quarta-feira, 22 de outubro de 2014

LX70 na imprensa

"Fala-se na década de 1970 em Portugal e imediatamente pensamos no 25 de Abril. Mas esta foi também a década em que foi eleita a primeira Miss Portugal, em que, no carnaval, um grupo de meninos ricos se vestiu de árabe e enganou toda a gente, em que Miles Davis e Keith Jarrett tocaram no primeiro Jazz em Agosto, em que as mulheres chegam à polícia, em que foi lançada a primeira Gina, em que os intelectuais da capital se juntavam a beber copos no Procópio, em que Carlos Lopes ganhou uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Montreal, em que se tornou possível beber Coca Cola. (...)

(Diz Joana Stichini Vilela:) Temos cada vez mais filmes e documentários sobre os grandes acontecimentos políticos mas temos poucas coisas sobre a vida das pessoas, não existia esse carinho pela vida quotidiana, e isso interessava-me. Queria fazer um livro que fosse como uma cápsula do tempo, que desse uma ideia de como tinha sido aquela época. (...)

A década de 60 foi incrível e sempre exerceu um grande fascínio sobre mim, porque foi uma altura em que muita coisa mudou, em que começou a cultura pop, que é a nossa cultura. Nos anos 70 essa mudança ainda é mais visível.

Gosto de dizer que este livro é um bookazine. Cada história tem a sua linguagem mas no final há uma unidade. As pessoas podem ler só algumas histórias ou podem ler tudo e é como fazer uma viagem àquela década."

"A minha primeira memória é o 25 de Abril. O antes - irmos à (prisão de) Peniche visitar uma pessoa que conheciamos - e o depois, a noite de 26 para 27 quando libertaram os presos. Foi a primeira noite que passei em branco. Só saíram depois da meia-noite e o Zé pôs-me às cavalitas. Gritavam: "Presos cá p'ra fora, pides lá p'ra dentro."
Catarina Portas

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Da portabilidade dos afectos

Agora em formato caseiro, a nova máquina de furos da Regina fica lindamente entre as preciosidades da loja do Chiado. Por apenas €19.90, igualmente apetitosa mas mais maneirinha, leva-se debaixo do braço e faz as delícias dos gulosos de todas as idades, para desfrute da família inteira. E sim, a quem nos tem perguntado, já vem com os chocolates todos, um para cada furo e 20 no total, a provar que também há jogos de sorte e... sorte.



Mãos cheias de chocolate

"O carrocel, a montanha russa e o comboio fantasma faziam parte da tradição da visita à Feira Popular. Para terminar, uns furinhos na caixa da Regina e as mãos cheias de chocolates (uma espécie de rifas dos chocolates que davam sempre prémios, nunca ninguém perdia). Perdeu-se a Feira mais popular de Lisboa, mas não se perderam as memórias da Regina.

A marca acaba de lançar uma embalagem para levar para casa, com 20 furos e igual número de chocolates. Composta por sete bolas verdes, cinco vermelhas e o mesmo número de amarelas, uma azul e uma prateada, correspondem-lhes Tabletes de aromas de fruta, Regina Classic, Sombrinhas, Coma com Pão e Tablete de chocolate de leite. E a mais valiosa, uma bola dourada, que premeia o feliz contemplado com uma embalagem de Frutos do Mar.

A caixa já está à venda em supermercados e mercearias e promete fazer reavivar memórias e surpreender os mais jovens nos lares portugueses."

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Encher o cesto

“Por aqui reinam artigos verdadeiramente portugueses”: a nossa loja do Intendente é um dos cinco locais que a apresentadora de culinária Filipa Gomes escolhe para encher o cesto de compras. Na edição de Outubro da revista UP.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

"In Porto, a Men’s Wear Scene Blossoms"

“I think Porto always had a strong aesthetic identity,” says Jose Miguel de Abreu, a native of Portugal’s second-largest city and one of the founders of the local clothing brand La Paz, which he launched in 2012. “Since I was a young kid, I’ve always noticed a tendency for people to dress up and try different things around here.” Now, a spate of new labels — many in the men’s wear realm — is springing up across the region. And as the fashion industry grows increasingly aware of the value of local production, Porto is well-positioned for a resurgence, thanks to northern Portugal’s extensive network of textile and leather factories.

Until recently, these resources were utilized mostly by larger international companies. “Ninety percent of the production is to export,” says the Savile Row–trained, Porto-based tailor Ayres Gonçalo. His own business takes a more hands-on approach: In his downtown Porto atelier, which is opened every day by his grandfather, clients are given the royal treatment as they get fitted for suits and shirts made of Italian and English fabrics. Other local lines target a global audience. For La Paz — which sells to boutiques like Personnel of New York in the West Village and Mohawk General Store in Los Angeles — de Abreu and his business partner André Bastos Teixeira collaborate with seasoned masters in San Tirso, Guimarães and Barcelos to make their colorblocked wool sweaters, heavy-duty hooded raincoats and soft cotton T-shirts.

Portugal is also known for its leather manufacturing; Versace and Isabel Marant have moved their leather production here, and the country’s shoemaking industry is the second most expensive in the world behind Italy’s. Lately, some homegrown upstarts have entered the fray. Senhor Prudêncio, designed by João Pedro Filipe, is a new line of cutting-edge shoes, bags, and gloves boasting eye-catching shapes and prints. Another designer, Hugo Costa, has created — among a collection that includes ready-to-wear and futuristic-looking sneakers — a standout three-compartment leather backpack. And the two-year-old brand Ideal & Co offers vegetable-tanned accessories for just about any purpose, from wine holders to messenger bags to mouse pads — all of it made in Portugal. The project is the evolution of its co-founder Rute Vieira’s family business: Her grandfather sold and bought Portuguese leather back in the ’30s. According to Vieira, who designs Ideal & Co alongside her partner Jose Lima, the line reflects “Portuguese culture — and the richness of our natural resources.

Chadner Navarro

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

São muitos anos a embrulhar sabonetes

Os sabonetes da Confiança continuam a ser embrulhados manual e primorosamente, como veio mostrar uma das suas funcionárias à nossa loja do Porto, este sábado. A perfumar os portugueses desde 1894, a fábrica de Braga comemora os 120 anos e continua a apostar na força dos valores de sempre.

"Voltou a cheirar a sabonetes dentro da velha fábrica Confiança"

"Braga celebrou 120.º aniversário da empresa abrindo ao público o histórico edifício que a acolheu no centro da cidade até há 12 anos. A autarquia, que comprou o espaço há dois anos, ainda procura financiamento para o reabilitar.

Há um gesto que se repete: levar o pequeno sabonete ao nariz para sentir o aroma a alfazema. Dezenas de pessoas fazem-no inconscientemente assim que recolhem a oferta da saboaria Confiança à chegada à sua antiga fábrica, em Braga. No velho edifício, encerrado há 12 anos, voltou a sentir-se o cheiro dos sabonetes que, durante um século, saíram dali para todos os pontos do país.
O perfume que anda no ar contrasta com o cenário que se contempla: os azulejos da entrada estão a cair, não há nem um vidro nas janelas e as escadas de pedra estão picadas, como se fossem feitas de madeira e estivessem carcomidas. “É um bocadinho triste ver isto assim”, confessa Teresa Pereira. Começou a trabalhar na Confiança em 1973 e hoje ainda é funcionária da empresa, que passou para um parque industrial nos arredores da cidade em 2002. “Já os meus [familiares] aqui trabalhavam”, conta.
Ainda sabe de cor o que funcionava em cada um dos espaços: os grandes cilindros que sobrevivem à ferrugem que neles se instalou acolhiam a massa dos sabonetes e as paredes de madeira do segundo piso protegiam a sala da tipografia da empresa, por exemplo. Isto, apesar de, desde que a fábrica no centro de Braga fechou, nunca mais aqui ter entrado. É por isso que, apesar da mágoa com que vê o estado de degradação do edifício, consegue encontrar “alguma felicidade” neste regresso.
Como Teresa, algumas dezenas de ex-funcionários aproveitaram o facto de a Câmara de Braga ter aberto a velha fábrica Confiança ao público neste fim-de-semana, a assinalar os 120 anos da sua fundação, para voltar àquele lugar. A firma foi criada em 12 de Outubro de 1894 e designava-se se então Silva Almeida & Ca. A iniciativa foi de Rosalvo da Silva Almeida, filho de bracarenses, mas nascido no Rio de Janeiro, que tinha 21 anos, e do seu cunhado, cinco anos mais velho, Manuel Santos Pereira.
Nessa primeira fase, a Confiança funcionava numa pequena oficina, no mesmo local do edifício que este fim-de-semana foi aberto ao público, uma construção inaugurada em 1921. Desde o seu início, a empresa começou a produzir sabões, sabonetes e perfumes que chegaram a todo o país. A firma chegou a ter 150 marcas diferentes. Na década de 1920, as 8000 caixas de sabonetes produzidas por mês representavam metade do consumo do país.
 “O nome de Braga chegou a todo o lado”, conta o designer e investigador Nuno Coelho, que dedicou a última década a estudar o material gráfico da empresa, o que deu origem à sua tese de doutoramento. “Os rótulos tinham quase sempre o nome da cidade”, acrescenta. Das mais de 1000 embalagens de produtos da Confiança por si recolhidas, apenas cerca de 20 não tinham “Braga” impresso.
Estes foram alguns dos pormenores do seu trabalho que Coelho contou a uma plateia de cerca de uma centena de pessoas, constituída sobretudo por familiares dos fundadores e antigos e actuais funcionários da Confiança, numa conferência que, na sexta-feira, iniciou o programa com que Braga assinalou os 120 anos de uma empresa marcante na sua história.
A fábrica pertence, desde 2012, ao município – custou 3,5 milhões de euros, num negócio polémico, que começou por ser uma expropriação e acabou em acordo com os proprietários. Nessa altura, foi lançado um concurso de ideias para decidir o destino a dar ao equipamento. Entre as 77 propostas apresentadas, foram selecionadas quatro, determinando que ali há espaço para acolher um pouco de tudo: de um hostel a uma incubadora de empresas de base tecnológica – aproveitando a proximidade da Universidade do Minho e do Instituto Ibérico de Nanotecnologia –, um centro de Ciência Viva e espaços de comércio de restauração. Além disso, a autarquia exigiu a instalação de um núcleo museológico dedicado à produção de sabonetes e perfumes naquele espaço. Recentemente, o presidente da Câmara, Ricardo Rio, prometeu também instalar ali a sede da Associação Académica da Universidade do Minho. O projecto está, no entanto, parado por falta de financiamento e deverá ser candidatado a fundos do próximo quadro comunitário de apoio, para viabilizar a reabilitação do espaço industrial."

Samuel Silva, Público