segunda-feira, 18 de maio de 2015

À moda de Gutenberg

Quando Johannes Gutenberg criou o tipo mecânico móvel, por volta de 1440, não imaginava por certo que estava a dar início à era da impressão e à sociedade de informação dos tempos modernos. A partir daí, o mundo até pareceu girar mais depressa e o desenvolvimento da tecnologia acompanhou-lhe o ritmo, com invenções cada vez mais aparatosas. Mas, no século de todas as tecnologias que é o nosso, ainda há uns poucos de bravos a usar aquela técnica original, que pode parecer obsoleta mas continua a produzir os mais preciosos e únicos trabalhos impressos.
Entre esses resistentes, encontra-se a dupla de designers das EdiçõesSerrote, Nuno Neves e Susana Vilela, que cunhou uma imagem muito própria, recriando temas profundamente ligados à cultura portuguesa (pegando em símbolos mais concretos, da toalha de mesa ao sabão azul e branco ou aos amores imortais como os que temos pela praia ou pelo futebol), com reviravoltas engraçadas e inesperadas.
Exemplares são os cadernos de edições esmeradas, limitadas e numeradas (como o especial e exclusivo concebido para a marca d’ A Vida Portuguesa), impressos numa antiga máquina Heidelberg. E que, de uma pequena oficina tipográfica em Sintra, acabam a correr mundo: um deles já chegou mesmo ao Pólo Norte.

Feito à mão

“A impressão do nosso novo caderno foi incluída no livro Made by Hand, editado pela Black Dog Publishing. A publicação é dedicada a projectos e a pessoas que continuam a produzir com técnicas tradicionais. Sapateiros, alfaiates, vidreiros, lutiers e tipógrafos, entre outros, contam as suas experiências profissionais, o que os influencia e porque gostam do que fazem.” Serrote

"Cadernos e livros impressos à moda de Gutenberg"

"Na Edições Serrote há cadernos sabão azul e branco, toalhas de mesa, livros que revelam a visão que os estrangeiros, em séculos passados, guardavam de Portugal. Tudo feito com os preceitos da tipografia inventada por Gutenberg no século XV. Nuno Neves e Susana Vilela inspiram-se na actualidade e com os carimbos centenários dão vida a cadernos de edição limitada.

O sabão azul e branco faz parte do imaginário nacional. Durante anos foi o produto de limpeza preferido das donas de casa. O Caderno Sabão Azul e Branco não lava a roupa, embora como diz o adágio popular «lava os olhos». As páginas, de padrão igual ao dito sabão, estão prontas para receber palavras inspiradas. Este é apenas um dos cadernos da Edições Serrote. 



Nuno Neves e Susana Vilela iniciaram o projecto em 2004 com a procura de «oficinas tipográficas em Lisboa com o objectivo de produzir um caderno que fosse impresso em tipografia antiga, com caracteres móveis, à maneira de Gutenberg, o alemão que no século XV desenvolveu tipos móveis em metal, uma técnica que permanece ainda hoje em tipografias mais antigas», explica Nuno.



Muitas das tipografias tradicionais fecharam portas. Uma houve que aceitou o desafio do professor de desenho e da designer gráfica. «No fundo de gavetas comidas pelo bicho encontrámos gravuras e letras de chumbo mordidas e gastas pelo tempo, que eram utilizadas desde há décadas para imprimir facturas e cartões-de-visita», relembra Nuno que, entretanto, deixou o ensino e se dedica em exclusivo à Serrote.


O primeiro caderno nasceu nos primeiros dias de Janeiro de 2005. Trata-se de um exemplar liso, de miolo azul, com a capa impressa a duas cores. Nuno e Susana ficaram com muitos carimbos que as tipografias ao fecharem iam rejeitar e com eles tentam passar para os cadernos as ideias que surgem. «As ideias chegam de todos os lados, do nosso dia-a-dia, das pessoas com que nos cruzamos. Tentamos conciliar o moderno com o mais antigo», diz.



Nos carimbos há animais, estrelas, flores. «Estamos limitados às gravuras e tipo de letras mas isso dá-nos vontade de ser mais criativos para fazermos coisas diferentes com o que temos», adianta Nuno Neves.



Ao primogénito caderno liso, juntaram-se outros, quase todos com apontamentos muito nacionais, como o sabão azul e branco, a toalha de mesa, estrelado, bolacha. Criar com estes símbolos é o principal desafio da empresa. Mas há outros. O mais recente prende-se com a impressão. Nuno revela que decidiram adquirir uma máquina de impressão e, nesse momento, a aventura Serrote conhece então novos traços.



«Trabalhávamos com tipografias antigas que têm fechado. Desde que temos a máquina o desafio é imprimir, porque antes só assistíamos à impressão e agora temos mesmo de a fazer e resolver problemas da máquina», diz Nuno com um sorriso, revelando paixão e dedicação por uma ideia que diz «dá para um pessoa viver disto, embora duas pessoas não consigam subsistir só com este negócio. As vendas ainda são poucas».



Os projectos, a impressão e o dobrar dos cadernos é tarefa que cabe a Nuno e Susana. Actualmente, «agrafar os cadernos ainda é feito numa gráfica». Um trabalho manual que torna cada caderno único, uma autentica peça de colecção até porque as edições são limitadas.



A Serrote tem também uma colecção de livros cujos autores continuam a ser Nuno e Susana. Em «Portugal a Cores» fazem uma compilação de excertos de relatos de estrangeiros de visita a Portugal nos séculos XVIII e XIX; em «Trás-os-Montes» falam da terra por detrás dos montes do Marão, Alvão, Cabreira e Gerês e para lá do rio Douro das suas fragas, burros e sardões; torques, chouriças e leirões; lobos, recos e berrões.



Um dicionário de francês, um sobre o Minho e um romanceiro tradicional são outros títulos dos livros Serrote, a editora que tem ainda um caixote com misturas improváveis. «O Caixote Serrote foi pensado e concebido para ser desfrutado ao ar livre, sob um céu azul ou um céu estrelado», afiança Nuno.



Dentro do caixote, uma caixa de pinho gravada a quente, pregada, com tampa, há um caderno sabão azul e branco, fio de balcão, emblemas bordados, um par de meias bicolor e outros tantos produtos (no total dez) «produzidos especialmente para este projecto pelas publicações Serrote ou em colaboração com outros fabricantes portugueses».



De ideia em ideia, vendendo e aplicando o dinheiro em novos projectos, Nuno e Susana comemoram já dez anos de Serrote. Na loja on-line, em lojas nacionais e também lá fora distribuem os seus cadernos, livros e caixotes que povoam o imaginário de memórias de infância pela puerilidade de cada desenho. "

Sara Pelicano

Café Portugal 

E a loja mais bonita do Porto é...

"Muy cerca de la librería (Lello), está la tienda más bonita de la cuidad, A Vida Portuguesa. Lugar perfecto para comprar todo tipo de productos portugueses: moda, diseño, menaje, téxtil… Un sueño de tienda; sus dueños se recorren Portugal, de norte a sur, para conseguir los productos más bellos del país." A loja do Porto entre as 11 propostas de Tensi Sanchéz a não perder na vibrante cidade invicta.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

A veritable treasure trove

“The first store was in Lisbon, but ‘The Portuguese Life’ has been a big hit in Porto, too. Housed in a former textile showroom, it sells products from vintage Portuguese brands that are still going - in some cases largely thanks to this retailer. They range from soaps, olive oils and chocolates to toys and blankets. Rua Galeria de Paris 20 (22 202 2105 /www.avidaportuguesa.com). Open 10am-8pm Mon-Sat.”

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Veneza no Intendente

Se um dia alguém se lembrou de meter o Rossio na Rua da Betesga, também nós havíamos de conseguir enfiar Veneza no Largo do Intendente. Foi o que fizemos, com este distinto serviço, “Venezia” de seu nome, agora a preços especiais de promoção, como as restantes linhas da Vista Alegre. Para que possa meter Veneza também em sua casa.

A alegria da cerâmica

Eduardo, Frederico e Guilherme até podem ter trazido para Portugal a prática do “foot-ball”, em 1886, mas quem interessa para esta história é o seu bisavô. Ou não tivesse José Ferreira Pinto Basto, figura liberal proeminente do país, fundado na antiga Capela da Vista Alegre, em 1824, a primeira unidade industrial dedicada à produção da porcelana. Mesmo sem saber dos abundantes jazigos de caulino (uma das componentes da pasta da cerâmica, com o quartzo e o feldspato) de Ílhavo, achados em 1832, e que tanto fizeram pela expansão da produção, assente inicialmente no “pó de pedra”. Presente nos lares modestos em ocasiões festivas, como em casas reais e presidenciais do mundo inteiro (qual insígnia portuguesa), foi marcando presença também no mercado da arte e continua a apostar nas colaborações com artistas contemporâneos. A fábrica faz hoje parte do maior grupo nacional e sexto maior mundial no sector de produtos de mesa, que dá pelo nome de Vista Alegre Atlantis.