sexta-feira, 28 de agosto de 2015

"Sonham, podem e fazem"

"Portugal está na moda. E a culpa também é de Catarina Portas - mentora da Vida Portuguesa, que recuperou marcas e produtos nacionais antigos - e de Mário Ferreira - dono da empresa de cruzeiros Douro Azul e candidato a turista espacial. Uma conversa sobre negócios, turismo e risco para descobrir o que têm, afinal, em comum, um tubarão do Norte e uma intelectual de esquerda lisboeta."
“Não acho que haja exploração exagerada de Lisboa, atenção! Aquilo que eu digo é que se deve repensar, porque o turismo de hoje não é o mesmo de há 20 anos, é muito massificado. É uma coisa muito rápida e, portanto, eu acho que as câmaras municipais, os atores da cidade, têm de pensar e definir regras claras para as coisas, refletir em conjunto. Há lojas, de facto, muito especiais que, com o tempo, se tornaram ainda mais especiais. Mas, como temos estado a assistir, há hotéis atrás de hotéis que estão a fechar lojas centenárias e com valor, em Lisboa. Eu não estou a dizer que todas as lojas antigas têm de se salvar, mas as que têm qualidade devem ser cuidadas porque são emblemáticas. (…) Uma loja centenária no rés do chão de um hotel é uma mais-valia. (...)
Agora faço parte de um conselho consultivo da Câmara de Lisboa, para as lojas com história. Tenho esperança que saia daqui um caminho. Atenção, isto não é um problema nosso, é comum a todas as cidades, hoje em dia."
 “O meu problema com o modelo de turismo de hoje é as coisas tornarem-se todas iguais. Sou pela diferença, há espaço para toda a gente e para várias formas de fazer as coisas. Não tem nada a ver com saudosismo, mas sim com identidade, com quem somos e o que fomos. Faz-me impressão ver medalhões a fingir antigo, um pastel de nata, que foi inventado no outro dia, com uma inscrição a dizer que é de 1904, é tentarem enganar as pessoas. Não é preciso. Fizemos um produto novo, ótimo! Vamos afirmá-lo como novo.
Há lojas em Lisboa, daquelas que têm souvenirs portugueses feitos na Ásia (que há muitas!), onde se vende um souvenir que é um autocarro de dois andares, daqueles de levar turistas, iguais em dezenas de cidades e vendem-nos como se fossem típicos de Lisboa. Quando é o mesmo para não sei quantas cidades.”
“O meu negócio partiu de uma investigação sobre as marcas portuguesas. E com uma noção muito nítida de que esta história é benéfica para as marcas. É uma forma de contar a história de um povo, de um país. Consigo contá-la através de um rótulo de sabonete. É impressionante! Há sabonetes monárquicos, republicanos, sabonetes que têm a ver com o Estado Novo e depois há o sabonete Grândola Vila Morena. Também pensei as lojas como um sítio onde a pessoa pode começar a estudar um país.”

“O sucesso para mim não se mede em Ferraris ou Maseratis, nem sequer em milhões, apesar de já faturarmos em milhões - o que é bom porque nos permite concretizar outros projetos. Mas não é isso que me move. Tem muito mais a ver com o caminho que as ideias fazem. Eu tinha uma série de ideias há dez anos: achava que os portugueses deviam gostar dos seus produtos, que era possível ter lojas no centro histórico sem destruir tudo para fazer cubos brancos iguais a uma loja de um centro comercial, achava que os quiosques eram uma mais valia e não um trambolho e que davam charme à cidade, quis provar que a manufatura não era o nosso atraso - que o facto de termos uma indústria que ainda tem alguma manufatura é uma mais-valia. Havia uma série de ideias que eu queria ver fazer o seu caminho. Não serei responsável exclusiva, mas ajudei. E esta é a medida do meu sucesso.”

"E o seu sonho, Catarina?
Bem, penso que estou prestes a concretizá-lo: vou abrir o meu gabinete de design da Vida Portuguesa. Terei cá um casal de designers - um português e uma alemã , que estão a mudar-se de Berlim. Eles produziram um trabalho notável, com o artesanato algarvio. A ideia é fazer desenvolvimentos de produtos exclusivos para A Vida Portuguesa, trabalhar com as fábricas. Enfim, é uma extravagância, a liberdade de poder criar."
Texto: Sara Sá
Fotos: Gonçalo Rosa da Silva

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Elogios brasileiros

Depois de, na semana passada, José Eduardo Agualusa ter escrito no Globo que A Vida Portuguesa do Chiado é “a loja preferida por nove em cada dez turistas brasileiros”, o blogue “diária” do brasileiro Raffaele Asselta não hesita em descrever a do Intendente, “que se destaca pelo espaço físico” como “uma das mais belas lojas da cidade”.
"Portugal é um dos países que mais cultivam e respeitam sua cultura. Não é a toa que sua arquitetura, cozinha, cerâmicas e muitos outros são procurados e visitados por turistas do mundo todo. Até sua música, o Fado, é considerado um patrimônio imaterial da humanidade declarado pela Unesco.
Com essa paixão pela tradição, a jornalista portuguesa Catarina Portas pesquisou os tradicionais produtos portugueses e que mantiveram suas embalagens originais ou que fossem inspiradas nelas. Reuniu todos e em 2007 lançou a marca A Vida Portuguesa (desde sempre).
Sempre em edifícios históricos, suas lojas com decoração rústica oferecem cerâmicas, mantas, vinhos, sardinhas, chás, licores, cervejas, azeites, sais, geléias, utensílios de cozinha, azulejos, sabonetes, cremes, brinquedos entre muitas outras coisas.

Uma das mais belas lojas da cidade, a Intendente em Lisboa se destaca pelo espaço físico. São 500m2 no mesmo lugar onde um dia funcionou uma fábrica de cerâmicas (Fábrica da Viúva Lamego), e seus mais de 3mil itens estão dispostos em diversas salas. O tamanho permitiu também que a oferta de produtos fosse maior que suas outras lojas: produtos de maior escala estão disponíveis para a venda como banheiras e fogões a lenha.

É um lugar onde os portugueses encontram seus produtos tradicionais, e nós turistas podemos comprar todos os presentes. Uma casa Portuguesa, com certeza."

Onde: Largo do Intendente Pina Manique, 23 – Lisboa
Quando: Diariamente das 10h30 às 19h30

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Levar a peito as marcas antigas

A Archivo quer ser um "tributo às marcas com história, que pelo seu passado e presente, representam o melhor de Portugal". Em forma de t-shirts que contam a história e simbolizam a força de cada uma das imagens recuperadas (da Oliva à Gazcidla, passando pela Famel ou pela Minor) que valem a pena levar a peito. À venda n' A Vida Portuguesa do Intendente.

Archivo de imprensa

"A Archivo nasceu há três anos e hoje já possui uma legião de fãs. O designer gráfico Pedro Fernandes, encontrava-se desempregado quando teve a ideia de criar a sua própria marca, tornando-se uma montra para as antigas marcas portuguesas, activas ou não.

Uma exposição de rótulos de marcas de sardinhas antigas num programa de televisão foi o necessário para despertar a vontade de arriscar no mundo dos negócios em Portugal. A atravessar um período de crise, o sector da publicidade deixou de ser um opção, pelo menos a curto-prazo, para o empreendedor português, designer há 19 anos e desempregado depois de trabalhar em projectos publicitários.

Pedro Fernandes começou por fazer um arquivo de todas as marcas portuguesas que existiram até então (daqui também nasceu a ideia do nome da marca) e “porque não mostrar um lado mais gráfico que não existia? Pensei que poderia ser engraçado, as pessoas não conheciam”, diz o empreendedor."

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Global reach

A IVO Cutelarias já se vem habituando a cortar terreno, a partir das Caldas da Rainha até onde houver um filete de peixe à espera de virar sashimi. Os prémios vêm tanto de Cuba como da Suécia e agora chega a distinção dos Estados Unidos da América, que coloca as suas facas entre as melhores da Europa. Também disponível nas lojas A Vida Portuguesa, é assim a Ivo: desde 1954 a cortar a eito.

"Salvar uma igreja com crowdfunding"

"Habituado às lides da comunicação, por ter trabalhado num jornal católico e sido assessor de imprensa do Patriarcado de Lisboa, Edgar Clara juntou diferentes grupos de pessoas em vários tipos de ações. Com a associação Renovar a Mouraria foi desenvolvida uma receita de biscoitos de cardamomo, à venda na igreja e na loja A Vida Portuguesa, o local onde foi feito o lançamento do projeto."
Carolina Reis, Expresso 



quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A cerâmica dá à costa

A inspiração tanto lhes pode vir das riscas pintadas nas casas de madeira da praia da Costa Nova, na Ria de Aveiro, como do desenho de um prato do século XVIII em exposição no Museu de Arte Antiga. Os engenheiros Miguel Casal e Rui Batel já tinham criado a Grestel em 1998 mas, depois de anos a fornecer louça em grés fino para as lojas chiques de Nova Iorque, perceberam que tinham em mãos a oportunidade, maior ainda, de estabelecer marca própria. 
Assim, em 2006, nascia a Costa Nova, já a pensar em diferentes e potenciais linhas. A massa do grés, desenvolvida a partir de argila de grão fino, diverge da de porcelana: absorve diferentes cores e assenta bem num estilo intemporal, entre o rústico e o sofisticado. Requer apenas monocozedura, poupando energia e reduzindo a emissão de gazes poluentes. Sendo mais durável e robusta, também pode ir à máquina de lavar loiça, ao microondas, ao forno e ao congelador. O resultado final já é exportado para mais de 40 países, está no National Geographic Café, é recomendado tanto pelo chef português José Avillez como pela guru internacional Martha Stewart… E está à venda n’ A Vida Portuguesa, com certeza.