segunda-feira, 24 de junho de 2013

Festejos sanjoaninos

Este ano os festejos na loja do Porto são brindados e regados com a deliciosa novidade para as nossas prateleiras que é a cerveja artesanal Sovina. Já à venda n'A Vida Portuguesa da Rua Galeria de Paris (20, primeiro andar), em breve também na loja de Lisboa. À vossa e à do São João!

A Vida Portuguesa agradece as fotos cortesia Cerveja Sovina retiradas daqui.

domingo, 23 de junho de 2013

Deliciosa tienda

"Shopping a la portuguesa (¡y sin toallas!). La capacidad para repensar la artesanía tradicional y poner en valor lor productos locales no la tienen todas las culturas. La portuguesa sí. A Vida Portuguesa es un proyecto de Catarina Portas que decidió inventariar los productos de la vida cotidiana del país que habían atravesado décadas. Y surgió esta deliciosa tienda en la que la pasta de dientes Couto con las harinas Farinha 33. Tras arrasar en Lisboa, A Vida Portuguesa ha abierto en Oporto, en el número 20 de la calle Galerías de París.

Rua Anchieta 11, Lisboa. Tel. 213 465 073"
CondéNast Traveler, Espanha.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Precisa-se: gente para A Vida

Já não é segredo para ninguém que A Vida Portuguesa vai abrir uma loja nova em Lisboa e, portanto, precisa de expandir a equipa (onde homem também entra). Se têm força braçal, um sorriso sempre pronto e um amor inesgotável à causa do bem saber fazer português, mandem por favor o vosso currículo, com foto e uma breve carta de apresentação para lojaintendente@avidaportuguesa.com
A Vida agradece.


Foto de Pedro Guimarães.

Lisbon's authentic treasures

A cuidadosa selecção d' A Vida Portuguesa em destaque no "T+L's Definitive Guide to Lisbon", que também gaba a cidade de ser um dos destinos mais vibrantes da Europa.

"A clutch of small, stylish, and affordable hotel and restaurant openings has revitalized Lisbon′s oldest neighborhoods, turning Portugal’s capital into one of Europe’s most vibrant destinations. (...)

Looking to uncover the city’s most authentic treasures? Check out these boutiques.

A Vida Portuguesa: Come here for a well-curated selection of homegrown goods (Confiança soaps; Tricana conserves), handicrafts (hand-loomed blankets), and bric-a-brac."

Alexandra Marshall
T+L's Definitive Guide to Lisbon
Travel + Leisure


domingo, 16 de junho de 2013

A Vida Pública

Do Público de hoje. Os antigos, genuínos e deliciosos produtos de criação nacional no jornal de referência português.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

ANTÓNIO, O SANTO POP


"O 13 de Junho é dia de Santo António mas também de celebração de um outro António, que nesse dia, corria o ano de 1984, nos deixou a pensar em milagres. Foi recentemente, e muito justamente, canonizado como santo padroeiro do panteão pop deste país com o nome que decidiu tomar em vida, António Variações.
O que fará um santo nos nossos dias? Como é que se passa a ter hagiografia, mais que biografia? Será à partida um ser com algo de excepcional, uma diferença e um mistério, e cuja busca e perseverança lhe trilham um destino maior do que lhe era prometido. Um ser com um dom que é também generosidade, capaz de tocar os outros, sacudindo-lhes espíritos, abrindo-lhes ideias, soprando-lhes felicidade. Um homem, cuja história da vida, da morte e da sua herança se torna à distância exemplar, que poderemos um dia contar aos outros como uma quase lenda, de como a diferença, a vontade, a verdade e a arte podem vingar até a morte mais injusta.
Nascido em berço católico, Variações afirmou um dia “Agora respeito todas as religiões e sou demasiado liberto para as aceitar”. Compôs uma canção ao seu Anjo da Guarda e cantou-a um dia, despindo-se, de tronco nu, diante de uma plateia fardada numa base militar: “Ele não usa a arma / Ele não usa a força / Usa uma luz / Com que ilumina a minha vida”.

Variações lançou luzes em muitas direcções. Na Lisboa cinzenta desses anos, fez da excentricidade o seu hábito e vestiu-se como mais ninguém tinha coragem, abrindo caminho a todos os outros que ansiavam também em exibir a sua diferença. “Nunca me vesti como o faço por provocação aos outros, mas como um acto de liberdade para comigo próprio” disse (e cantou “Lá vai o maluco / Lá vai o demente / Lá vai ele a passar / Assim te chama toda essa gente/ Mas tu estás sempre ausente / Não te conseguem alcançar”).

Na sua obra, foi ao rock e experimentou-o com as suas raízes folclóricas minhotas, com genuinidade e sem vergonha, coisa rara nesses tempos ainda de campos extremados. “Como português andava deprimido com a falta de orgulho nacional e tudo o que puder fazer para virar as pessoas para a sua terra, eu faço”. A sua Nossa Senhora chamava-se Amália, “basta-me ouvir a voz dela para ter visões” confessou, e enlevou a diva caída em desgraça pós-revolução, levando-a de volta para um palco magno consigo, gravando o “Povo”, dedicando-lhe discos. Na sua música, como na sua vida, foi sexualmente livre e pôs um país inteiro a trautear a “Canção do Engate” e outras que tais, explícitas mas mais que libertinas libertárias. E desamarrou também os nós que lhe prendiam o destino de miúdo nascido na aldeia a sonhar com o espectáculo. Autodidacta musical, gravou aos 37 anos mas fê-lo na companhia dos maiores, com músicos dos GNR no primeiro LP e dos Heróis do Mar no segundo, editado nos dias do fim, aos 39 anos. As voltas do destino e a qualidade da obra vingaram-lhe todas as ambições quando as suas maquetes caseiras, regravadas pelos Humanos, lhe deram os primeiros lugares dos tops, vinte anos depois da morte.

Por tudo isto, nestes dias, seja no Santo António, seja nas comemorações do 10 de Junho ou seja no Arraial Pride, temos todos algo a agradecer-lhe. Pois António foi a voz de um homem livre. Santo pop e padroeiro da liberdade.

Nota: este texto é dedicado ao João Maia, que um dia assinará um filme sobre Variações, esperemos."

Crónica de Catarina Portas para o jornal Público de 16 de Junho de 2007.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Leituras de férias


"Parece um detalhe mas tenho para mim que a invenção e generalização das malas de viagem com rodas incorporadas é um dos mais importantes e engenhosos feitos dos nossos tempos. Sobretudo para quem gosta de partir para dias de vagar e lazer com uma família alargada de livros, ou seja, possibilidade de escolha consoante o espírito dos dias, entre os livros que nunca se leram, os que se empilham às cabeceiras das camas de cidade mais as curiosidades das novidades, enfim, as tais leituras de férias que podem ser tantas e tão díspares. E porque os livros são tão parecidos com as cerejas para certos devoradores, que sabem que um livro pode levar a outro com urgência desesperada, como resolver o dilema do transporte limitado?

A este propósito, lembro-me sempre do grão vizir citado por Alberto Manguel na sua maravilhosa “Uma História da Leitura”. Conta ele que, no séc. X, o grande bibliófilo e grão vizir da Pérsia de seu nome Abdul Kassem Ismael resolveu de uma genial forma o desejo de companhia da sua biblioteca ao longo das suas deambulações. Falamos de uma biblioteca vasta, atente-se, composta de 117.000 volumes  - pois sabe-se lá, de óasis em óasis, os apetites que podem acometer um grão-leitor... Assim, esta colecção era transportada por uma caravana de quatrocentos camelos, especialmente treinados (e este é o pormenor que encanta qualquer maníaco da catalogação de uma biblioteca) para caminharem por ordem alfabética dos volumes que carregavam no dorso.

Dir-me-ão os fãs das novas tecnologias que tudo o que relato já não faz sentido, num tempo em que um aparelhómetro que quase nada pesa pode carregar consigo os livros, quem sabe até os quatrocentos camelos. Mas a esses responderei que não há ecrã que saiba como o papel manchado e sublinhado, a lombada aberta e marcada, um volume muito anos depois reaberto, largando nos dedos alguns grãos de areia fina recordadndo um fim de tarde na praia ou soltando as folhas que marcaram as páginas lidas à sombra de uma árvore. O acto de apropriação de um livro pelo seu leitor é também físico e aí não há e-book que lhe alcance a magia, vos garanto.

Mais aceitável, sem malas de rodas ou sem camelos à mão, é quando muito recorrer às bibliotecas locais, que são hoje muitas e dadas a muitas surpresas. Pois uma biblioteca conta muito da história do seu lugar e do seu povo. A mais inesperada que me foi dada descobrir situava-se em Inhambane, pacata cidade da costa moçambicana. Numa tarde sossegada, acompanhada de muitos jovens estudantes locais, os meus olhos espantaram-se ao percorrerem as prateleiras. Primeiro sucedia-se um vastíssimo lote de obras portuguesas, entre finais do séc. XIX e início do séc. XX, que iam das “Viagens na Minha Terra” até muitas outras obras mais esquecidas, de colecções com nomes delicodoces, e tão absurdamente exóticas nestas paragens. Imediatamente seguidas por outro largo conjunto que abarcava as obras completas de Lenine a Mao, mais uma quantidade infindável de opúsculos revolucionários e anti-coloniais da segunda metade do século passado, exibindo despudoradamente a evolução das influências históricas de uma nação."

Crónica de Catarina Portas para o Público de 14 de Julho de 2007.