quinta-feira, 6 de junho de 2013

City Guide Lisbon

"The top spots to sleep, eat, shop and sip a sundowner in Portugal's capital:

A Vida Portuguesa. Former journalist Catarina Portas has single-handedly revived many classic Portuguese brands and sells them under one roof in an old perfume factory in Chiado. Pick up wool blankets from the Alentejo, handmade soaps from Porto and tea cultivated on plantations in the Azores." Ivan Carvalho, revista Scanorama, Junho 2013.

Faça Você Mesmo

Descobrimos por estes dias um blogue que adapta à língua portuguesa a melhor tradição do DIY (Do It Yourself) que os ingleses tornaram famoso. Que inspira a dar um novo sopro de vida a peças antigas, refrescar um interior descaracterizado ou a criar do zero peças decorativas únicas. Com bom gosto e sentido de humor. Faça Você Mesmo; vai ver que não é tão difícil como isso. Experimente começar com as nossas andorinhas.



Um "faça você mesmo" capaz de fazer levantar vôo a qualquer parede velha ou cansada. Ou como fazer um relógio de parede usando as Andorinhas Bordalo Pinheiro, um exclusivo da marca A Vida Portuguesa.



Para além do charme decorativo, as nossas "Andorinhas para Colar" também provam ter preciosos poderes "anti-embate". Como se pode verificar no blogue TO DIY OR NOT TO DIY. Aqui, numa janela algarvia.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Clássicos da Invicta



Localizada bem no coração da cidade do Porto, no primeiro andar do número 20 da Rua Galerias de Paris, "A Vida Portuguesa", vizinha da famosa Livraria Lello, nasceu a acreditar que os produtos antigos portugueses têm futuro. Num espaço recuperado, com mais de 300 m2 e com vista privilegiada para a Torre dos Clérigos, a loja desafia os visitantes a fazerem uma viagem ao passado, apresentando-lhes muitos produtos que ainda mantêm as suas embalagens originais e que são fabricados com uma dose importante de manufatura. A Loja apresenta, assim, parcerias estabelecidas com diversas marcas portuguesas de renome para a criação de produtos exclusivos, de que são exemplos os sabonetes Ach. Brito e Confiança, as andorinhas Bordalo Pinheiro, o lápis Viarco e os cadernos Emílio Braga e Serrote."

Texto: Mariana Albuquerque
Fotos: Virgínia Ferreira
revista Viva

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A vida sanjoanina

A Vida Portuguesa do Porto comemora o São João com uma montra que eleva a interactividade a todo um outro nível. É puxar o cordelinho e accionar os martelinhos. Ora experimentem!

Da grelha à sardinha do Bordalo, passando pela pega e o avental. Tudo para um São João feliz!

Com a Encerite, a Couto e o Lavicura
Sem São João ninguém nos atura

As azeitonas e as conservas, a alegria não engana
até se juntam à festa as peças coloridas da Faplana

O mapa do Porto para não se perderem
e os Sanjo para os pés não doerem

Mais as figurinhas que não podem faltar
para os santos pouplares festejar

Apitos, martelos e martelinhos
tudo para pôr os foliões aos saltinhos

É martelar, martelar
para o São João festejar



terça-feira, 28 de maio de 2013

A Nova Mouraria



"Foi gueto de mouros, judeus, drogados, marialvas e prostitutas. Mas nos últimos dois anos tornou-se num dos bairros lisboetas que está na moda, onde já não falta quem lá queira investir em comércio ou comprar casa. o futuro da cidade passa por ali.

O QUE HÁ DE NOVO NA MOURARIA? Se ainda não conhece, este mapa dá uma ajuda. Além da requalificação urbana do bairro, nos últimos dois anos nasceram múltiplos novos empreendimentos a torná-lo mais apetecível. Saiba quais. (...)
A Vida Portuguesa. Abre em julho nos antigos armazéns da Viúva Lamego, com enfoque nos objetos para a casa, desde têxteis a loiças e horto.

TERRA DE OPORTUNIDADES. Catarina Portas, a ex-jornalista que levou a outro nível os produtos nacionais com as lojas A Vida Portuguesa, é visita habitual da Cozinha Comunitária da Mouraria. É lá que, à mesa com moradores e amigos do bairro, vai absorvendo a dinâmica da zona onde decidiu abrir a sua futura maior loja. "No Chiado os preços são proibitivos e este é um bairro de oportunidades. E assim todos podemos ajudar a cidade a melhorar." Nos seus planos está abrir vagas de trabalho para os moradores, num processo que muito provavelmente passará pelas mãos do gabinete +Emprego, que desde setembro do ano passado já ajudou cerca de 100 pessoas a ultrapassarem o flagelo do desemprego. Tal como Catarina Portas, são muitos os que discretamente vão investindo na Mouraria. Nos últimos dois anos, o bairro viu nascer lojas, restaurantes, ateliês e até hotéis com suites de luxo. (...)"

Paula Cosme Pinto
Expresso, 25 Maio 2013

segunda-feira, 27 de maio de 2013

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A vida em Luiz Pacheco



"Para fazer da minha vida um romance? Ou uma série de textos insólitos que, por simples aglomeração, ergam uma vivência singular, sem veleidades de metáforas, comparações, esquisitices da burocracia literata rotineira?

Creio que sim. E sublinhar em cada um o aspecto grotesco a que me reduziram, conduziram (até aqui, no Barro: vir meter-me na Tribo dos Cospe-Cospe para sobreviver à fome e ao catarro), transformaram. Quase aniquilaram. Ao contrário de quase todos os escribas, estou farto de levar porrada da Vida. Era tempo de virar isso a meu favor. Como?! escrevendo tal-qual. A verdade é que assusta e empolga as pessoas. Não assisti às coisas tremendas que o Malaparte descreve [no romance Kaputt, que Pacheco estava a ler nesta época]; mas assisti e meti-me noutras, caseiras e mesquinhas, mas fora do habitual.

É tempo de gozar um bocado comigo e de mim. Porque só tenho duas saídas: essa, da jocosidade, ou da amargura. Por este caminho, ninguém vem atrás de mim, não se cativa pela choradeira mas pelo humor."

Luiz Pacheco
Diário 1982



Outra das entrevistas que Anabela Mota Ribeiro recuperou para o seu recém-fundado blogue foi a que fez ao autor de "Comunidade":

"Luiz Pacheco envia-me o exemplar 43 do seu último livro, uma compilação de crónicas que escreveu para o «Público», devidamente enfaixado em papel higiénico. Já estávamos no final da entrevista quando acabo por perguntar: «Então para que era o papel higiénico?» O Pacheco responde: «Sabes quanto é que custa cada envelope almofadado? Cento e quinze paus, menina, é quanto custa!».

Desnudado o mistério, abandonámos o quarto com vista para os lençóis dependurados nos estendais. Não estariam ainda acesas todas as luzes. Avança pelo corredor insistindo: «Aqui é onde se morre», e abre a porta de um quarto despojado e vestido de morte. Acompanha-me até à saída desfazendo-se em pormenores corrosivos, exercitando um estilo que desenvolvera pela tarde. Talvez extenuado, talvez prazenteiro.

Lembrou-me um amigo que corria dos funerais para se perder nos desmandos da carne. Para sobrepor o instinto da vida à crueza da morte. Como Pacheco que, na primeira página d’ «O Libertino», convoca a morte sob múltiplas e hipotéticas formas e se entrega a seguir à vida e ao corpo para melhor escapar ao horror da senhora da gadanha.

Foi o mesmo na conversa de uma tarde. Revolveu conversas de alcova, praticou uma inesgotável luxúria mental, estacionou, comovido, mesmo que se não desse conta, numa incontornável velhice. «Porque é que se deve ter pena de uma pessoa que está aqui, que não fala, que não sabe onde está, que se borra e se mija e que já não dá por isso?»

Que sempre o acompanhe a lucidez. E que deus, ou seja lá quem for, o proteja da decrepitude. Palpita-me ser este o seu último voto."