quarta-feira, 24 de abril de 2013

Abril em sabonete



A Saboaria Confiança de cravo ao peito. Ou como explica Catarina Portas (em entrevista ao jornal i): "O que me fascinou desde o início foi a possibilidade de contar a história dos produtos e com isso um bocadinho a história da vida quotidiana de Portugal e de quem os faz. As embalagens são bonitas, mas é muito mais que isso.

Saber, por exemplo, que os sabonetes Ach Brito/Claus Porto vêm de uma fábrica fundada por dois alemães no final do século XIX, no Porto; que a fábrica Confiança, também fundada no final desse século em Braga, tanto fez um sabonete a celebrar a exposição do Mundo português, como o da Grândola Vila Morena. No fundo, é a história do país contada da perspectiva do consumo."

Outras criações intemporais da Saboaria Confiança, na nossa loja online.


terça-feira, 23 de abril de 2013

Dia internacional do livro



É hoje e todos os outros. Na nossa livraria.

A vida familiar



"A loja da ex-jornalista Catarina Portas faz parte de um projecto popular que arrancou em Lisboa para vender famosas marcas antigas portuguesas em embalagens com charme retro. Os brinquedos vintage encontram-se entre os produtos belos produtos que também incluem lápis, latas coloridas e as andorinhas de cerâmica do artista do século XIX que respondia pelo nome de Bordalo Pinheiro e se tornaram o símbolo da loja.
Rua Galeria de Paris 20 (22 202 2105 / www.avidaportuguesa.com). Metro Aliados. Aberta das 10h00 às 20h00 de segunda a sábado."
Time Out Porto for Visitors. Edição 2013.



quarta-feira, 17 de abril de 2013

Como se Faz um Livr'omem



Paulo de Cantos era um vanguardista com queda para a pedagogia, isso parece ser consensual. E um homem à frente do seu tempo; ninguém duvida. Mas tinha tantos talentos que se tornava difícil definir (ou engavetar como as mentes mais simples tendem a fazer).
Foi reitor liceal, coleccionador, filantropo, filólogo, inventor e auto-editor de livros invulgares. E criou uma obra gráfica impressionante que a editora Barbara Says achou por bem deixar para a posteridade. Neste que é um livro em forma de homem e vice versa - em cuja impressão (ele haveria de gostar de saber) foram combinadas várias técnicas diferentes: offset para o miolo e tipografia para as zincogravuras que a família cedeu. "O livro-omem - Paulo d' Cantos n' Palma d' Mão" é uma preciosidade editorial. E já está à venda n' A Vida Portuguesa.



"Não é fácil sintetizar quem foi Paulo de Cantos (1892-1979). Professor, editor, gráfico, filantropo, filólogo. Foi tudo isto, mas talvez a melhor forma de o descrever seja a expressão “o livr-o-mem” (o livro-homem), expressão usada no título da edição que hoje é lançada em Lisboa.

O interesse em torno de Paulo de Cantos surge precisamente por causa dos livros, manuais didácticos, opúsculos, que editou freneticamente desde os anos 20 do século passado até morrer. São livros sobre os mais diversos temas - linguística, geografia, anatomia, literatura, matemática, folclore – e cuja particularidade é a forma como aproveitou a composição tipográfica para criar esquemas, desenhos estilizados, mapas antropomórficos.

O resultado é um trabalho de vanguarda, praticamente desconhecido, muito visual, com uma preocupação pedagógica. Não é raro encontrar livros que podem ser lidos nos dois sentidos como Os reis do RISO…As leis do SISO (sem data) ou Sal-Azar/Sol!Az!!Ar!! (1961?). Ou ainda o Adágios (1946?), que compila um conjunto de adágios traduzidos em 10 línguas.

De Cantos criou ainda uma língua própria. Depois de uma viagem ao Brasil, por volta de 1965, o autor organizou em sua casa um Congresso Luso-Brasileiro dedicado à língua portuguesa. Daí surgiu a ideia de unificar a grafia das duas línguas, a que chamou PAK.

Os livros de Paulo de Cantos chegaram às mãos de António Silveira Gomes, um dos sócios do atelier Barbara Says, há mais de uma dezena de anos quando estudava design gráfico na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Cruzou-se com eles no Geronte, um bar/alfarrabista no Bairro Alto, “entre copos e o cheiro a mofo próprio dos alfarrabistas”.

A pouco e pouco, a curiosidade sobre quem seria aquele curioso autor foi crescendo até que António e Cláudia Castelo, editora e sócia do Bárbara Says, decidiram que tinha chegado a altura de fazer alguma coisa para revelar tão singular figura.

“Reunimos o espólio dele, fizemos uma exposição, reunimos um conjunto de pessoas [durante as Jornadas Cantianas que decorreram em Março do ano passado] para nos ajudar a perceber quem foi este autor, aproximámo-nos da família para perceber o que restava além dos livros”, conta Cláudia Castelo. Do filho, Gil de Cantos, e da neta, Maria João de Cantos, chegou um baú cheio de zincogravuras que o autor usava na composição dos seus livros.



O resultado destas descobertas é O livr-o-mem – Paulo d’ Cantos n’ Palma d’ Mão, que esta tarde é apresentado no jardim do Príncipe Real, em Lisboa. O lançamento do livro, será feito junto de um plátano mandado plantar por Paulo de Cantos, em frente ao antigo Centro de Profilxia da Velhice, pela Valorização Humana desde a Mocidade, fundado pelo autor.

O objectivo foi sistematizar o conhecimento compilado a propósito do autor. Com um formato semelhante ao do Dicionário Técnico, editado em 1942, na impressão do livro foram usadas várias técnicas: offset para o miolo e tipografia para as zincogravuras cedidas pela família.

De Cantos parece ter sido um homem à frente do seu tempo. “Muitos dos livros de Paulo de Cantos encontrados nos alfarrabistas nem sequer tinham sido abertos”, nota António Silveira Gomes. “Há uma distância muito grande entre a obra que ele produziu e o público que a recebeu Ele foi incompreendido na altura mas a obra dele tem coisas para dizer”, completa Cláudia Castelo.

Paulo de Cantos nasceu em Lisboa, estudou em Coimbra, onde foi contemporâneo de Salazar. Foi professor no Liceu Pedro Nunes, reitor do Liceu Eça de Queiroz, na Póvoa de Varzim, fez cursos de química, belas-artes e até vitivinicultura. Regressou a Lisboa onde fundou o Centro de Profilaxia da Velhice na sua casa, e criou a Bibliarte, um alfarrabista por onde passaram Fernando Pessoa, Cesariny, entre outros.

Mas ao contrário dos seus contemporâneos, De Cantos permaneceu praticamente desconhecido, o que cria um certo mistério à sua volta. Como se relacionou Paulo de Cantos com a ditadura? Até que ponto influenciou os artistas que com ele conviveram? Cláudia Castelo espera que as respostas comecem a chegar depois desta primeira obra.

Mas De Cantos vai além dos livros. O seu lado de inventor tem expressão no modelo do corpo humano construído pelo autor em tamanho real, que se abre como um móvel e tem lá dentro ossos humanos a simular um esqueleto, ou a bizarra bengala de sobrevivência, com vários compartimentos para guardar pequenas quantidades de mantimentos." Texto de Raquel Martins para o Público.

Como se faz um livro-fábrica



DAS MALHAS QUE O TEMPO TECE. Estiveram em exposição em Guimarães e encontram-se agora reunidas em livro as imagens que o fotógrafo e realizador Daniel Blaufuks captou da Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela (em Santo Tirso). Outora fulgor de prosperidade - chegou a ser a segunda maior de toda a Europa - agora esquecida pelo homem e até mesmo pela memória. Imagens da poesia do abandono, ruínas que continuam a ter uma história para contar, já à venda n' A Vida Portuguesa.



"O fotógrafo português espantou-se com o que já foi a segunda maior fábrica têxtil da Europa e fez um livro e um filme. E uma exposição que pode ser vista em Guimarães

O pulsar de um metrónomo preenche toda a sala. Um tiquetaque constante que lembra a passagem do tempo, ainda que por ali pouco ou nada se mova. Há pouca luz e olhar as fotografias nas paredes exige esforço. Ao fim de alguns minutos, o som de uma campainha interrompe o compasso. Como se a fábrica nos chamasse para voltar ao trabalho. Seria assim o dia-a-dia de uma das maiores empresas têxteis da Europa? Sim. Pelo menos, na visão que Daniel Blaufuks expõe em Guimarães até Maio.

Nas imagens que o fotógrafo lisboeta realizou, durante o ano passado, numa antiga empresa têxtil, há sobretudo um vazio. Um vazio de gente, mas também de máquinas, de movimento e de ruídos. O que o artista fez em Fábrica foi imaginar o que estava para lá dessa ausência. "Aquilo está vazio e tentamos imaginar o que teria sido", explica Blaufuks. Esse exercício é feito através do que foi o seu trabalho no local, mas também de uma componente documental, através da recolha de carimbos, fichas de trabalhadores, folhas de salário, regulamentos, moedas de cartão, entre outras fontes encontradas ainda na empresa.

O espaço que Blaufuks fotografa e filma é o da Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela, em Santo Tirso. Fundada em 1845, a empresa está desactivada e é um monstro à margem da Estrada Nacional n.º 105, que atravessa o vale do Ave em direcção ao Porto. Tem cerca de nove mil metros quadrados e albergou aquela que foi a segunda maior fábrica têxtil da Europa, chegando a empregar 5000 trabalhadores. O gigantismo da estrutura causou um "espanto inicial" no fotógrafo e acabou por influenciar este trabalho. "Se fosse uma fábrica mais pequena, se calhar teria feito alguma coisa, mas não teria feito um livro", admite, por isso.



Mas Fábrica não é apenas sobre a têxtil Rio Vizela, é um trabalho sobre a ideia de fábrica e de como nos afastamos do tempo industrial. Nesse sentido, presta-se a uma abordagem política. Do vale do Ave, Daniel Blaufuks vê o desaparecimento da classe operária europeia. Por isso, entende ser "fundamental pensar nisso". "Porque no fundo tem muito a ver com a crise em que a Europa se encontra", acrescenta, ainda que recuse qualquer nostalgia sobre esse tempo.

Este trabalho de Daniel Balufuks foi crescendo em torno de um conjunto de acasos. O primeiro foi a vontade do fotógrafo em acompanhar a rodagem da curta-metragem que o espanhol Victor Erice realizou para a Guimarães 2012 - e que é um dos segmentos do filme colectivo Centro Histórico, onde também participam Manoel de Oliveira, Pedro Costa e Aki Kaurismaki e que a Capital Europeia da Cultura estreou no ano passado, no festival de Roma. Em Vidros Partidos, o espanhol centrou-se, porém, nas histórias reais dos operários. A fábrica ficou fora de campo. E como o realizador praticamente não usou planos da fábrica, o fotógrafo percebeu que o material que tinha recolhido podia dar origem a um projecto maior.

O projecto maior é um livro, uma co-edição Pierre von Kleist Editions e Guimarães 2012, através do projecto Reimaginar Guimarães, que durante o último ano recuperou alguns arquivos históricos de fotografia vimaranenses e comissariou trabalhos de re-fotografia contemporânea da cidade. Lá dentro, pode também ser encontrado um filme feito por Blaufuks nas suas passagens pela firma, numa edição em DVD. Fábrica é também uma exposição, inaugurada no passado sábado, podendo ser visitada até 26 de Maio, no Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura (CAAA).

Na galeria - que também ocupa uma antiga fábrica têxtil, na zona urbana de Guimarães - podemos ver a projecção do filme, a instalação dominada pelo som do metrónomo e as imagens de Blaufuks. Apesar desta ser uma exposição de um fotógrafo, não tem o conceito normal de fotografia, impressa e emoldurada. O que vemos são provas de impressão do livro e algumas impressões de menor qualidade das imagens que surgem no livro. Porque Fábrica, a edição em papel, é o objecto central do trabalho, não é um catálogo de exposição. Daniel Blaufuks arriscou. O CAAA é "o sítio certo para arriscar", entende. Porque, se a exposição "tem um espaço de vida", o livro ficará por muito mais tempo: "Não está ligado ao espaço nem ao tempo em que o trabalho foi feito"."

Texto de Samuel Silva, jornal Público.



segunda-feira, 15 de abril de 2013

Nós na BBC

"Retro product renaissance proving popular in Portugal. A new trend in Portugal is seeing shopkeepers stock their shelves with products and packaging which deliberately hark back to the designs of previous decades.

Toys, perfumes and foods with a vintage look are proving particularly popular with tourists and are helping revive the country's flagging economy.
Mauricio Moraes reports."
BBC News

Coisas nossas



"Sabemos que chegamos ao destino, anunciado por uma fachada histórica que diz Fernandes, Matos & Companhia. É neste edifício, que outrora albergou uma das lojas de tecidos mais antigas do Porto, que moram as estrelas d' A Vida Portuguesa. São de outros tempos, muitas dos anos 30, 40 e 50 do século passado, mas continuam a seduzir estrangeiros e, cada vez mais, portugueses. Produtos vintage que contam uma história, deixam saudade ou são, simplesmente, rostos de um país.

A Vida Portuguesa mora no primeiro andar, no topo de uma enorme escadaria antiga que nos leva diretamente a um país cheio de tradição. Nas prateleiras brilham os mais variados produtos: os lápis Viarco, os sabonetes da Ach Brito, da Claus Porto e da Confiança, a pasta de dentes Couto, as conservas Tricana, a pasta Couto, o restaurador Olex, os cremes Nally, os bordados de Viana de Castelo, o Café Brasileira, os xaropes para refrescos Granadini, os cadernos Emílio Braga e Serrote, as andorinhas Rafael Bordalo Pinheiro, cera Encerite, brinquedos Pepe, entre muitos outros artigos que marcaram gerações.

Um mundo português que conquistou Catarina Portas, quando há cerca de nove anos, a então jornalista decidiu fazer uma pesquisa para um livro sobre a vida quotidiana portuguesa no século 20. Ao recriar uma despensa dessa época, verificou que lhe faltavam produtos... E não foi de modas! Meteu pés ao caminho e, com a sua persistência de empreendedora, bateu à porta de fábricas e casas de pequenos artesãos para os convencer a serem seus parceiros.

Em 2007, abria a loja A Vida Portuguesa, no Chiado, em Lisboa, local obrigatório em todos os guias nacionais e estrangeiros.
A loja do Porto, aberta desde 2009, não é diferente: Ponto de atração para turistas, é ali que olhos curiosos e aventureiros, ou apaixonados pelo estilo retro, encontram um mundo encantador ponteado de charmosos rótulos, embalagens vintage e muitas preciosidades registadas na memória.
A história vive em cada recanto, dando cor e vida a mesas compridas e vinte metros seguidos de móveis de madeira que quase chegam ao teto."

N COISAS NOSSAS.