segunda-feira, 24 de agosto de 2015

"Salvar uma igreja com crowdfunding"

"Habituado às lides da comunicação, por ter trabalhado num jornal católico e sido assessor de imprensa do Patriarcado de Lisboa, Edgar Clara juntou diferentes grupos de pessoas em vários tipos de ações. Com a associação Renovar a Mouraria foi desenvolvida uma receita de biscoitos de cardamomo, à venda na igreja e na loja A Vida Portuguesa, o local onde foi feito o lançamento do projeto."
Carolina Reis, Expresso 



quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A cerâmica dá à costa

A inspiração tanto lhes pode vir das riscas pintadas nas casas de madeira da praia da Costa Nova, na Ria de Aveiro, como do desenho de um prato do século XVIII em exposição no Museu de Arte Antiga. Os engenheiros Miguel Casal e Rui Batel já tinham criado a Grestel em 1998 mas, depois de anos a fornecer louça em grés fino para as lojas chiques de Nova Iorque, perceberam que tinham em mãos a oportunidade, maior ainda, de estabelecer marca própria. 
Assim, em 2006, nascia a Costa Nova, já a pensar em diferentes e potenciais linhas. A massa do grés, desenvolvida a partir de argila de grão fino, diverge da de porcelana: absorve diferentes cores e assenta bem num estilo intemporal, entre o rústico e o sofisticado. Requer apenas monocozedura, poupando energia e reduzindo a emissão de gazes poluentes. Sendo mais durável e robusta, também pode ir à máquina de lavar loiça, ao microondas, ao forno e ao congelador. O resultado final já é exportado para mais de 40 países, está no National Geographic Café, é recomendado tanto pelo chef português José Avillez como pela guru internacional Martha Stewart… E está à venda n’ A Vida Portuguesa, com certeza.

Costa Nova na imprensa









quarta-feira, 19 de agosto de 2015

" O momento Marilyn de Lisboa"

© Fabio Seixo | Agência O Globo

"A crise, paradoxalmente, trouxe futuro; trouxe sangue novo e novas ideias. A cidade vive hoje um momento de invulgar vigor. No momento de crise e algum pânico que o Brasil vive, talvez seja útil olhar para o caso de Lisboa. Antes do gravíssimo surto de depressão que ainda sufoca Portugal e uma boa parte dos países europeus, a capital portuguesa era uma cidade bonita e com um passado glorioso, mas voltada quase inteiramente para esse passado, como uma estrela de cinema em plena decadência. A cidade sofria de uma deficiência de futuro, e isso explicava a melancolia elegante, mas um pouco opressiva, que pesava no ar.

A crise, paradoxalmente, trouxe futuro; trouxe sangue novo e novas ideias. A cidade vive hoje um momento de invulgar vigor. Jovens criativos vêm recuperando áreas antes degradadas para lançarem projetos irreverentes e inovadores. A queda dos preços do imobiliário e nova legislação mais favorável permitiram que empresários sem grande poder econômico conseguissem alugar espaços para a criação de bares e lojas alternativas.

O Largo do Chiado voltou a ser, como no século XIX, o coração pulsante da cidade. Sento-me por quinze minutos a uma das mesas, n’A Brasileira, e logo aparecem amigos, conhecidos, simples leitores, para dois dedos de conversa. É quase como estar em casa, mas sem o tédio de estar em casa. Mesmo ao lado, no Camões, há um quiosque do tempo de Eça de Queirós, que vende refrescos típicos da Lisboa daquela época, como a orchata (à base de leite de amêndoa) e o mazagran (limonada com café). A empresária que deu nova vida aos antigos quiosques lisboetas é também a proprietária da loja preferida por nove em cada dez turistas brasileiros, A Vida Portuguesa, que comercializa produtos vintage tipicamente lusitanos.

Para este ambiente contemporâneo e cosmopolita contribui o fato de Lisboa ter sabido acolher gente proveniente de todos os territórios do antigo império colonial. O Presidente da Câmara, António Costa, é filho de um escritor moçambicano de origem indiana. As duas maiores fadistas portuguesas, Mariza e Ana Moura, são mulatas, uma moçambicana e a outra angolana. A banda com mais reconhecimento internacional, os Buraca Som Sistema, toca kuduru, e é constituída por portugueses e angolanos. Há cada vez mais músicos e artistas plásticos a trocar Paris ou Londres por Lisboa.

A minha filha, Vera, que completou há pouco onze anos, gosta do Chiado, porque numa das passadeiras há uma grade de metrô para a saída de ar quente. Ela adora colocar-se em cima da grade, com a cabeleira a esvoaçar. Um dia viu um homem a insuflar sacos de plástico e a lançá-los aos céus a partir dali, e desde essa altura passou a insistir comigo para que fizéssemos o mesmo. No último domingo acordei-a de madrugada, muito cedo, e fomos para o Chiado. A cidade estava quase deserta. Havia três rapazes sentados no Largo de Camões, junto à estátua do poeta, como náufragos da noite. Um deles dormia, com a cabeça pousada nos joelhos. Os outros dois olhavam para nós, atordoados, enquanto a primeira luz da manhã inaugurava as calçadas. Trazíamos cinco sacos de diferentes cores. Três deles subiram muito alto. Dançavam no azul vibrante do céu, enquanto nós corríamos, ao longo das ruas tortas, para os recuperar. Vera disse-me, já em casa, que aquele fora um dos dias mais divertidos de toda a sua vida; da minha também.

Por vezes sentamo-nos os dois n’A Brasileira, voltados para a estátua de Camões, a assistir ao momento Marilyn das jovens turistas, vestidas com saias leves, apropriadas a este verão de calor intenso, as quais, inadvertidamente (ou não), com superior elegância (ou nem tanto), cruzam a grade. Há moças que vão de propósito ao Chiado para caminharem sobre a saída de ar quente, e se fazerem fotografar, segurando a saia, com um sorriso falsamente surpreendido.

Os melhores momentos das nossas vidas são quase sempre simples. A felicidade raramente chega de Ferrari. Pode chegar, sim, através de uma grade de metrô para a saída de ar quente.

Afinal de contas, Lisboa está, também ela, a viver o seu Momento Marilyn. Avança, ousada, provocadora, ainda, e sempre, menina e moça, mostrando o que tem de melhor, e o melhor que tem é a mistura entre a tradição e uma modernidade criativa e exuberante. A agenda cultural compete hoje com a de Paris, Berlim ou Barcelona, sobretudo no que respeita a música. As noites são uma festa. As ruas fervilham de gente.

“Lisboa é a nova Berlim” — diz-se, e é verdade, com a vantagem enorme de ser uma Berlim quase tropical."

José Eduardo Agualusa 
no Globo
© "O Pecado Mora ao Lado"

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O artesão autêntico

"Carlos Oliveira, de 63 anos, vive e trabalha há quase 40 na mesma casa, no Cercal do Alentejo. Entre cactos, trepadeiras e flores coloridas encontramos o seu ateliê recheado de almofadas, tapetes e malas. As mantas alentejanas, que os pastores usavam para se proteger do frio, são fonte de inspiração para as peças do tecelão que cruza a tradição com a modernidade.
Tudo acontece no tear que cabe na sala, à justa. Se as malas demoram três dias a fazer, uma peça maior, como um tapete, pode tardar até três meses a terminar, tal é a minúcia. Carlos vê-se cada vez mais aflito para dar resposta a todos os pedidos. “Devo ter uma obra em cada ponto do mundo”, conta. Tem muitos clientes na Europa mas também já vendeu para paragens tão distantes como Japão, Canadá, Estados Unidos e até para a Jordânia - a terra-mãe dos tapetes.
As peças em que agora trabalha são de azuis-claros e fortes, vermelhos e laranjas: as criações condizem sempre com as estações do ano, explica. Carlos trocou os ares da serra da Estrela pelos do Alentejo há quase 40 anos e não se arrepende. Nasceu entre as ovelhas e o queijo, foi serralheiro e trabalhou em grandes fábricas de Sines à Holanda, Inglaterra e Argélia mas a paixão foi desde cedo o artesanato.
As malas são o mais recente sucesso da marca que já chegou às lojas A Vida Portuguesa. Foi a companheira inglesa de há oito anos, Monica (a responsável pelas flores e pelos vários vasos que lhe rodeiam a casa), que o convenceu a apostar nas malas - que agora até há em duas versões, para mulher e para homem. Com preços que vão dos 95 aos 175 euros, têm diferentes cores e tamanhos, são cosidas com linha de remendar rede, têm pegas de cabedal e é muito difícil que ardam, por exemplo. Resumindo: são malas para a vida. Para comprar é visitar o site (em alentejoweaving.com), contactar por telefone ou então fazer uma visita à casa perdida no campo, para tardes de longas conversas.
Para conhecer Carlos e as suas peças, basta fazer-se à estrada em direcção ao Cercal e estar atento a pequenas placas de madeira. Ou então visitar o site da Associação de Turismo Casas brancas, que promove a costa alentejana e vicentina e ajuda a fazer a ponte entre os turistas e uma série de personagens e locais de interesse. Desde 2014 que apostam no conceito de Turismo Criativo para que a cultura, a natureza e o património tenham mais visibilidade e para que não escape nada a quem está de visita; principalmente o mais autêntico.”
Maria Espírito Santo
Sábado

Das coisas bonitas que os nossos clientes nos mandam


Jacques Villares esteve na loja do Porto, comprou ArtGraf da Viarco, que usou para retratar um aspecto da cidade de Faro e ainda teve a amabilidade de nos enviar dicas de utilização: “Adjunto una acuarela rápida hecha exclusivamente con el negro, el ocre y la pasta de la bolsa. Esta última mucho mas densa, para trabajar en negro sobre negro. He utilizado retardante (de W&N) en el agua, para jugar mas con la potencia del grafito durante más tiempo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Os caça-fantasmas luminosos

Designers de profissão, Rita Múrias e Paulo Barata não sabem andar por Lisboa sem ser de olhos bem abertos, a admirar e fotografar sinais, letreiros e néons, em toda a sua riqueza de variedade e colorido. Mas começaram a estranhar quando, na passagem seguinte, sem que muito tempo decorresse, encontravam uma fachada empobrecida ou um néon entre os escombros das obras. Começaram a salvar um ou outro, sempre com a devida autorização, nunca com finalidade lucrativa. Quando deram por eles, tinham transformado uma cave familiar em depósito de letreiros, a reunir estes “fantasmas” (a expressão é dos próprios) que também são testemunhas de outros tempos, de tantas lojas que fizeram a história de Lisboa. E começou a acender-se neles (e a isto nós chamamos "serviço público") a ideia de os reunir para a fruição geral.

Já estão a pensar numa exposição para 2016, em parceria com o departamento de cultura da Câmara Municipal de Lisboa, mas as vistas mais largas chegam até um futuro Museu do Letreiro, como já existe noutras cidades europeias. E que é uma forma de reunir todo um espólio que é património cultural e contribuir para a manutenção de uma memória gráfica. Juntar néons que, mais do que identificar um estabelecimento ou marcar uma época, contribuíam para aquecer uma rua ou um bairro. E que podem continuar a contribuir para aquecer a cidade.

E chegamos à parte em que você pode dar uma mãozinha e ajudar a recuperar o maior número de letreiros possível. Sempre que souber de um proprietário que queira desfazer-se dos seus, ou estiver a presenciar a ida de um deles para uma pilha de lixo, avise estes caça letreiros para o e-mail letreiro.galeria@gmail.com ou o número de telefone 918 723 055. Nas suas passeatas por Lisboa, mantenha os olhos bem abertos e lembre-se que pode ajudar a construir o Museu do Letreiro. Para que a história não se apague.


Pode ver a apresentação do projecto aqui e a sua actuação no terreno aqui. E na comunicação social: TVI, SIC, jornal i, Observador.