quinta-feira, 19 de março de 2015

De jornalista a empresária

“Catarina Portas é o rosto por detrás das lojas A Vida Portuguesa e dos Quiosques do Refresco. Ao fim de quase 20 anos como jornalista, depois de passar por rádios, jornais e televisões, lançou-se no mundo dos negócios e criou duas das marcas de maior sucesso e reconhecimento em Portugal.
Ao pesquisar a vida privada de Portugal no século XX, para um livro, constatou um facto curioso: diversos produtos e marcas portuguesas, da pasta de dentes Couto ao azeite de Oliva, mantiveram o mesmo logótipo e a mesma embalagem durante décadas (e, nalguns casos, durante mais de um século). Fascinada com essas marcas resistentes à passagem do tempo e apercebendo-se de que muitas estariam a desaparecer, decidiu recuperar estes produtos, ajudando assim a salvar parte da manufatura portuguesa.
Resolve então criar uma loja dedicada a revitalizar alguns dos produtos que refletem a história do consumo em Portugal. Nascia A Vida Portuguesa, uma loja cujo conceito é valorizar produtos portugueses que atravessaram gerações e que mantiveram as suas embalagens originais.
A partir daí, foi possível reeditar alguns produtos, como os sabonetes exclusivos que A Vida Portuguesa desenvolveu com a Confiança e a Ach.Brito, recuperando rótulos antigos, ou as oito embalagens históricas de lápis Viarco, as andorinhas Bordallo Pinheiro e ainda os cadernos da Emílio Braga.
Outros produtos que fazem as honras da casa, tornando-se irresistíveis para quase todos os visitantes: o saudoso chapéu de chuva de chocolate Regina, os sabonetes Claus Porto (que são fabricados desde 1887), a lavanda, a pasta medicinal Couto, o creme para as mãos Alantoíne, o pião de madeira, os chocolates Arcádia… entre muitos outros! A oferta também inclui géneros alimentícios, como barras de chocolate, conservas, azeites, cafés, chá Gorreana, bolachas, compotas e muitos outros artigos tradicionais.”

terça-feira, 17 de março de 2015

Para comprar todos os tesouros lusitanos

"Ao andar pelo Largo do Intendente, em Lisboa, existe uma pequena loja que se arma com tudo o que Portugal tem de mais bonito e tradicional. Localizada em uma antiga fábrica de azulejos – passado explícito nas paredes recobertas por desenhos decorativos – fica A Vida Portuguesa, uma boutique que oferece, para turistas e portugueses nostálgicos, os produtos que fizeram história no comércio local.

Um catálogo variadíssimo de itens se espalha pelos 500 m² do prédio deliciosamente industrial. Dispostos como em uma casa funcional, sabonetes estão próximos às banheirasvintage, os tachos sobre os fogões, as conservas junto às louças e os vinhos agrupados às taças. Isso sem falar nos tapetes, roupas de cama, objetos de papelaria, móveis e uma coleção de vestuário, tudo, naturalmente, com uma inegável estética portuguesa.

Na entrada, andorinhas de louça se agrupam no teto abobadado sobre itens de jardinagem. Ao passar pelos ambientes reformados sem perder o charme do passado e iluminados por enormes janelas de vidro e aço, fica uma estreita escadaria que leva para o segundo andar. Por lá, uma surpresa para os pequenos: brinquedos como os de antigamente  ensinam como os "miúdos" se divertiam no passado.

Estantes e armários de madeira de vários estilos se esparramam pelas paredes rústicas, ora mostrando os tijolos, ora ladrilhos hidráulicos multicoloridos. Para completar o clima intimista, luminárias pendem do teto e spots jogam luz sobre os objetos, deixando-os ainda mais belos.

Seja qual for a idade e a origem do cliente, A Vida portuguesa promete um vislumbre do que um povo e um país tem de melhor a oferecer, seja para ser usado ali mesmo ou para cruzar os continentes."

CASA VOGUE Brasil

segunda-feira, 16 de março de 2015

Diz o Globo:

Recorte do jornal braileiro cortesia de "Santos Ofícios Artesanato"
"Mas a loja que dá uma verdadeira aula de história lusitana está na reservada Rua Anchieta. Com o sugestivo nome de A Vida Portuguesa, a casa é obra da jornalista Catarina Portas, que descobriu uma forma de contar histórias do cotidiano do país através de produtos tradicionais, de pastas de dente a atum enlatado. Para a maioria dos brasileiros, as referências podem não significar muito, mas é engraçado observar a reação de portugueses relembrando a infância e mostrando aos filhos e netos como se fazia a barba ou como se cozinhava “naqueles tempos”. A perfumaria da casa faz sucesso entre os turistas, assim como as andorinhas de cerâmica da fábrica Bordalo Pinheiro."

A Vida Portuguesa do Chiado
De segunda a sábado, das 10h00 às 20h00
Domingo, das 11h00 às 20h00

domingo, 15 de março de 2015

De burra para sabonete

Cleópatra, Pompeia, Josefina. Todas elas mulheres que ficaram para a história e que não abdicavam do leite de burra para manter uma pele hidratada, jovem e saudável, séculos antes que o mundo ouvisse falar em cirurgia estética. Mas em que já se intuía que as componentes (vitaminas, proteínas e ácidos gordos) daquele leite fresco pudessem servir e encorajar a produção de colagénio (um anti-rugas natural que previne o envelhecimento, ao promover a ligação entre as células) na pele humana.
Entra em cena o “Burro de Miranda”, como é mais vulgarmente conhecida a raça asinina mirandesa, uma espécie autóctone portuguesa, da região transmontana do planalto mirandês. Uma raça que corria o risco de ter o mesmo destino que as três beldades do parágrafo anterior, de tão ameaçada pela extinção se encontrava. Um destino que a Tomelo CLEO Sabonetes com Leite de Burra também quer ajudar a evitar, utilizando o precioso leite destas burras nortenhas nos seus sabonetes naturais.
Que se podem encontrar nas variantes Amêndoa, Azeite, Lavanda, Mel, Lírio do Vale, Verbena e que, se tornam ainda esfoliantes, quando envolvidos em lã das ovelhas da região. Porque estes sabonetes também querem ser uma forma de contribuir para uma nova valorização de matérias-primas autóctones e para um crescimento económico sustentável, do concelho de Vimioso para o Mundo.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Pai há só um... dia por ano

As sugestões da Time Out Lisboa para o Dia do Pai. E três delas são também d’ A Vida Portuguesa:
“Esta sugestão só vale se o teu pai não se importar de encostar a barriga aos tachos. Os coentros dão um toque especial aos cozinhados, por isso nada como tê-los à mão de semear. Coentros Life in a bag €8.90
Não é só porque o preço dos sacos das compras está pelas horas da morte. É também porque o teu pai vai ficar mais estilos com este saco de lona ao ombro. Saco Lona €61
É um dos livros mais deliciosos do Planeta Tangerina. Mostra que o pai é uma pessoa de carne e osso, claro, mas que às vezes tem o condão de se transformar numa ambulância, avião, sofá ou travão… só para que sejas feliz. Pê de Pai, Planeta Tangerina €11.90”

Pê de Pai

"Um pai é mesmo uma pessoa muito especial. Capaz de se dobrar, desdobrar, encolher e esticar… Um pai transforma-se, num passe de mágica, nos objetos mais incríveis. Ou será que nunca repararam nos pais transformados que andam por aí? Pais-cabides, pais-ambulâncias, pais-aviões, pais-sofás, pais-escadotes, pais-travões… Basta abrir os olhos e observar. Um livro que olha de perto a relação de cumplicidade entre pai e filho. E que convida filhos e pais a descobrirem-se juntos ao virar de cada página."

Distinguido com os prémios "Best Book Design from All over the World" da Leipzig Foundation/Honorary Apreciation (2006), "Illustration in Design International Competition nos Prize Titan Awards", Prémio Nacional de Ilustração - Menção Especial Júri (2006). Aconselhado pelo Plano Nacional de Leitura, recomendado pela Casa da Leitura da Gulbenkian, considerado "Altamente Recomendável - Literatura em língua Portuguesa" pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil do Brasil).

A editora Planeta Tangerina não tem medo de fazer aquilo que gosta e isto nota-se no entusiasmo e cuidado com que cria álbuns que são tesouros de texto e ilustração. Fundada em 1999 para se especializar na comunicação para crianças e jovens, conta com um número crescente de tomos coloridos e divertidos, sobre os mais variados temas. Porque as hipóteses estão todas em aberto e as regras são só duas: "não cair em fórmulas e desafiar sempre os leitores". Que "saberão encontrar as suas próprias chaves na descoberta de um livro." 


"Um pai é mesmo uma pessoa muito especial. Capaz de se dobrar, desdobrar, encolher e esticar… Um pai transforma-se, num passe de mágica, nos objetos mais incríveis. Ou será que nunca repararam nos pais transformados que andam por aí? Pais-cabides, pais-ambulâncias, pais-aviões, pais-sofás, pais-escadotes, pais-travões… Basta abrir os olhos e observar. Um livro que olha de perto a relação de cumplicidade entre pai e filho. E que convida filhos e pais a descobrirem-se juntos ao virar de cada página."

Distinguido com os prémios "Best Book Design from All over the World" da Leipzig Foundation/Honorary Apreciation (2006), "Illustration in Design International Competition nos Prize Titan Awards", Prémio Nacional de Ilustração - Menção Especial Júri (2006). Aconselhado pelo Plano Nacional de Leitura, recomendado pela Casa da Leitura da Gulbenkian, considerado "Altamente Recomendável - Literatura em língua Portuguesa" pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil do Brasil).

A editora Planeta Tangerina não tem medo de fazer aquilo que gosta e isto nota-se no entusiasmo e cuidado com que cria álbuns que são tesouros de texto e ilustração. Fundada em 1999 para se especializar na comunicação para crianças e jovens, conta com um número crescente de tomos coloridos e divertidos, sobre os mais variados temas. Porque as hipóteses estão todas em aberto e as regras são só duas: "não cair em fórmulas e desafiar sempre os leitores". Que "saberão encontrar as suas próprias chaves na descoberta de um livro." - See more at: http://loja.avidaportuguesa.com/pt/catalogo/vidaportuguesa/livraria/planeta-tangerina-pe-de-pai#sthash.kkiDWdlT.dpuf
"Um pai é mesmo uma pessoa muito especial. Capaz de se dobrar, desdobrar, encolher e esticar… Um pai transforma-se, num passe de mágica, nos objetos mais incríveis. Ou será que nunca repararam nos pais transformados que andam por aí? Pais-cabides, pais-ambulâncias, pais-aviões, pais-sofás, pais-escadotes, pais-travões… Basta abrir os olhos e observar. Um livro que olha de perto a relação de cumplicidade entre pai e filho. E que convida filhos e pais a descobrirem-se juntos ao virar de cada página."

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A editora Planeta Tangerina não tem medo de fazer aquilo que gosta e isto nota-se no entusiasmo e cuidado com que cria álbuns que são tesouros de texto e ilustração. Fundada em 1999 para se especializar na comunicação para crianças e jovens, conta com um número crescente de tomos coloridos e divertidos, sobre os mais variados temas. Porque as hipóteses estão todas em aberto e as regras são só duas: "não cair em fórmulas e desafiar sempre os leitores". Que "saberão encontrar as suas próprias chaves na descoberta de um livro." - See more at: http://loja.avidaportuguesa.com/pt/catalogo/vidaportuguesa/livraria/planeta-tangerina-pe-de-pai#sthash.kkiDWdlT.dpuf
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Distinguido com os prémios "Best Book Design from All over the World" da Leipzig Foundation/Honorary Apreciation (2006), "Illustration in Design International Competition nos Prize Titan Awards", Prémio Nacional de Ilustração - Menção Especial Júri (2006). Aconselhado pelo Plano Nacional de Leitura, recomendado pela Casa da Leitura da Gulbenkian, considerado "Altamente Recomendável - Literatura em língua Portuguesa" pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil do Brasil).

A editora Planeta Tangerina não tem medo de fazer aquilo que gosta e isto nota-se no entusiasmo e cuidado com que cria álbuns que são tesouros de texto e ilustração. Fundada em 1999 para se especializar na comunicação para crianças e jovens, conta com um número crescente de tomos coloridos e divertidos, sobre os mais variados temas. Porque as hipóteses estão todas em aberto e as regras são só duas: "não cair em fórmulas e desafiar sempre os leitores". Que "saberão encontrar as suas próprias chaves na descoberta de um livro." - See more at: http://loja.avidaportuguesa.com/pt/catalogo/vidaportuguesa/livraria/planeta-tangerina-pe-de-pai#sthash.kkiDWdlT.dpuf

segunda-feira, 9 de março de 2015

As valentes marcas portuguesas

"Pensa-se (e nem sempre se diz) que por trás de uma mulher de sucesso está muitas vezes um homem com capital. Catarina Portas pode ter um apelido de peso mas quando decidiu lançar-se à aventura que é A Vida Portuguesa tinha apenas 1.000 euros para investir e uma certeza: que os produtos portugueses podiam voltar a ter alma, comercial e cultural. Na loja do Largo do Intendente, uma das quatro que já tem no país (além da primeira, no Chiado, e dos espaços no Mercado da Ribeira e no Porto), rodeiam-nos alguns dos capítulos de uma história muito portuguesa. O novo design da tradicional Bordallo Pinheiro, o sabor atualizado dos chocolates Regina, a voz inquieta de António Variações em fundo. “Acreditava que havia uma série de produtos portugueses que tinham absolutamente lugar no mercado contemporâneo se fossem apresentados de outra forma”, diz Catarina sobre o projecto que criou há mais de uma década, enquanto pesquisava sobre marcas antigas portuguesas. “Queria provar que uma loja não tem de ser transformada num cubo branco, como as que existem nos centros comerciais, para ter sucesso e, ao mesmo tempo, tinha uma vontade egoísta de que esses produtos não desaparecessem”, ri-se.
Tudo começou em livro, aquele que estava apenas a escrever na sua cabeça. “Às tantas, comecei a colecionar os produtos sobre os quais pesquisava e a organizá-los em caixas com informação. Decidi depois pôr estas caixas à venda em algumas lojas”, conta. “No fundo, criei o negócio para pagar a investigação. Só que o negócio floresceu e nunca mais tive tempo de fazer o livro!” A primeira apresentação da marca, em 2004, ocupou um canto de uma concept store de design na Rua das Flores, em Lisboa. Sucesso imediato. “Um ano depois, quis testar novamente o conceito e organizei na Loja da Atalaia, no Bairro Alto, um bazar português de Natal.” Repetiu a proeza 12 meses mais tarde, na loja do Chiado e nunca mais de lá saiu. Naturalmente, os 20 anos de experiência em comunicação social compensaram. “Sabia a quem devia telefonar, como explicar a marca, a importância de enviar boas fotografias e de ter um bom site (hoje também tem uma plataforma de venda online). Logo na primeira vez que apresentámos o projeto, foi para o ar uma reportagem no telejornal da RTP. Percebi que tínhamos tocado num nervo.” 
Em 2009, começou também a revitalizar os Quiosques de Refresco, velhas glórias das nossas praças, em lugares marcantes como o Chiado, o Príncipe Real e o Cais do Sodré. 
Os ingleses dizem que a distância intensifica o amor que temos às pessoas e às coisas e Catarina é a primeira a confirmar que o afastamento só lhe aumentou a convicção. “Tive uma educação muito afrancesada, vivi em frança e em Inglaterra quando era pequena, estudei no liceu francês e, a partir dos 20 anos, comecei a viajar com muita frequência para a Índia. Foi um treino para mim, que sempre adorei estar em mercados à procura de peças”, recorda. Sem falar no facto de ter passado três anos da sua carreira na Marie Claire, onde imaginava páginas de shoppings.
Em Portugal, fez-lhe impressão ver fábricas nacionais a definhar com a injustiça do tempo, das modas e da falta de amor-próprio. “Apaixonei-me quando descobri as suas estruturas, o seu passado e os seus incríveis arquivos”, diz. São “marcas valentes”, como Catarina lhes chama, gerações de famílias inteiras encarregues de um património que já não é só deles. “É preciso muita coragem para conseguir manter uma marca durante 100 anos, sobrevivendo a crises e falências, são exemplos de persistência e valentia. Os seus produtos não só valem por si, como ajudam a contar a história do país.” Os sabonetes Confiança são o exemplo mais óbvio de como o consumo diz muito sobre nós. “Houve rótulos monárquicos, houve sabonetes da República, que reeditámos no centenário da mesma, e sabonetes Girândola Vila Morena em 75 - está lá tudo.” Mais: os sabonetes feitos durante a Segunda Gerra têm menos cores e o papel tinha menos qualidade, “o que nos diz muito sobre as condições da altura, mesmo para um país neutral”, como se descobrem as cores completamente diferentes para o mercado colonial, porque “em Moçambique e em Angola as pessoas não se vestiam de forma tão soturna como aqui”.
No início, Catarina tinha uma amiga parceira no negócio, mais ligada aos números, mas separaram-se quando perceberam que tinham objectivos diferentes. Entretanto, tirou uma pós-graduação em Gestão na Universidade Nova de Lisboa. “Não sendo a minha área, as coisas sempre foram feitas com bom senso e uma máquina de calcular, que há oito anos trago comigo”, diz retirando o enorme objecto da carteira. É com ela que gere as duas empresas , os Quiosques de Refresco e A Vida Portuguesa (na loja do Porto tem como sócia a Ach. Brito). Para a primeira, prepara a abertura de um novo quiosque na Sé. Para a segunda, planeia uma expansão controlada, “um passo de cada vez”. Já recebeu vários pedidos de franchising, aos quais resiste para conseguir manter a personalidade diferente de cada loja e escolher lugares com algo para contar. “O sucesso não é só o dinheiro, embora este seja necessário, é preciso uma empresa sustentada por trás”, resume. Até porque paga mais de 60 salários, uma responsabilidade boa. “Costumo dizer às pessoas que trabalham comigo que não estão só à frente do balcão, estão nas trincheiras de uma guerra que é muito maior do que isso. Não somos apenas as pessoas que estão nas lojas, trabalhamos para que muita gente no resto do país, entre fábricas e fornecedores, tenha emprego”.
Levar esta estranha forma de vida lá para fora é outro dos desejos que tem há muito. “Paris parece-me uma das cidades evidentes.” Está ainda em vias de estabelecer um gabinete de design próprio d’ A Vida Portuguesa, para que os projectos possam fluir em vários ângulos, incluindo o lançamento de mais produtos exclusivos e design de interiores. “Talvez possa agora concretizar o livro sobre as nossas marcas que queria fazer antes de tudo isto começar”, ri-se. E ainda quer publicar algo sobre o Frágil, uma intenção antiga a que espera regressar, ao lado de Manel Reis.
Aos 45 anos e com a sua própria empresa desde os 30 e pouco, a jornalista tornada empresária cresceu com o negócio e percebeu que “escrever e fazer é muito diferente.” Há uns anos, a primeira qualidade de um produto era ser estrangeiro, já o Eça de Queiroz o dizia, mas A Vida Portuguesa ajudou a mudar essa atirude.” Poliu ideias cobertas de pó, sem saudosismos, antes com vontade de lhes devolver a estima merecida de todos. Na verdade, “nunca pensei que pudesse criar uma ligação tão forte e de facto mudar alguma coisa”. Não o mundo todo, mas um bocadinho de cada vez."

Rosário Mello e Castro
VOGUE Portugal, Abril 2015