quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Andorinhas para Colar

Ruben Alves, o realizador de "A Gaiola Dourada", fotografado por Orlando Almeida com as Andorinhas para Colar d' A Vida Portuguesa. E saiu hoje no DN.

As Andorinhas para Colar são a actualização contemporânea de uma tradição popular. Colam-se (e descolam-se) com agilidade, em paredes interiores ou exteriores e vidros, e estão disponíveis em vários tamanhos, permitindo composições ao gosto e à mercê da imaginação de cada um.

Arquivo da Memória

"Nasceu em Foz Côa e começou por ser uma boa ideia para aliviar a solidão dos idosos internados em lares do concelho. Hoje é já um importante repositório de informação histórica e etnográfica. Chama-se Arquivo da Memória. (...)
Concebido pela Acôa a partir de uma ideia original da sua actual presidente, Alexandra Cerveira Lima, ex-directora do Parque e Museu do Côa, o projecto foi apoiado em 2010 pelo programa Entre Gerações, da Fundação Gulbenkian, e incluiu, nessa sua primeira fase, uma parceria com a escola secundária de Foz Côa, cujos alunos fizeram várias visitas a um lar local e ouviram os mais velhos descrever-lhes o estranho mundo da sua juventude, quando os rapazes dormiam em palheiros, não havia quartos de banho em casa, só se comia carne em ocasiões especiais, e namorar uma rapariga era o cabo dos trabalhos.

O objectivo inicial era tornar um pouco mais interessante a vida dos idosos internados em lares, recolhendo os seus testemunhos de vida e associando-os a um projecto que visava sensibilizar velhos e novos para a importância do património cultural e da história das comunidades locais. “A entrada no lar é difícil, mas depois os alunos achavam que afinal estavam muito bem com aquelas pessoas mais velhas, a ouvir histórias”, conta Alexandra Lima, acrescentando que também os entrevistados, quando lhes era mostrado o material e pedida autorização para o divulgar, reagiam positivamente: “as pessoas sentem que estão a deixar o seu retrato e vêem isto como um legado à família, uma coisa para mostrar aos netos”.

Texto de Luís Miguel Queiroz
Fotografias de Paulo Pimenta
Remontando à antiguidade, o pião é um jogo infantil antiquíssimo em Portugal. O pião de madeira deve ser envolvido com um baraço (o cordão) e então atirado ao chão, ficando a rodar e a bailar o mais longo tempo possível.
Os piões escolhidos por A Vida Portuguesa são fabricados artesanalmente na região de Barcelos, no norte de Portugal.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

"O último alfaiate do Chiado"

"Fomos conhecer a Alfaiataria Piccadilly, em Lisboa, de onde saem fatos por medida que custam milhares de euros. Esta é a história de João Ribeiro, um dos derradeiros resistentes de um ofício em vias de extinção.

A mulher está sentada num banco de madeira junto à janela do edifício no primeiro andar da Rua Anchieta, bem no coração do Chiado, em Lisboa. Curvada para a frente e com os óculos a escorregar-lhe para a ponta do nariz, pega numa linha, enfia na agulha e começa a coser, em gestos elegantes e treinados, a manga de um fato. O tecido que ela segura com os dedos curtos e roliços é o que realmente importa, mas os olhos do repórter fogem para o acessório. Estampadas na camisola da costureira estão duas palavras que são a antítese perfeita deste espaço: Zara Woman. É que as peças que daqui saem são para cavalheiros distintos, dispostos a pagar entre 1200 e mais de 5000 euros por um fato. Nem vestígio do pronto a vestir quase instantâneo e a preço de saldo do gigante espanhol da fast fashion. Contra um bom fato, não há argumentos.

Por lá andou, por exemplo, Aquilino Ribeiro, conhecido por ter os bolsos sempre deformados devido ao excesso de coisas que neles enfiava

João Ribeiro, 65 anos, é o mestre da Alfaiataria Piccadilly, que quase parece saída da londrina Savile Row, meca dos fatos por medida. A casa tem quase um século de história. Por lá andou, por exemplo, Aquilino Ribeiro, conhecido por ter os bolsos sempre deformados devido ao excesso de coisas que neles enfiava. Mas se não fosse este alfaiate, natural de uma pequena aldeia alentejana, a Piccadilly já teria desaparecido. Há três anos, quando as anteriores instalações, num primeiro andar da Rua de São Nicolau, ali bem perto, foram ocupadas por uma loja de uma cadeia de sanduíches, foi ele que resgatou a histórica casa da morte certa.

Tinha 11 anos quando começou, mas não foi uma escolha. “Naquela época não se escolhia”. Em Benavila, no concelho de Avis, fazia-se a quarta classe e depois ia-se trabalhar

Com mais de meio século de carreira, Ribeiro sabe bem que o ofício de um alfaiate é uma contradição nestes tempos do consumo rápido. Leva uma vida inteira dedicada a tornar os outros mais elegantes com fatos de fino corte. Tinha 11 anos quando começou, mas não foi uma escolha. “Naquela época não se escolhia”, conta ao Expresso, momentos antes de ser interrompido por um jovem advogado que veio experimentar um fato. Em Benavila, no concelho de Avis, fazia-se a quarta classe e depois ia-se trabalhar. Como ele tinha um tio que era alfaiate na vila, foi aprender com ele. “Não era algo que pensasse ser, mas experimentei e fui gostando.” Até hoje.

Quando voltou da guerra, 26 meses em Angola, ainda pensou dedicar-se a outra vida, mas depois apaixonou-se. Em menos de nada, estava casado. “Passei a ter outras responsabilidades. Já não podia pensar só em mim”, justifica-se.

João Ribeiro, 65 anos, faz fatos por medida há mais de 50. Vestiu Mário Soares quando este esteve na Presidência. O atual secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, também é cliente.
Chegara a Lisboa com 15 anos, à procura de uma vida melhor. Era isso ou França. No interior, a vida não era fácil. Esteve quase três décadas na Alfaiataria David, uma das mais conceituadas da capital, praticamente até esta fechar as portas. Depois, em 1992, lançou-se por conta própria, adquirindo outra casa histórica, a Loureiro e Nogueira, fundada nos idos de 1930. Quando comprou a Piccadilly, já quase todas as alfaiatarias da Baixa tinham fechado. No Chiado, só resta ele.

Em Lisboa, haverá outra meia dúzia de alfaiates, não mais. Ele é um dos mais novos. “Qualquer dia já não tem alfaiates para entrevistar”, diz, com um sorriso de criança, a tentar sacudir o desânimo. Depois, o rosto fecha-se, torna-se sério. “Não vejo futuro para esta profissão. Não aparece gente nova que queira seguir este ofício. É muito triste.”

Texto Nelson Marques
Fotografias José Carlos Carvalho

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

"O sabor da nostalgia"

Catarina abriu as portas da loja do Intendente à revista culinária suíça Saisonküche. “Tudo começou em 2004 com 1.000 euros de capital de arranque e uma boa ideia. Ela procurou, por Portugal inteiro, produtos tradicionais com embalagens originais - conservas de peixe, sabonetes do tempo das avós e brinquedos de antigamente.” Hoje em dia “há farinhas e café em pacotes antigos, sal do mar Atlântico em sacos de pano, xaropes há muito esquecidos e utensílios de cozinha nostálgicos.” Mas a jornalista Patricia Engelhorn ficou particularmente surpreendida - e deliciada - com o Queijo de Figo, "feito com figos prensados, cacau, frutas vermelhas, amêndoas, canela e limão", que definiu como “viciante”. "Todos aqueles que não vivem em Portugal podem comprar belas lembranças culinárias para levar para casa”.






quinta-feira, 6 de agosto de 2015

"Vintage brands and local wares"

“Not long ago, most Lisboans steered clear of this former red-light-district north of Martim Moniz square. But redevelopment has brought in artists and artisans and Joana Vasconcelos’s Kit Garden, a sculpture that now sits in the heart of the neighborhood. Behind the dazzling façade of a former tile warehouse, an outpost of A Vida Portuguesa carries vintage brands and local wares: hand-wrapped tins of Tricana tuna, Ach Brito soaps, hats from the Azores. On sunny days, locals pack the esplanade tables outside O das Joana for Mediterranean dishes like béchamel-smothered cod, then head to the 19th-century town house Casa Independente, which hosts screening and concerts on its patio.”
Travel + Leisure 
México

terça-feira, 4 de agosto de 2015

“Shop ’til you drop in downtown Porto"

"Shopping in downtown Porto is authentic and original. You’ll feel like stepping back in time as you browse through creative yet somewhat vintage boutiques selling items you wouldn’t find anywhere else. Check out: A Vida Portuguesa (one of the most original stores in the country,) Pérola do Bolhão (a traditional grocery store,) Lobo Taste (a contemporary concept store) and Arcadia (for delicious chocolates!)” Galeria de Paris 20, 4050-182 Porto, Portugal

Wendy Hung, Jetset Times

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Entrevista à Antena 1 Açores

"Aprendiz de chapeleira, trabalhou em rádio, jornais, revistas, livros, documentários e agora tem a sua vida inteiramente devotada à Vida Portuguesa. Espero que nos Açores esteja a conseguir fazer aquilo que mais falta lhe faz: descansar. É a Catarina Portas, está de saltos altos hoje à noite. 

Olá Catarina, os Açores estão a conseguir trazer-lhe esse bálsamo?
Olá, muito boa noite. Bom, eu vim trabalhar (risos). Mas trabalhar desta forma é uma coisa muito prazerosa, de facto. É muito, muito bom, primeiro porque adoro esta ilha, gosto muito dos Açores e estou a fazer aquilo de que mais gosto nesta vida, portanto, é um prazer (risos).

A Catarina tem estado durante toda esta semana naquela zona de chá da Gorreana, a trabalhar com o Serrote e há um projecto de uma nova embalagem mas com certeza outros a que a Catarina quer dar corpo.
Eu vim porque há dois Nunos que estão aqui a trabalhar - o Nuno Coelho e o Nuno Neves, da Serrote - com quem eu trabalho já há muitos anos e de quem sou amiga. Eles vinham e às tantas era uma boa altura para vir também. Eu tinha também muita vontade de vir, já tinha estado na Gorreana, há três anos atrás. Eu tenho também um negócio de quiosques e acessória a esse negócio de quiosques uma linha de xaropes para fazer refresco e nós lançámos há dois anos um frasco de xarope de chá verde Gorreana. E nessa altura estive cá mas vim a correr e agora finalmente vim com tempo, acrescentei um outro cúmplice a esta aventura, o Sebastian Filgueiras, que tem uma loja de chá em Lisboa, é um argentino que vive há muitos anos em Lisboa e portanto viemos todos e passámos a semana quase toda na Gorreana, onde preparámos dois lotes especiais, de chá Oolong e de chá Puchong, que já não se fazia há mais de dez anos na Gorreana, segundo nos informaram, e sabe-se lá o que virá depois mas foi muito interessante - eu adoro fábricas (risos)!

Está subjacente toda esta paixão que a Catarina descobriu e que agora é tão marcante na sua vida, a recuperação de produtos e de marcas antigas. Tudo começou por aí, por um trabalho, por uma tese e a necessidade de se auto-financiar.
Foi, eu na altura queria fazer documentários, andava a tentar angariar apoio financeiro para fazer documentários, sempre à espera dos concursos, aquelas coisas e portanto estava um bocadinho solta na vida, comecei às tantas a pensar também num livro que tinha a ver com a vida quotidiana em Portugal no século XX e de repente comecei a pesquisar e comecei a perceber que não só nós tínhamos ainda muitos produtos com as embalagens antigas mas também que esse produtos estavam a desaparecer muito rapidamente. Por várias razões, uma delas também tem a ver com o auge da grande distribuição em Portugal, são marcas algumas delas mais pequenas que não entraram na grande distribuição. O comércio local, como nós sabemos, também teve uma tendência grande, que ainda não estancou mas está a melhorar, tinha vindo a diminuir e muitos destes produtos também estavam a ter pouco mercado. E a minha ideia foi apresentar estes produtos, bom, primeiro experimentá-los, seleccioná-los e depois apresentá-los a uma nova geração. Porquê? Porque havia, de facto, e há produtos muito bons e muitas vezes desconhecidos. Eu acho que nós, portugueses, hoje em dia as coisas mudaram um bocadinho, mas nós também estávamos, também é normal, nós tivemos durante muitos anos um mercado bastante fechado ao exterior e, de repente, a partir dos anos 80 começaram a chegar muitas marcas estrangeiras, houve um deslumbre com isso, o que é absolutamente natural, mas esquecemo-nos um bocadinho das nossas próprias marcas. E não é uma questão de saudade, para mim, de todo, primeiro é uma questão de identidade e é uma questão também de racionalidade económica. Porque se nós consumirmos produtos que são feitos em Portugal, nós estamos a pagar salários em Portugal. Eu acho que organizarmo-nos localmente é uma boa forma de enfrentarmos o global. O global, a homogeneização, nós não queremos ser todos iguais. Nós queremos ter acesso a muitas outras coisas mas não queremos ficar todos iguais. E portanto também acho que temos que proteger as nossas coisas e pensar de facto qual é o nosso chão. E há imensas coisas que nós às vezes, eu acho que os portugueses têm bastante auto-estima no que respeita a futebol e a gastronomia mas às vezes não têm muita auto-estima no resto. Mas acho que deviam ter. Nós vivemos num belíssimo país, claro que tem os seus problemas, como todos os países têm, mas é um belíssimo país, onde há gente que trabalha muitíssimo bem. Acho que isso hoje, aliás, é mais reconhecido do que era quando eu comecei, tanto dentro como fora. E portanto, eu comecei a pesquisar sobre os produtos, que também é uma outra forma de contar a história de um povo, a história do seu consumo, as suas manias…

A progressão da imagem…
Também, toda a parte do design gráfico, que é muito interessante. E depois por outro lado há estas empresas pelas quais eu tenho uma grande admiração, estas empresas valentes, algumas aguentaram cem anos, 120 anos, passaram as guerras, passaram tanta coisa, passaram sucessões na liderança das empresas, é incrível esse saber fazer! E outra coisa que eu pensei na altura que era interessante, que o nosso atraso podia ser o nosso avanço. O que é que eu quero dizer com isto? O resto da Europa industrializou-se muito antes e muito mais do que nós, e nós tínhamos esta coisa um bocadinho atrasada, da manufactura. Sabemos fazer muitas coisas à mão em vez de termos máquinas a fazer por nós… Mas na verdade há um mercado hoje em dia muito mais interessante, muito mais curioso e muito mais atento, esse saber fazer, que é uma coisa que a Europa já perdeu e continua a perder.

Porque hoje em dia está tudo massificado…
Exactamente. E que hoje em dia é muitíssimo valorizado. E nós ainda, por causa desse atraso, temos muita gente que sabe fazer coisas com as suas mãos. E eu na altura, quando escolhi os primeiros produtos para A Vida Portuguesa, tinha três critérios: serem produtos que estavam no mercado pelo menos há mais de 30, 40 anos, terem uma embalagem que ainda era a original ou tinha alguma lembrança da original (porque eu queria retirar estes produtos da mercearia para os introduzir, com informação, nas lojas dos museus, nas lojas de design, para procurar esse outro público que eu achava que poderia gostar destes produtos) e que os produtos ainda tivessem alguma doses de manufactura na sua produção. Estes foram os três principais critérios. E pronto, hoje em dia temos quatro lojas e mais de 300 fornecedores. (risos) Foi um longo caminho.

Essa produção artesanal veio encontrá-la aqui na gráfica açoreana neste trabalho que está a ser desenvolvido pelos dois Nunos…
Exactamente. Porque a proposta deles era vir trabalhar com a tipografia micaelense, e fazer um workshop sobre a imagem gráfica da Gorreana ao longo do tempo. E portanto eu pensei que era interessante, já que eles iam pensar no invólucro, já agora pensar no conteúdo também, completá-lo. Não será no contexto do festival, mas o facto de o festival os ter trazido, no fundo o Walk&Talk lançou a ideia. E nós apanhámo-la, encontrámo-nos aqui, foi uma belíssima semana, muito intensa de troca, de conversa, de criação também, de reflexão… belíssimos dias."

Transcrição da primeira parte da entrevista de Elsa Soares para o programa Saltos Altos da Antena 1 Açores. Julho de 2015.