se repetem e descaracterizam as cidades. E recomendamos não só a exposição mas também o reencontro com estas e outras pérolas comerciais espalhadas por Lisboa, que teimam em resistir.

Exposição "Há quanto tempo trabalha aqui?". Fotografia de Luísa Ferreira. Até 30 de Junho, no primeiro quarteirão da Rua Augusta. A entrada não podia ser mais livre.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Conversas de conservas

Há conversas de conservas a animar a loja online (entre outras novidades deliciosas, à volta do tema da sardinha, que é a época dela e tem que ser celebrada).

As conservas "José" estão disponíveis separadamente ou em caixa de quatro, personalizada ao gosto de quem dá ou vai receber. E vêm com sugestões de utilização (mais vulgarmente chamadas receitas). Só para dar água na boca: "Sardinhas gratinadas com crosta de tomilho e salsa", "Escalopes de vitela com molho de atum" ou "Risotto de sardinhas com queijo de São Jorge e limão".

As embalagens são encantadoras, cada qual com uma ilustração única e a prosa de Eugénio Roda: "Certa sardinha quis transformar-se num tomate. Conseguiu mas perdeu o aroma e não achou piada ao corpo, vermelho e liso. Decidiu voltar atrás e passou a convidar o tomate para conversar: Conversas de conservas."

sexta-feira, 3 de junho de 2011

"Uma casa para viajar"

Foi uma aventura que começou atrás do balcão d' A Vida Portuguesa e acabou num hostel. Em destaque no Expresso, como um caso de "Criatividade em tempo de crise". "Carla, designer gráfica, e Patrícia, publicitária, conheceram-se numa loja onde trabalhavam, em 2009, e decidiram arriscar um investimento próprio. Nunca tinham feito nada e... gostavam da ideia de uma coisa que estivesse próxima da viagem e lhes proporcionasse conhecer pessoas. (...) "Penso que a particularidade deste hostel é precisamente fazer com que as pessoas se sintam em casa." Texto de Ana Soromenho, fotografia de Tiago Miranda.

Jardim de Santos Hostel. Largo Vitorino Damásio 4 - 2º andar. http://www.jardimdesantoshostel.com/

"Confortável memória, planante"

"Agradeci e desliguei o telefone. Tenho uns ténis Sanjo pretos à minha espera na Vida Portuguesa (...) a simples necessidade de enfiar os pés dentro de um produto nacional de longa data e mais confortável memória; planante. (...) Percorrida a memória até ao Chiado, encaminho-me para A Vida Portuguesa (...). Calço os Sanjo para continuar a descalçar-me." Por Fallorca, "O Cheiro dos Livros".

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Dia da Espiga

Foto gentilmente cedida por Rosa Pomar.

Acabámos de pendurar um belo ramo atrás da porta, a provar que o Dia da Espiga está vivo e se recomenda no Chiado. Manda a tradição que se dê um passeio campestre, para colher espigas de vários cereais (a representar o pão), flores diversas (o malmequer simboliza ouro e prata, a papoila amor e vida), ervas (o alecrim como presságio de saúde e força), ramos de oliveira (a paz, a luz e o azeite) e videira (para trazer o vinho à colação e dar alegria).

Combina-se tudo, de forma rústica e harmoniosa, ata-se com um cordel e pendura-se numa divisão da casa a secar, até ao ano seguinte. O catolicismo apropriou-se deste costume para marcar a Quinta-feira da Ascensão mas crê-se que ela tenha origem em hábitos pagãos. Por ser considerado o dia mais santo do ano, as pessoas deveriam coibir-se de trabalhar. E a verdade é que ainda hoje se celebram honras de feriado municipal em Monchique.

E quem não tem a sorte de morar em Monchique ou ir até ao campo, pode contar com uma reinterpretação da tradição na forma de uma florida lambrilha...