Jacques Villares esteve na loja do Porto, comprou ArtGraf da Viarco, que usou para retratar um aspecto da cidade de Faro e ainda teve a amabilidade de nos enviar dicas de utilização: “Adjunto una acuarela rápida hecha exclusivamente con el negro, el ocre y la pasta de la bolsa. Esta última mucho mas densa, para trabajar en negro sobre negro. He utilizado retardante (de W&N) en el agua, para jugar mas con la potencia del grafito durante más tiempo.
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Os caça-fantasmas luminosos
Designers de profissão, Rita Múrias e Paulo Barata não sabem andar por Lisboa sem ser de olhos bem abertos, a admirar e fotografar sinais, letreiros e néons, em toda a sua riqueza de variedade e colorido. Mas começaram a estranhar quando, na passagem seguinte, sem que muito tempo decorresse, encontravam uma fachada empobrecida ou um néon entre os escombros das obras. Começaram a salvar um ou outro, sempre com a devida autorização, nunca com finalidade lucrativa. Quando deram por eles, tinham transformado uma cave familiar em depósito de letreiros, a reunir estes “fantasmas” (a expressão é dos próprios) que também são testemunhas de outros tempos, de tantas lojas que fizeram a história de Lisboa. E começou a acender-se neles (e a isto nós chamamos "serviço público") a ideia de os reunir para a fruição geral.
Já estão a pensar numa exposição para 2016, em parceria com o departamento de cultura da Câmara Municipal de Lisboa, mas as vistas mais largas chegam até um futuro Museu do Letreiro, como já existe noutras cidades europeias. E que é uma forma de reunir todo um espólio que é património cultural e contribuir para a manutenção de uma memória gráfica. Juntar néons que, mais do que identificar um estabelecimento ou marcar uma época, contribuíam para aquecer uma rua ou um bairro. E que podem continuar a contribuir para aquecer a cidade.
E chegamos à parte em que você pode dar uma mãozinha e ajudar a recuperar o maior número de letreiros possível. Sempre que souber de um proprietário que queira desfazer-se dos seus, ou estiver a presenciar a ida de um deles para uma pilha de lixo, avise estes caça letreiros para o e-mail letreiro.galeria@gmail.com ou o número de telefone 918 723 055. Nas suas passeatas por Lisboa, mantenha os olhos bem abertos e lembre-se que pode ajudar a construir o Museu do Letreiro. Para que a história não se apague.
E chegamos à parte em que você pode dar uma mãozinha e ajudar a recuperar o maior número de letreiros possível. Sempre que souber de um proprietário que queira desfazer-se dos seus, ou estiver a presenciar a ida de um deles para uma pilha de lixo, avise estes caça letreiros para o e-mail letreiro.galeria@gmail.com ou o número de telefone 918 723 055. Nas suas passeatas por Lisboa, mantenha os olhos bem abertos e lembre-se que pode ajudar a construir o Museu do Letreiro. Para que a história não se apague.
Pode ver a apresentação do projecto aqui e a sua actuação no terreno aqui. E na comunicação social: TVI, SIC, jornal i, Observador.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Das mãos
“Margarida Melo Fernandes decora com a forma a cerâmica que desenha e coze e tem uma predileção por objectos utilitários de servir à mesa. Já colaborou com a “Kinfolk” e está à procura de criar “a chávena de café perfeita.”
Também já colaborou com A Vida Portuguesa. E é prova da beleza das coisas que saem das mãos das pessoas. As fotografias são de Mara Carvalho e do P3 de hoje.
Também já colaborou com A Vida Portuguesa. E é prova da beleza das coisas que saem das mãos das pessoas. As fotografias são de Mara Carvalho e do P3 de hoje.
Aparição
Hoje, 13 de Agosto, celebra-se mais uma aparição em Fátima. Mesmo que não faça parte dos seus planos massacrar os joelhos ou fazer-se à estrada peregrina, saiba que pode contribuir com uma aparição muito especial, onde quer que se encontre. Basta usar a Nossa Senhora ao peito, pertinho do coração como convém, e vê-la ganhar cor com a exposição solar. Tudo obra desta t-shirt desenvolvida por uma empresa portuguesa que se tem destacado na aplicação tecnológica ao vestuário para criar peças anti mosquito, bactérias, transpiração ou que, como esta, quase por magia, reagem à luz solar. Parece milagre mas é Manifesto Moda.
À venda n’ A Vida Portuguesa do Intendente, no número 23 do largo, todos os dias entre as 10h30 e as 19h30.
À venda n’ A Vida Portuguesa do Intendente, no número 23 do largo, todos os dias entre as 10h30 e as 19h30.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Andorinhas para Colar
Ruben Alves, o realizador de "A Gaiola Dourada", fotografado por Orlando Almeida com as Andorinhas para Colar d' A Vida Portuguesa. E saiu hoje no DN.
As Andorinhas para Colar são a actualização contemporânea de uma tradição popular. Colam-se (e descolam-se) com agilidade, em paredes interiores ou exteriores e vidros, e estão disponíveis em vários tamanhos, permitindo composições ao gosto e à mercê da imaginação de cada um.
Arquivo da Memória
"Nasceu em Foz Côa e começou por ser uma boa ideia para aliviar a solidão dos idosos internados em lares do concelho. Hoje é já um importante repositório de informação histórica e etnográfica. Chama-se Arquivo da Memória. (...)
Concebido pela Acôa a partir de uma ideia original da sua actual presidente, Alexandra Cerveira Lima, ex-directora do Parque e Museu do Côa, o projecto foi apoiado em 2010 pelo programa Entre Gerações, da Fundação Gulbenkian, e incluiu, nessa sua primeira fase, uma parceria com a escola secundária de Foz Côa, cujos alunos fizeram várias visitas a um lar local e ouviram os mais velhos descrever-lhes o estranho mundo da sua juventude, quando os rapazes dormiam em palheiros, não havia quartos de banho em casa, só se comia carne em ocasiões especiais, e namorar uma rapariga era o cabo dos trabalhos.
Concebido pela Acôa a partir de uma ideia original da sua actual presidente, Alexandra Cerveira Lima, ex-directora do Parque e Museu do Côa, o projecto foi apoiado em 2010 pelo programa Entre Gerações, da Fundação Gulbenkian, e incluiu, nessa sua primeira fase, uma parceria com a escola secundária de Foz Côa, cujos alunos fizeram várias visitas a um lar local e ouviram os mais velhos descrever-lhes o estranho mundo da sua juventude, quando os rapazes dormiam em palheiros, não havia quartos de banho em casa, só se comia carne em ocasiões especiais, e namorar uma rapariga era o cabo dos trabalhos.
O objectivo inicial era tornar um pouco mais interessante a vida dos idosos internados em lares, recolhendo os seus testemunhos de vida e associando-os a um projecto que visava sensibilizar velhos e novos para a importância do património cultural e da história das comunidades locais. “A entrada no lar é difícil, mas depois os alunos achavam que afinal estavam muito bem com aquelas pessoas mais velhas, a ouvir histórias”, conta Alexandra Lima, acrescentando que também os entrevistados, quando lhes era mostrado o material e pedida autorização para o divulgar, reagiam positivamente: “as pessoas sentem que estão a deixar o seu retrato e vêem isto como um legado à família, uma coisa para mostrar aos netos”.
Texto de Luís Miguel Queiroz
Fotografias de Paulo Pimenta
Remontando à antiguidade, o pião é um jogo infantil antiquíssimo em Portugal. O pião de madeira deve ser envolvido com um baraço (o cordão) e então atirado ao chão, ficando a rodar e a bailar o mais longo tempo possível.
Os piões escolhidos por A Vida Portuguesa são fabricados artesanalmente na região de Barcelos, no norte de Portugal.
terça-feira, 11 de agosto de 2015
"O último alfaiate do Chiado"
"Fomos conhecer a Alfaiataria Piccadilly, em Lisboa, de onde saem fatos por medida que custam milhares de euros. Esta é a história de João Ribeiro, um dos derradeiros resistentes de um ofício em vias de extinção.
A mulher está sentada num banco de madeira junto à janela do edifício no primeiro andar da Rua Anchieta, bem no coração do Chiado, em Lisboa. Curvada para a frente e com os óculos a escorregar-lhe para a ponta do nariz, pega numa linha, enfia na agulha e começa a coser, em gestos elegantes e treinados, a manga de um fato. O tecido que ela segura com os dedos curtos e roliços é o que realmente importa, mas os olhos do repórter fogem para o acessório. Estampadas na camisola da costureira estão duas palavras que são a antítese perfeita deste espaço: Zara Woman. É que as peças que daqui saem são para cavalheiros distintos, dispostos a pagar entre 1200 e mais de 5000 euros por um fato. Nem vestígio do pronto a vestir quase instantâneo e a preço de saldo do gigante espanhol da fast fashion. Contra um bom fato, não há argumentos.
A mulher está sentada num banco de madeira junto à janela do edifício no primeiro andar da Rua Anchieta, bem no coração do Chiado, em Lisboa. Curvada para a frente e com os óculos a escorregar-lhe para a ponta do nariz, pega numa linha, enfia na agulha e começa a coser, em gestos elegantes e treinados, a manga de um fato. O tecido que ela segura com os dedos curtos e roliços é o que realmente importa, mas os olhos do repórter fogem para o acessório. Estampadas na camisola da costureira estão duas palavras que são a antítese perfeita deste espaço: Zara Woman. É que as peças que daqui saem são para cavalheiros distintos, dispostos a pagar entre 1200 e mais de 5000 euros por um fato. Nem vestígio do pronto a vestir quase instantâneo e a preço de saldo do gigante espanhol da fast fashion. Contra um bom fato, não há argumentos.
Por lá andou, por exemplo, Aquilino Ribeiro, conhecido por ter os bolsos sempre deformados devido ao excesso de coisas que neles enfiava
João Ribeiro, 65 anos, é o mestre da Alfaiataria Piccadilly, que quase parece saída da londrina Savile Row, meca dos fatos por medida. A casa tem quase um século de história. Por lá andou, por exemplo, Aquilino Ribeiro, conhecido por ter os bolsos sempre deformados devido ao excesso de coisas que neles enfiava. Mas se não fosse este alfaiate, natural de uma pequena aldeia alentejana, a Piccadilly já teria desaparecido. Há três anos, quando as anteriores instalações, num primeiro andar da Rua de São Nicolau, ali bem perto, foram ocupadas por uma loja de uma cadeia de sanduíches, foi ele que resgatou a histórica casa da morte certa.
Tinha 11 anos quando começou, mas não foi uma escolha. “Naquela época não se escolhia”. Em Benavila, no concelho de Avis, fazia-se a quarta classe e depois ia-se trabalhar
Com mais de meio século de carreira, Ribeiro sabe bem que o ofício de um alfaiate é uma contradição nestes tempos do consumo rápido. Leva uma vida inteira dedicada a tornar os outros mais elegantes com fatos de fino corte. Tinha 11 anos quando começou, mas não foi uma escolha. “Naquela época não se escolhia”, conta ao Expresso, momentos antes de ser interrompido por um jovem advogado que veio experimentar um fato. Em Benavila, no concelho de Avis, fazia-se a quarta classe e depois ia-se trabalhar. Como ele tinha um tio que era alfaiate na vila, foi aprender com ele. “Não era algo que pensasse ser, mas experimentei e fui gostando.” Até hoje.
Quando voltou da guerra, 26 meses em Angola, ainda pensou dedicar-se a outra vida, mas depois apaixonou-se. Em menos de nada, estava casado. “Passei a ter outras responsabilidades. Já não podia pensar só em mim”, justifica-se.
João Ribeiro, 65 anos, faz fatos por medida há mais de 50. Vestiu Mário Soares quando este esteve na Presidência. O atual secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, também é cliente.
Chegara a Lisboa com 15 anos, à procura de uma vida melhor. Era isso ou França. No interior, a vida não era fácil. Esteve quase três décadas na Alfaiataria David, uma das mais conceituadas da capital, praticamente até esta fechar as portas. Depois, em 1992, lançou-se por conta própria, adquirindo outra casa histórica, a Loureiro e Nogueira, fundada nos idos de 1930. Quando comprou a Piccadilly, já quase todas as alfaiatarias da Baixa tinham fechado. No Chiado, só resta ele.
Em Lisboa, haverá outra meia dúzia de alfaiates, não mais. Ele é um dos mais novos. “Qualquer dia já não tem alfaiates para entrevistar”, diz, com um sorriso de criança, a tentar sacudir o desânimo. Depois, o rosto fecha-se, torna-se sério. “Não vejo futuro para esta profissão. Não aparece gente nova que queira seguir este ofício. É muito triste.”
Texto Nelson Marques
Fotografias José Carlos Carvalho
Fotografias José Carlos Carvalho
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