segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Montra de excepção

"Depois de ter partido à redescoberta de produtos tradicionais portugueses que sobreviveram ao desgaste do tempo para uma reportagem, a jornalista Catarina Portas apaixonou-se por eles e decidiu oferecer-lhes uma montra de excepção no coração do vibrante Chiado: "A Vida Portuguesa". Como o nome indica, a loja (instalada numa antiga fábrica de pó de arroz e baton) reune uma selecção de produtos lo...cais de grande qualidade, que fazem parte da memória colectiva: sabonetes Ach Brito ou Claus Porto embalados em belas imagens Art Déco, pasta dentífrica, cadernos Serrote, produtos de limpeza Coração, conservas Tricana... Uma homenagem à Slow Life, que seduz tanto uma clientela local como internacional, em busca de "Madalenas" retro-afectivas. E, seguramente, uma elegante tradução comercial do conceito tão português de "saudade", a nostalgia sem tristeza que sonha reconciliar passado, presente e futuro." Revista Artravel Setembro/Outubro 2011.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Porto 24

"PORTO CRIATIVO: ARTE, DESIGN E BRISA ATLÂNTICA.

(...) "Eu tinha um destes quando andava na primária", suspira uma mulher, na casa dos trinta com ar nostálgico, enquanto folheia um caderno quadriculado de papel mata-borrão. "Temos muitos clientes que vêm aqui comprar os objectos da sua infância", explica a funcionária por trás do balcão de madeira d' A Vida Portuguesa, especializada em produtos vintage, que ocupa as instalações de uma antiga loja de tecidos na Rua Galeria de Paris, no centro histórico do Porto.

Será a eterna saudade da alma lusitana, a lembrança glorificada de uma altura em que eramos pobres mas bonitos, ou uma fuga da realidades neste cenário de de recessão, mas a paixão pelo vintage é evidente.

Mas o Porto é uma cidade dinâmica e em transformação. "No passado, quando saíamos à noite, podíamos estar sozinhos na discoteca. Não havia muitos sítios para sair, tomar um copo ou conversar com os amigos", contam os funcionários dos bares da Rua Galeria de Paris, onde hoje se alinha uma sucessão de bares e restaurantes e onde os jovens passam a noite ao fim-de-semana. (...)" Texto de Arianna Garavaglia no Viaggi 24, suplemento do Il Sole 24 Ore italiano.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

"Há 125 anos a fazer manguitos ao poder"

O Diário Económico esteve nos bastidores da Fábrica de Faianças Bordalo Pinheiro, entre as prateleiras de cerâmica e os moldes do genial criador. E, do Zé Povinho original à versão "Toma Lá Moody's", presenciou a actualização de um clássico. Para trás ficou o risco de falência, actualmente as vendas da fábrica crescem a bom ritmo e a arte de Bordalo volta a ser apreciada. Lá fora como cá dentro. Reportagem de Hermínia Saraiva. Fotografia de Paulo Alexandre Coelho.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Uma marca de Confiança

Falando ao Diário de Notícias, a cantora Sónia Tavares confessou não dispensar os sabonetes da Confiança, seja como "gifts" ou para benefício próprio. "São perfeitos para qualquer ocasião", explica. "São 100% naturais e não são testados em animais, o que para mim é muito importante. (...) São já muitos anos de confiança nesta marca". Na nossa loja do Chiado, a preferência de Sónia Tavares recaiu sobre o maravilhoso sabonete Nazaré: "é tão bom!" (imagem cortesia LuxWoman). Este e outros Confiança, disponíveis aqui.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A arte de pesquisar

"Benvindos ao mundo de Catarina Portas. Foi aprendiza de chapeleira, trabalhou em rádios, revistas, jornais e televisões. Mas se alguma coisa a define é a vontade de pesquisar, de saber mais sobre as coisas.

Eu, na realidade, quando comecei o negócio, foi para pagar uma investigação. Ou seja, o que eu queria fazer era investigar os produtos e as marcas antigas. Como não tinha ninguém que me financiasse isso, inventei um negócio que pagasse essa investigação.

O negócio é hoje conhecido em meio mundo, primeiro foram só uns cabazes mas rapidamente encontrou uma sócia e algum tempo depois abriram uma loja no centro de Lisboa.

Estamos no Chiado, na Rua Anchieta, este era o armazém da David & David, que era um armazém de sedas e cosméticos na Rua Garrett. Fechou há muitos anos, ficou o armazém e este armazém é hoje em dia a loja A Vida Portuguesa, que se dedica a marcas e produtos antigos portugueses. (...) Acho muito estúpido deixar morrer estas fábricas, estas marcas antigas. Há um saber fazer e há um conhecimento muito interessante e que tem um potencial incrível para desenvolver produtos em Portugal. E tem esse enorme potencial sobretudo porque temos um mercado graças à internet. Entrevista de Enrique Pinto-Coelho, primeira e segunda partes.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Prateleiras de história

"A loja A Vida Portuguesa tem quatro anos mas basta olhar para as prateleiras para perceber que história é o que não falta ali. (...) Produtos que resistem à modernidade e se mantêm no mercado, produtos de grande qualidade com embalagens de outros tempos. É a prova que continua a haver espaço para o sucesso das marcas portuguesas no mercado nacional e até internacional." "O que é nosso", Portugal Português na TVI24.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Um manifesto pelo comércio delicado

Ser consumidor e ser cidadão são actos absolutamente compatíveis. Eu acredito que consumir é, aliás, um acto político que praticamos todos os dias. Aquilo que compramos, a quem escolhemos dar o nosso dinheiro, faz mover o mundo. Isto quer dizer que todos temos o pequeno poder de fazer mover o mundo na direcção que queremos, sempre que vamos ao supermercado, por exemplo. Não esqueçamos Gandhi que na sua luta contra os ingleses lançou o movimento swadeshi que promovia, entre outras coisas, a produção e comercialização do algodão indiano em detrimento do algodão importado da potência colonial. Resta-nos saber como queremos que o mundo e mais precisamente o país sejam.
Nas últimas décadas, a massificação tomou conta do comércio. As mesmas lojas e os mesmos produtos em todo lado, sejam marcas de luxo, cadeias internacionais ou franchisings ao metro. Centros comerciais sempre maiores, cercando as cidades e asfixiando o comércio dos centros urbanos, fingindo ruas de luz artificial e promovendo o automóvel como se não existisse amanhã. Grande distribuição cada vez mais extensa e tentacular, açambarcando mais áreas e até nichos de mercado, os grupos empresariais que as detêm cada vez mais fortes e poderosos e, sobretudo, mais omnipotentes e despóticos a vergar e a eliminar quem produz. E sem contemplações com a produção nacional ou sustentável, longe da Av. da Liberdade decorada com fardos de palha para entreter o povo. Será assim que queremos viver? E será assim que poderemos sobreviver, como país?
Eu acredito que existe uma alternativa.
Acredito que um novo comércio não só é possível como indispensável. E que esse novo comércio pode mudar o nosso dia a dia e os lugares onde vivemos, torná-los mais ricos, mais curiosos, mais belos, mais saborosos, mais sentidos, mais prósperos e mais justos. Um novo comércio que atende ao saber e também ao saber fazer, valoriza a manufactura, admite a pequena escala, prefere a qualidade, aprecia a tradição e admira a perfeição. Um novo comércio que vê nos seus fornecedores parceiros, que os considera e os entusiasma, que negoceia justo e com eles constrói uma relação duradoura e de confiança pois compreende que trabalhamos juntos para benefício mútuo e pelo bem comum. Um novo comércio que quer partilhar com o seu público um produto mas também uma história, uma identidade, uma experiência única e diferente que nos enriquece a vida. Um novo comércio que se sente parte do seu local e e da sua comunidade e por isso, sempre que a opção se apresenta prefere o que é português e o mais local possível, evitando custos ambientais de transporte, porque também se sente parte do mundo. Um novo comércio que acredita que se pode comprar menos e melhor, opta por mercadoria útil e durável e sabe que valorizar um produto é a melhor forma de impedir o desperdício.
Um novo comércio que abraça causas sem medo porque é livre e para quem a mais excitante das obrigações é o dever de contribuir para melhorar o nosso mundo – e isso começa em nós.
Um novo comércio que tem o atrevimento de pensar que pode regenerar centros históricos desfalecidos e reiventar lugares esquecidos, se empenha em preservar o património com escrúpulo e desvelo e é capaz de provar que isso é rentável. Um novo comércio que respeita o seu cliente, empenhando-se num serviço atento, oferecendo conhecimento e propondo preços justos. Um novo comércio que acredita na capacidade de produção e na qualidade nacionais por princípio, estimulando uma e outra, porque sem isso não há país que sobreviva - como o momento presente demonstra de forma eloquente.
Um novo comércio que acredita em Portugal também porque percebe o potencial extraordinário da produção delicada nacional, seja na faiança, nos sabonetes, nos vinhos, nos azeites ou na flor de sal, para citar apenas casos óbvios. Um novo comércio que não tem a obsessão de se multiplicar para se tornar omnipresente, antes prefere criar redes, nacionais e internacionais, com parceiros semelhantes reforçando assim os nichos de mercado em que opera numa escala global. Um novo comércio que acredita que olhar para trás também é uma forma de ver o futuro e que a modernidade tem a ver com a atitude e o olhar e não forçosamente com a novidade. A esse novo comércio somos já vários a chamar o comércio delicado. E a provar que ele é não só possível como economicamente viável. Com os pés muito bem assentes na realidade mas sim, com o idealismo à solta, livre como um bando de andorinhas.
Notas finais: Com um agradecimento especial ao Francisco Palma Dias, poeta inventor da expressão “Comércio delicado” que tão bem exemplifica na Companhia das Culturas, turismo com causa em Castro Marim.
Catarina Portas é empresária, tendo lançado as lojas A Vida Portuguesa, especializadas nas marcas antigas portuguesas e os Quiosques de Refresco, em Lisboa, quiosques centenários que recuperaram as bebidas tradicionais lisboetas.

Diário Económico. Hoje.