quinta-feira, 15 de maio de 2014

ESCRÍTICA POP


O que têm em comum Rui Reininho, Pedro Ayres de Magalhães e Zé Pedro? Três figuras com uma marca musical forte que, em estilos musicais diferentes, souberam alimentar os sonhos de gerações recentes de portugueses.
E vão estar este domingo n' A Vida Portuguesa do Intendente a debater os anos de modernidade e mocidade do princípio dos anos 80, que Miguel Esteves Cardoso verteu para livro em ESCRÍTICA POP.


Da sinopse: No início dos anos 80, Miguel Esteves Cardoso escrevia sobre música nas páginas de "O Jornal", "Se7e", e na "Música & Som". Nesse período, dividia-se entre Lisboa e Manchester, o que lhe permitiu estar a par das novas tendências musicais que aí iam surgindo: Joy Division, Durutti Column, entre outros. Logo se destacou por uma escrita inteligente, perspicaz e, sobretudo, com grande sentido de humor, tendo tido muitos seguidores na área da crítica musical. Esses textos foram compilados e editados pela Querco em 1982, tendo rapidamente esgotado. Foi o primeiro livro de Miguel Esteves Cardoso. Com o passar dos anos e a crescente popularidade do seu autor, tornou-se uma obra de culto, com procura incessante da parte dos leitores. Aqui está, de novo, em reedição.

Nessa altura Fernando Assis Pacheco escreveu: "Há em Miguel Esteves Cardoso dois Miguéis Esteves Cardoso, o paciente recenseador de músicas que aqui se lê e o outro, o ficcionista, ainda sem estórias publicadas e não sei sequer se escritas. Mas que essoutro existe, aposto dobrado contra singelo: muitas das prosas críticas deste livro são já plots, fábulas, ficções, tudo servido por um uso pessoalíssimo da língua, não transmissível a epígonos.
Sobre músicas (e músicos) pode escrever-se de muitas formas. Nos melhores momentos de humor a técnica de Miguel Esteves Cardoso consiste em agarrar um rocker pelo pescoço, dar-lhe duas voltas no ar e batê-lo de encontro à rocha do estilo, como se fosse um polvo da beira-mar. Dessa crueldade pescadora salvam-se as paixões, bem entendido, e algum mito sobrenadando na babugem dos dias, mas que há-de ter cuidado porque da próxima leva na mona.
Do talento não falo: parece-me evidente, com o único senão de fazer uma legião de invejosos. Os dois - ou três, ou quatro - Miguéis Esteves Cardoso andariam avisados se tentassem, por uns tempos, o epigrama. Ou, mais modesta ainda, a interjeição."

Era o início dos anos 80. Uma banda de cinco rapazes não tinha pruridos em cantar a saudade, o fado, o amor e a paixão, em ser português numa altura em que o que estava na moda era estrangeiro. Chamavam-se Heróis do Mar e o facto de não quererem ser modernos só os tornava mais modernos ainda. Um desses cinco, que depois criaria também os Madredeus (esse sinónimo de Portugal à escala mundial), Pedro Ayres Magalhães, junta-se a Rui Reininho e Zé Pedro este domingo. O tema é a época da ESCRÍTICA POP do MEC.


Para nós, o Rui Reininho é como um membro da equipa. Porque viu esta casa nascer e crescer, comemorou um mítico Santo António connosco e nunca nos perdeu o rasto. Nem nós o dele. Este domingo vem ao Intendente para uma conversa com Pedro Ayres Magalhães e Zé Pedro a propósito da música, modernidade & mocidade em 1980-82. A propósito da celebração a Miguel Esteves Cardoso em que estamos a tornar este mês de Maio e da sua ESCRÍTICA POP.


Este domingo, o Zé Pedro dos Xutos vem à nossa alegre casinha para uma conversa com Rui Reininho e Pedro Ayres Magalhães. Sobre a música portuguesa dos fulgurantes anos 80, a propósito do nosso mês de celebração MEC e da sua ESCRÍTICA POP. Absolutamente imperdível!


Por ocasião da apresentação do novo livro de Miguel Esteves Cardoso, A Vida Portuguesa celebra a obra de um escritor que nos vem inspirando a todos.

Maio é mês de MEC n' A Vida Portuguesa
Sempre na Loja do Intendente
Largo do Intendente Pina Manique, 23

Sejam benvindos!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Maio é mês de MEC na Vida Portuguesa


Por ocasião da apresentação do novo livro de Miguel Esteves Cardoso, A Vida Portuguesa celebra a obra de um escritor que nos vem inspirando a todos.

Sábado 3 Maio 17h
Lançamento do novo livro “Amores e Saudades de um Português Arreliado” com Miguel Esteves Cardoso e Catarina Portas

Domingo 11 Maio 10h30-19h30
Maratona de Leitura de “A Causa das Coisas”
150 convidados lêem em voz alta o primeiro e inspirador livro de crónicas do MEC, ao longo de todo um dia

Domingo 18 Maio 17h
A época da Escrítica Pop
Conversa com Pedro Ayres de Magalhães, Rui Reininho e Zé Pedro sobre música, modernidade & mocidade em 1980-82

Sábado 24 de Maio 17h
“Em Portugal não se Come Mal”
Miguel Esteves Cardoso conversa com Maria de Lurdes Modesto sobre vícios e confortos da alimentação nacional.

Sábado 31 de Maio 17h
Os anos de “O Independente”
Miguel Esteves Cardoso conversa com Paulo Portas sobre uma aventura jornalística e a vontade de mudar o mundo

Sempre na Loja do Intendente
 A Vida Portuguesa
Largo do Intendente Pina Manique, 23

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Alegria deVida


"Tive também a alegria deste livro ter sido uma das muitas inspirações de Catarina Portas e do mundo real que criou com as lojas, os quiosques e os produtos de A Vida Portuguesa."

Miguel Esteves Cardoso
do prefácio da re-edição de
A Causa das Coisas
pela Porto Editora

Portugalite


"Entre as afecções de boca dos portugueses que nem a pasta medicinal Couto pode curar, nenhuma há tão generalizada e galopante como a Portugalite. A Portugalite é uma inflamação nervosa que consiste em estar sempre a dizer mal de Portugal. É altamente contagiosa (transmite-se pela saliva) e até hoje não se descobriu cura.

A Portugalite é contraída por cada português logo que entra em contacto com Portugal. É uma doença não tanto venérea como venal. Para compreendê-la é necessário estudar a relação de cada português com Portugal. Esta relação é semelhante a uma outra que já é clássica na literatura. Suponhamos então que Portugal é fundamentalmente uma meretriz, mas que cada português está apaixonado por ela. Está sempre a dizer mal dela, o que é compreensível porque ela trata-o extremamente mal. Chega até a julgar que a odeia, porque não acha uma única razão para amá-la. Contudo, existem cinco sinais — típicos de qualquer grande e arrastada paixão — que demonstram que os portugueses, contra a vontade e contra a lógica, continuam apaixonados por ela, por muito afectadas que sejam as «bocas» que mandam.

Em primeiro lugar, estão sempre a falar dela. Como cada português é um amante atraiçoado e desgraçado pela mesma mulher, é natural que se junte aos demais para chorar a sua sorte e vilipendiar a causa comum de todos os seus males. Assim sempre se vão consolando uns aos outros. Bebem uns copos, chamam-lhes uns nomes, e confortam-se todos com o facto de não sofrerem sozinhos. Às vezes, para acentuar a tristeza, recordam-se dos bons velhos tempos em que Portugal, hoje megera ingrata que se vende na via (e na vida) pública, era uma namorada graciosa e senhora respeitada em todos os continentes. E, quando dez milhões de lágrimas caem para dentro do vinho tinto que seguram nas mãos, todos abanam as cabeças, dizendo em uníssono «e hoje é o que se sabe...».

Não é só o facto de não saberem nem poderem falar noutra coisa que prova a existência duma paixão. Como qualquer apaixonado arrependido, o português acha Portugal má como as cobras, mas... lindíssima. O facto de ser tão bonita de cara (as paisagens, as aldeias, a claridade, o clima) só torna a paixão mais trágica. O contraste entre a beleza à superfície e a vileza subterrânea dá maior acidez às lágrimas. É por isso que só há um tabu naquilo que se pode dizer de Portugal. Pode dizer-se que é bárbara e miserável, traiçoeira e ingrata, e tudo o mais que há de aviltante que se queira. O que não se pode dizer é «Portugal é um país feio». Nunca. Também neste aspecto se comprova a paixão.

Em terceiro lugar, os portugueses só deixam que outros portugueses digam mal de Portugal. Só quem sofreu nos braços dela (e que ela vai tratando ignobilmente a seu bel-prazer, por saber que nunca lhe hão-de fugir), se pode legitimamente queixar. Isto porque Portugal, sendo uma lindíssima meretriz, engata os estrangeiros descaradamente, desfazendo-se em encantos e seduções para com eles. Esta ideia exprime-se no dogma nacional que reza «Isto é bom é para os turistas», como quem diz «A viciosa da minha mulher a mim não me dá nada, mas atira-se a qualquer estranho que lhe apareça à frente». Qualquer estrangeiro que tenha a ousadia e o mau gosto de se fazer esquisito frente aos avanços despudorados de Portugal está condenado ao maior desagrado de todos.

Esta atitude é lógica, porque só há uma coisa pior do que se ser atraiçoado por quem se ama — é não se ser atraiçoado só porque o outro a acha feia e não a quer. À traição da mulher junta-se o insulto do outro, ao não achá-la sequer digna de um pequenino adultério. É como dizer-nos: «Não só estás apaixonado por uma pega, como ela é feia como breu.»

Os estrangeiros que nos visitam nunca compreendem isto. Lêem e ouvem dizer por todo o lado as maiores infâmias acerca de Portugal e não percebem porque é que todos lhe caem em cima no momento em que ele se atreve a dizer que um pastel de nata não está fresco, ou que tem a impressão de ter sido enganado no troco por um motorista de táxi.

Em quarto lugar, apesar do português passar o tempo a resmungar e a queixar-se quando está perto de Portugal, sabe-se o que lhe acontece quando está há muito tempo longe dela. Os grunhidos transformam-se em gemidos e as piscadelas de olho já não vencem senão lágrimas. E pensa invariavelmente: «Portugal é uma bruxa, mas antes mal tratada por ela do que bem por outra donzela...»

Em quinto e último lugar (e o «Quinto» não é fortuito), temos a derradeira prova da paixão do português por Portugal. Tem a ver com a ideia que ele tem do que Portugal podia ser. Para cada português, «isto podia ser o melhor país do mundo se...» (Segue-se uma condição invariavelmente impossível de se cumprir). A miragem deste país potencial é um paraíso que agrava substancialmente o inferno que os portugueses já supõem aturar. Isto porque os portugueses graças a Deus, têm expectativas elevadíssimas. Nada abaixo do Quinto-Império pode garantir satisfazê-los. Nenhum português se contenta, por exemplo, só com pertencer à Europa. Aliás, só começaria a contentar-se caso fosse a Europa toda a pertencer a Portugal. (E mesmo assim, qual não seria o português, com um cepticismo que provém de um longo e civilizadíssimo cansaço cultural, que não desconfiasse logo que «isto agora da Europa pertencer a Portugal traz água no bico, com certeza...?»)

Estas expectativas insaciáveis revelam-se na saudável mania que têm os portugueses de comparar Portugal só com a pequena minoria de países que se encontram em muito melhor situação. Para um português, Portugal é o país mais pobre do mundo. Isto é, do mundo «que interessa». Se lhe falarmos nos demais 75% que estão piores que nós, diz logo: «Está bem, mas isso nem se fala...» Nem é preciso ser a Nicarágua ou o Bangladesh — basta mencionar a Grécia ou a Turquia para ele se virar para nós com ar despeitoso e incrédulo e dizer: «Ó filho, está bem, mas isso...»

É curioso notar que a Espanha goza de um estatuto especial nestas comparações. Nem conta como «melhor» nem «pior». A Espanha é sempre até, e a frase «Até na Espanha...» tem o significado precioso de chamar a atenção para um país reconhecidamente rasca onde, neste ou naquele aspecto, já estão escandalosamente melhores do que em Portugal. De qualquer modo, os espanhóis não são como nós. Acham, por exemplo, que é motivo de orgulho ser-se espanhol. Nisso pelo menos, estão muito piores que nós. Entretanto, compreende-se que o difícil não é amar Portugal — o difícil é deixar de amá-lo, também porque é sempre difícil nós sermos felizes."


Miguel Esteves Cardoso
in "A Causa das Coisas"

segunda-feira, 28 de abril de 2014

"Um sítio seguro"

«Vender artigos com história é o negócio de Catarina Portas. Já vai na terceira loja. "Lisboa tornou-se num destino turístico por excelência, ao nível do mundo inteiro e, num mundo que está cada vez mais globalizado, onde as coisas são cada vez mais iguais, os turistas procuram a diferença do local. Procuram produtos portugueses, a diferença portuguesa, e é por isso que essas lojas continuam a crescer.

É certo que existe uma tendência retro, que tem certamente a ver com o facto de estarmos em crise. Quando se está em crise, aquilo que se observa é que as pessoas se refugiam naquilo que é seguro. E o passado é um sítio seguro".»

Da reportagem em "Linha da Frente", que passou na RTP no sábado à noite. Para rever a partir do minuto 13:10, pela parte que nos diz respeito






quarta-feira, 23 de abril de 2014

Nascer depois e ainda a tempo


"Eu sei que nasci depois. Nasci depois da Pasta Dentífrica Couto, que protegia as nossas bocas dos piores males. Nasci depois dos lápis Viarco que coloriram os desenhos de tantas crianças a partir dos anos 30. Também sei que nasci depois das deliciosas tabletes familiares de aromas de fruta dos chocolates Regina.
 
É por isso que sempre que entro na loja A Vida Portuguesa, sinto que pus os pés numa máquina do tempo e, num estalar de dedos, recuo décadas anteriores ao meu nascimento e conheço marcas unicamente nacionais que fizeram as maravilhas de milhares de portugueses e cujo encanto permanece até aos dias de hoje."

As palavras de Igor P. Ou A Vida Portuguesa no Yelp Lisboa

terça-feira, 22 de abril de 2014

Levar a Vida a Degustar


Porque um dos maiores prazeres desta Vida está na arte de petiscar, decidimos juntar alguns fornecedores com provas dadas na matéria de deliciar e oferecer uma prova aos clientes (de estômagos) mais curiosos. Este sábado, a partir das 16h00, na nossa zona de mercearia, venha provar uma nova cerveja artesanal que já está a fazer furor e responde pelo nome de "Letra". Para descobrir ainda, os novos petiscos em conserva da José Gourmet (das moelas aos rojões, do polvo à lampreia, do bacalhau ao sarrabulho, em versão individual e pré-preparada, para desfrutar em qualquer altura que não haja tempo para cozinhar). A acompanhá-los, as deliciosamente estaladiças Tostas Tradicionais do Forno do Monte, um novo fornecedor a que damos as boas vindas.

É FAZER O GOSTO AO DENTE
N' A VIDA PORTUGUESA DO INTENDENTE!

Largo do Intendente Pina Manique 23
1100-285 Lisboa


Já houve quem lhes chamasse "bons petiscos para totós" ou as "conservas do século XXI". O que a marca José Gourmet quis fazer foi muito simplesmente tornar acessíveis ao maior número de pessoas (sem tempo ou mesmo sem jeito) iguarias tradicionais portuguesas (dos chocos com tinta aos rojões à minhota ou da chanfana de borrego à caldeirada de polvo, por exemplo), que se aquecem rapidamente e saciam sem dúvida, cumprindo simultaneamente a função de deliciar. Mas a isso já a marca, que nos vem surpreendendo com um leque de artigos que vai dos doces de fruta aos azeites aromáticos, nos vinha habituando.


É sempre com alegria (e uma boa dose de gulodice, no que toca à mercearia) que damos as boas vindas a um novo fornecedor. "O Forno do Monte" especializa-se em pão (o tradicional alentejano, ou não fosse a empresa baseada em Sousel), na sua versão fresca ou de tostas (ultrafinas para um toque ultra-estaladiço), e em biscoitos artesanais, bolos fintos e regionais (como os folares da Páscoa, num prolongar da tradição). Já n' A Vida Portuguesa do Intendente, a versão tostada do pão que O Forno do Monte amassou.


Outro motivo de peso para vir ao Intendente este sábado: provar o último grito da cerveja artesanal portuguesa. É minhota, já começou a correr mundo e a arrecadar prémios. Chama-se Letra e declina-se nas variações "Weiss", "Pilsner", "Stout" e "Red Ale". É cerveja deliciosamente escrita com todas as letras!