terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Dos achados desta Vida


Lançada no mercado em Junho de 1932, a pasta Couto “anda na boca de toda a gente” desde então, como apregoava a sua publicidade. De sabor extraordinariamente fresco e mentolado, a sua fórmula foi criada por Alberto Ferreira do Couto, gerente de farmácia, em parceria com um amigo dentista. E tem ainda a particularidade de, ao contrário da concorrência, não ser testada em animais. Situada até há pouco no centro do Porto, a Fábrica Couto especializou-se sempre em produtos de higiene, sendo também responsável por outro popular e característico produto, o Restaurador Olex. Ambos os produtos protagonizaram campanhas publicitárias televisivas memoráveis, marcos da história da publicidade em Portugal.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

No início era... a pesquisa



"Comecei a imaginar livros que gostaria de fazer. Pensei num livro sobre a vida quotidiana em Portugal no século XX, que tanto influencia o país que somos e que a minha geração tanto desconhecia (as coisas mudaram entretanto, levantou-se a tampa do alçapão do passado, ainda bem). Lembrei-me de fotografar uma dispensa de época e de um shopping que tinha feito para a Marie Claire, baseado nas crónicas A Causa das Coisas, do Miguel Esteves Cardoso, com esses tais produtos antigos que ele glosava no Expresso. E quando comecei a investigar as marcas, fábricas e produtos antigos portugueses confirmei que uma quantidade de produtos ainda existiam com embalagens originais (dos anos 20 a 60 do século passado, pois tivemos um mercado muito fechado e pouco concorrencial durante o regime salazarista).
Mas também percebi que muitos destes produtos, face a novos concorrentes importados, estavam a desaparecer rapidamente. Ora, eu sempre lhes achei graça, como relíquias do quotidiano do país. O primeiro impulso foi essencialmente egoísta: eu não queria que eles desaparecessem. E comecei a fazer um exercício de imaginação. Como tornar apelativos estes produtos para um novo público? Imaginei agrupá-los em caixas temáticas, com um livrinho que lhes contasse as histórias. Poderia ser este design histórico do quotidiano, tão ingénuo e divertido, uma vantagem no mundo actual, onde o design está tão (sobre)valorizado? Seria possível passar estes produtos quase esquecidos nas drogarias e nas mercearias para um outro mercado, o das lojas de design e de museus? E, graças a esse novo público, valorizar e ajudar a salvar a manufactura portuguesa? Funcionou." Catarina Portas

"Shopping" Marie Claire



"Saudades. Quisemos comemorar o quotidiano de Portugal, se nos dão licença. Por uma vez, lembrar as marcas registadas na memória que em bisnaga, frasco, garrafa, caixa, pacote ou lata desde sempre e ainda hoje comercializam saudades. Marcas que não mudaram desde a primeira vez que com elas travámos conhecimento ao subir para o banco da despensa da infância. São sobreviventes da mercearia da esquina e poucas se exibem nas prateleiras desmesuradas dos supermercados. Por isso procurámos em tascas, nos lugares, nos cafés, nos sapateiros nas drogarias. E encontrámos um verdadeiro cabaz de compras nostálgico a conservar urgentemente por um Instituto Portuês do Património Comercial. São embalagens antigas, ingénuas e bonitas que respondem a nomes de valor como "Vigor", "Risonho", "Coração"; "Sagres", "Lusitanos", "Viriato" ou ainda "Primor", "Favorita", "Predilecta". Nomes destes não se inventam, marcas destas não se esquecem. A 10 de Junho lembre-se de Portugal, quotidiano e familiar como sempre foi, tão perto do nosso coração, com uma alma grande como o mundo. Shopping, de Catarina Portas." Revista Marie Claire.

"Una Lisboa que muda de piel"



Quando o El País descobriu A Vida Portuguesa: "Una tienda también puede ser un espacio de búsqueda de la identidad y el alma portuguesa. Un rincón para recuperar marcas que siguen vivas en la memoria. Ése es el espíritu que anima a Catarina Portas (Lisboa, 1969), fundadora de A Vida Portuguesa, una original tienda en una pequeña calle del Chiado.
Explica la propietaria que el proyecto nació con la voluntad de hacer inventario de las marcas que han sobrevivido con el paso del tiempo, con la intención de revalorizar la calidad de los productos portugueses artesanales y el deseo de dar a conocer Portugal de una manera diferente.
Los anaqueles de A Vida Portuguesa combinan ingredientes de tienda de ultramarinos, de droguería y de colmado con una estética más actual. El resultado es sugestivo. La lista de productos es abundante: latas de conserva Tricana, de la Conservería de Lisboa (casa fundada en 1930); harinas Zelly, con el envoltorio original de 1934; la crema Benamor, "adorable producto de belleza", en el mercado desde 1928; jabones Confiança, envueltos en el papel original de los años treinta; brochas de afeitar Semogue, fabricadas con pelo de tejón por una empresa familiar en activo desde 1955; y las populares Andorinhas (golondrinas) de cerámica, creadas en 1891 por el artista Rafael Bordalo Pinheiro.
"Los portugueses tenemos poca autoestima, excepto en el fútbol y en la comida", asegura Catarina Portas, que dejó el periodismo diario después de 15 años y tras haber viajado por medio mundo. "Hasta que un día empecé a mirar a mi país con los mismos ojos que miraba la India". Hace cuatro años lanzó la marca Uma Casa Portuguesa, y hace dos nació A Vida Portuguesa como marca y tienda. Una investigación periodística fue la plataforma que catapultó su giro profesional. Decidió comercializar algunas marcas y productos sobre los que indagaba, y llegó a acuerdos de comercialización con algunos fabricantes."

Armários, precisam-se



Procura-se! Para um projecto novo A Vida Portuguesa procura com urgência para comprar MÓVEIS ANTIGOS DE LOJA (mercearia, drogaria, ferragens, alfaiate, tecidos, farmácia, etc) OU de armazém, escritório, fábricas, escola, etc... Armários, prateleiras, balcões, mesas, moveis de gavetas, são bem vindos. Podem estar intactos ou estragados, recuperados ou por recuperar. Por favor enviar email e se possível fotos e medidas para lojalisboa@avidaportuguesa.com Obrigada!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O amor é d' ouro


Tradicionais do Norte de Portugal, as Medalhas de Amor são cunhadas e esmaltadas na aldeia de Travassos, o coração da produção de ouro minhoto português. Dizem "Amo-te", "Deus te Guie" ou Lembrança de Namorado/a" e ficam lindas suspensas em fitas de cor.

A história da extraordinária ourivesaria minhota confunde-se com a de Travassos, perto da Póvoa do Lanhoso, uma “aldeia-oficina” na qual todas as famílias estão ou estiveram ligadas à actividade da ourivesaria e onde se afirma, com base num saber contado, que aqui “nasceu a ourivesaria em Portugal”. Apesar da crescente industrialização do trabalho do ouro, persistem ainda cerca de 40 oficinas tradicionais, que herdaram o saber e a arte que reluzem nas peças tradicionais: os brincos de bambolina, as argolas de requife, as contas olho de perdiz, as laças, as borboletas, as ingénuas medalhas de dizeres e, claro, os típicos e opulentos corações de filigrana. Não esquecendo o soberbo trancelim de lantejoulas de ouro, há 2.000 anos assim fabricado em Portugal. Todas as peças de ourivesaria seleccionadas por A Vida Portuguesa vêm do Museu do Ouro de Travassos, exemplar projecto de memória e estímulo da ourivesaria minhota.