quarta-feira, 31 de julho de 2013

Azeite alentejano premiado

Do Monte Manantiz, em Moura, para o mundo, o editor fotográfico Gonçalo Rosa da Silva decidiu recuperar o olival familiar e criar um azeite de sabor intenso e frutado (com uma equilibrada mistura das variedades Galega, Cordovil e Verdeal), como forma de homenagear a avó Angélica ("a quem devo o gosto pelo campo e pelas tradições do Alentejo").

E o mundo não só se deliciou como o recompensou por estes dias com a atribuição do prémio de Prata na Competição Internacional de Azeite de Nova Iorque. Parabéns!



"Apesar de cosmopolita – estudou fotografia em Londres, viajou por todo o mundo, é hoje editor fotográfico da revista Visão -, nunca perdeu o “chamamento” da terra. E a ela volta, na paisagem alentejana de Moura, seja para reconstruir um monte ou passear pelas ruas da vila e voltar a ser o filho da terra, para uma época de caça ou um fim-de-semana entre amigos à volta da lareira.

Há tempos, falou-me com entusiasmo de terras herdadas onde noutros tempos a sua avó produzia azeite. Estudou, investigou, percebeu a lógica das variedades da oliveira que os antigos tinham estudado e plantado para que, na mistura final, o azeite conseguisse o sabor e a acidez desejadas. Azeitona galega, cordovil, verdeal, que proporção, que tempo de maturação? Sonhou então voltar a fazer azeite." Pedro Rolo Duarte, "Tenho um amigo que faz azeite."

terça-feira, 30 de julho de 2013

Do nosso amor à andorinha


Quando se lhe meteu na cabeça a ideia de criar A Vida Portuguesa, Catarina Portas não a concebia sem as andorinhas de cerâmica. As populares, mais rústicas, que nos chegam de Barcelos, e as mais refinadas para as quais Bordalo Pinheiro criou os moldes e que o povo abraçou espontaneamente (e muito mais amorosamente do que outros galos coloridos e impostos à força). Correu as lojas de Lisboa, mercearias, drogarias e não queria acreditar que tivessem desaparecido de circulação e das casas da gente, que é o primeiro passo para desaparecerem do imaginário colectivo.

Foi bater à porta da Fábrica de Faianças que o genial Rafael criou nas Caldas da Rainha, pediu-lhes que tirassem os moldes da prateleira e largassem novamente os pássaros negros em bandos, esses que fazem a Primavera o ano inteiro. E assim foi, concordando-se entre as duas empresas um exclusivo de produção, em quatro tamanhos diferentes, para a marca que a ex-jornalista fazia nascer.

E identificámo-nos com elas de tal forma, desde o primeiro momento, que não nos cansávamos de lhe contar a história nem podíamos pôr outra coisa no logotipo da casa. Ao longo destes seis anos, atirámo-las sobretudo às paredes, primeiro da loja de Lisboa, depois do Porto, depois ao mundo inteiro pela loja online. Mandámos andorinhas para Nova Iorque, Xangai, Brasil e elas voltaram a cair no goto de quem lhes põe os olhos em cima. Voltaram a voar mundo fora porque tinham ganho asas outra vez.



Foto de Catarina Portas nos bastidores da Fábrica de Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Aldeia da Mata Pequena


Meia hora de viagem a partir de Lisboa é quanto basta para chegar a um pequeno paraíso rural, "tão perto da capital e tão longe do bulício urbano". Parte do Concelho de Mafra e da Zona de Protecção Especial do Penedo do Lexim, no poiso de um vulcão extinto que virou estação arqueológica, a Aldeia da Mata Pequena é um exemplo precioso da mais-valia do isolamento. Que corria o risco de se tornar em mais um amontoado de ruínas do interior desertificado não fosse o extremoso cuidado de um dos netos da terra, Diogo Batalha, movido pelo projecto final do curso que havia de o tornar gestor. Começou por desalojar uma figueira que se tinha instalado na casa da família e levou dois anos a recuperar dez dos edifícios do casario.

“Precisava que a aldeia fosse autêntica, verdadeira e que os habitantes ainda cultivassem as terras, os seus animais. Isso era uma mais-valia, não só para nós que habitávamos o sítio como para os nossos hóspedes”, explicou ao Dinheiro Vivo. "Este é o nosso contributo para a preservação da identidade saloia." E, porque os pilares da identidade são as memórias, recorreu aos relatos dos habitantes e lançou mãos à obra, mantendo o traço original e o charme rústico de outros tempos. Com a preocupação de linda e respeitosamente preservar um raro exemplo da Arquitectura Tradicional da Região Saloia, e onde agora não faltam os fornos de lenha, as camas de armação de ferro e os penicos à janela, entre móveis de antiquário e outros autênticos mimos decorativos.

Os vestígios de presença humana no lugarejo vão tão longe quanto aos dias dos romanos mas, depois de um pico populacional de 70 habitantes no século XIX, hoje em dia são apenas dezena e meia os teimosos que continuam a querer chamar-lhe casa - sem contar com as águias e raposas que aí convivem pacificamente, mais os pavões, os animais de criação ou o Cardoso, o cão da aldeia. As casas recuperadas oferecem alojamento para um fim-de-semana romântico, passeio com amigos ou ajuntamento familiar. Depois de pernoitar, o mata-bicho faz-se com o tão afamado quanto delicioso pão da zona, acompanhado de doces de fruta feitos ali mesmo. E aos fins de semana ainda é possível desfrutar dos petiscos da tasca local, entretanto aberta em permanência o ano inteiro.

Em tempo de férias e, para além do seu inegável charme, a aldeia beneficia ainda da proximidade da Tapada Nacional e do Convento de Mafra, do Sobreiro (aldeia do famoso escultor que importa redescobrir, José Franco), do património de Sintra e do mar da Ericeira. Garantida mesmo é uma experiência única, autêntica, bucólica. Não foi à toa que começámos por lhe chamar "paraíso rural".

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A juventude europeia no Chiado

Por estes dias, a loja do Chiado encheu-se de jovens europeus à descoberta do comércio tradicional lisboeta e de um novo espírito de empreendedorismo. Com raízes.


Veja a reportagem em vídeo da TV Record aqui.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Emporium fascinante

"Authentic Souvenirs. A Vida Portuguesa is an intriguing emporium that revamps Portuguese homeware and everyday household objects from the 1930s onward with traditional designs and patterns."

Four Seasons Magazine

Tradução: "Lembranças autênticas. A Vida Portuguesa é um emporium fascinante que recupera artigos de casa e de uso diário de 1930 em diante com design e padrões tradicionais."

Fotografia © Pedro Guimarães

quinta-feira, 18 de julho de 2013

La Dolce Vita


La Dolce Vita. Ou como A Vida Portuguesa fala ao coração de uma italiana: "Lisboa está cheia de lojas de lembranças com azulejos improváveis, galos magnéticos para o frigorífico e sardinhas em caixas com ilustrações do eléctrico 28. E depois há A Vida Portuguesa, com uma selecção de produtos extraordinários, todos rigorosamente "made in Portugal". Estamos na Rua Anchieta 11, a dois passos da popular Rua garrett e da paragem de metro Baixa/Chiado. E entrar nesta loja de tecto alto e janelas antigas é uma verdadeira viagem no tempo.

Cada objecto conta uma história, revelando a verdadeira identidade do povo português, a sua sociedade e a sua alma. O grande poder da saudade - a sua intraduzivel nostalgia fica claro bisbilhotando entre os produtos vintage nas suas embalagens antigas. A Vida Portuguesa nasceu de um desejo de criar um inventário de marcas que sobreviveram à passagem do tempo, de mostrar a qualidade da produção portuguesa, sob uma luz surpreendente e distante dos clichés habituais. (...)

São lembranças perfeitas que não custam os olhos da cara e enchem a mala de presentes para todos."


"A Lisbona ci sono tanti negozi di souvenir dozzinali con azulejos improbabili, galletti magnetici da frigo e sardine in scatola con il tram 28 stampato sopra. E poi c’è A Vida Portuguesa, con la sua selezione di prodotti straordinari, tutti rigorosamente made in Portugal. Siamo in Rua Anchieta 11, a due passi dalla popolare Rua Garrett e dalla fermata metro Baixa / Chiado. Entrare in questo negozio dal soffitto a volta e vetrinette antiche sarà come fare un vero e proprio viaggio nel tempo.

Ogni oggetto qui racconta una storia, rivelando la vera identità del popolo portoghese, la loro società, la loro anima. Il grande potere della saudade – la loro intraducibile nostalgia – si avverte chiaramente curiosando tra i prodotti vintage esposti nelle credenze e sulle botti. A Vida Portuguesa nasce dalla volontà di creare un inventario di marchi che sono sopravvissuti al passare del tempo, e più in generale per evidenziare la qualità della produzione portoghese e per mostrare il Portogallo in una luce sorprendente e completamente diversa dai soliti clichè.

Nel corso degli ultimi anni, lo staff di A Vida Portuguesa ha ricercato, da nord a sud del paese, tutti quei prodotti che sono stati tramandati di generazione in generazione. Troverete le stesse confezioni originali di cento anni fa, così caratteristiche e in un certo senso ingenue, dalla fecola di patate alla crema dopobarba. Sono un marchio dei ricordi dei portoghesi che rappresentano un modo di vita che ancora si può rintracciare nelle strade di Lisbona. Sono souvenir perfetti, che non vi faranno svuotare il portafoglio e vi invoglieranno a riempire la valigia di regali per tutti.


Cercate, per esempio, le creme Benamor della lisboneta Nally Factory: “l’adorabile prodotto di bellezza che dona alla pelle un incantevole freschezza” è stato registrato nel 1928 da un farmacista e ancora oggi la fabbrica produce molti cosmetici e profumi che sono diventati molto popolari in Portogallo (tra i clienti anche Salazar e la Regina Amélia) tra i quali l’Alantoíne Cream alla citronella. Nel reparto bellezza, imperdibile anche il dentifricio della Couto Factory di Porto e i saponi vintage di Confiança Soap and Perfume Factory di Braga.

Se volete portare un regalo al vostro collega, al vostro commercialista o al vostro capo, entrate nella seconda saletta davanti a voi dedicata alla cartoleria. Imperdibili i quaderni di scuola degli anni ’50 e la serie in edizione limitata di notebook colorati di Emílio da Silva Braga che nel 1918 fondò in Rua Nova do Almada a Lisbona una delle cartolerie più famose della città. Per i più curiosi, sono in vendita anche dei pacchetti sorpresa con dentro una selezione random di ricordi, cimeli e etichette direttamente dagli anni ’60 portoghesi.

Sulle pareti di A Vida Portuguesa si alzano in volo le rondini di Bordalo Pinheiro, altro simbolo dell’artigianato e della creatività di questa nazione. Adesso, abbassate lo sguardo alla vostra sinistra, e tornate bambini per un attimo. Macchinine, cavalli a dondolo, borsette per la merenda, trottole e strumenti musicali in miniatura vi racconteranno l’infanzia dei bambini a Lisbona sessant’anni fa.


Tra i giocattoli di un tempo più caratteristici, troverete la Rapa, ovvero un particolare dado, con una lettera su ogni lato. Ogni giocatore mette sul tavolo un fagiolo secco per iniziare il gioco e lancia il dado, che determinerà il destino dei giocatori. La lettera T significa che il giocatore deve riprendersi il suo fagiolo; la lettera P che deve metterne un altro sul tavolo. La D sta per “lascia” (“deixa” in portoghese) e tutto rimane uguale a prima sul tavolo. R significa “Rapa” (ripulisci!) e il giocatore deve prendere tutti i fagioli sul tavolo. Rapa è un gioco tradizionale portoghese che alcuni credono risalire ad una tradizione ebraica; i dadi venduti in questo negozio sono tutti fatit a mano nella regione di Barcelos.

Avventuriamoci adesso nella terza ed ultima saletta, dedicata a vino, cibo e utensili per la casa. Qui troverete il caffè Brasileira, il tè Gorreana, le farine Zelly, le conserve di pesce di tricana, il tonno Santa Catarina, i cioccolati di Arcadia… Se tutte queste marche non vi dicono niente, lasciatevi ispirare dalle loro meravigliose confezioni e accompagnate i vostri acquisti da una bottiglia della prima ginginha, inventata da un monaco di Sant’Antonio, Francisco Espinheira. Un giorno mise delle ciliegie in aguardente (un brandy locale molto alcolico), con aggiunta di zucchero, acqua e cannella – e voilà, creò uno dei liquori più famosi del Portogallo.

Se siete stati a Lisbona e vi siete persi questa perla, non disperate. Hanno anche uno shop online ed effettuano spedizioni in tutto il mondo. Non avete più scuse per non portare ai vostri amici il meglio di Lisbona in Italia."

Alice Avallone
NUOK Magazine

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Como um sopro de magia

Reabriu este fim-de-semana o Museu do Vidro da Marinha Grande, que permite mergulhar nos bastidores da indústria vidraceira, perceber-lhe a história e a tecnologia. Porque é sempre com espanto que se vê surgir, de um sopro humano, uma peça utilitária ou artística. Um programa em beleza para os dias de Verão ou do ano inteiro, de terça a domingo, das 10h00 às 18h00.


Originalmente terra de lenhadores, a Marinha Grande haveria de se deixar conquistar pelo apelo dos vidreiros. Determinante foi o apoio de Marquês de Pombal, que autorizou o inglês Guilherme Stevens a utilizar a lenha do pinhal que provasse ser necessária para o funcionamento da Real Fábrica de Vidros (fundada em 1769, que passaria a chamar-se Fábrica Escola Irmãos Stephens em 1954 e alojaria em 1998 o Museu do Vidro).

Em 1999 instituía-se a Região Demarcada do Vidro da Marinha Grande, que, 260 anos mais tarde, se afirmaria como uma das mais antigas na tradição vidreira europeia. E ainda hoje os artesãos maçariqueiros continuam a criar ali magníficas peças de brilho e cor.

Como estes "palitos de vidro" (disponíveis em caixas de 6 por €27), elaborados a partir da reutilização dos desperdícios do vidro, peças únicas e singulares, ideais para usar e decorar pratos de entradas e sobremesas. Que também são uma prova da teimosia de quem insiste em fazer perdurar o artesanato tradicional da Marinha Grande.