quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A loja mais portuguesa de Portugal

"Já não é só no sótão ou em casa dos nossos avós que encontramos objectos tradicionais portugueses. Em finais de 2013 abriu no Intendente a segunda loja d'A Vida Portuguesa, no lindíssimo espaço outrora ocupado pela fábrica de azulejos Viúva Lamego. Esta loja veio dar um upgrade e ajudar à revitalização desta zona de Lisboa que tem vindo a ganhar uma vida melhor!

A primeira loja abriu no Chiado em 2007, pelas mãos da jornalista Catarina Portas, responsável por introduzir no mercado produtos de criação nacional, muitos deles em desuso ou em vias de extinção.

Nesta loja produtos antigos e genuinamente portugueses ganham uma nova vida: desde sabonetes a peças de cerâmica, dos livros às conservas, aqui encontram-se objectos que parecem saídos de uma máquina do tempo, sejam manufacturados ou industriais. Siga as bonitas andorinhas na parede, elas vão levá-lo à loja mais portuguesa de Portugal!"


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Lisboa, do sonho à realidade

"Depois de LX60 - A vida em Lisboa nunca mais foi a mesma (D. Quixote, 2012), Joana Stichini Vilela, de 34 anos, voltou a produzir o que quer que seja "um objecto de prazer". Chama-lhe um bookazine - uma mistura gráfica e textual de livro e revista - que conta histórias da década que fendeu a História de Portugal, um caminho paralelo à auto-estrada da História e à via rápida do jornalismo. É lançado oficialmente este domingo às 16h30 na loja A Vida Portuguesa no Intendente, com um "comício imprevisto" de Nuno Artur Silva com os autores do livro."

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

"Há Vida Portuguesa na Ribeira"

"É uma Vida Portuguesa em ponto mais pequeno mas onde não faltam os produtos mais populares da loja, como os cadernos da Serrote e os sabonetes da Ach brito. Mas o que a distingue das outras é a localização. Está num mercado e por isso não lhe faltam os utensílios de cozinha e as cestas de ir às compras.

As novas imagens das caixas-cabaz são de um livro que pertencia à biblioteca do Marquês de Marialva. São figuras da Lisboa do século XVIII, nomeadamente comerciantes que vendiam exactamente as mesmas coisas que, passados cento e tal anos, A Vida Portuguesa agora vende (vassouras, abanadores, bases para tachos, cestas, etc.).

As sombrinhas de chocolate, a par da máquina de furos da Regina, das pastilhas Gorila e dos sabonetes Ach brito e Claus Porto, são os best-sellers da loja. O preço explica em parte este sucesso.

Esta é uma réplica das máquinas de furos da Regina nascidas nos anos 1940s e recuperadas em 2013 pela marca. Tem 140 furos que libertam bolas de cores diferentes, cada uma delas correspondente a um chocolate da Regina.

Tal como nas outras lojas, o mobili´rio foi todo comprado em estabelecimentos antigos. O balcão veio de uma perfumaria da Almirante Reis e as mesas de madeira eram da Livros do Brasil no Bairro Alto. "Foram passear ao Oeste e fomos comprá-las lá" conta Catarina Portas.

Para o Natal vão chegar muitas novidades e no futuro poderão existir produtos da marca A Vida Portuguesa exclusivos desta loja do Mercado."

Time Out Lisboa

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

"Cereja do Fundão em bom(bons)"

 "Cereja macerada em aguardente do fruto primaveril, numa ganache de cereja e chocolate branco, revestida de chocolate negro. Eis o bombom de cereja do Fundão, o mais recente e delicioso produto que resulta do repto apresentado pelo município da referida cidade da Cova da Beira ao chef chocolateiro António Melgão.

A embalagem – de 16 unidade – pode ser, para já, adquirida n’ “A Vida Portuguesa”, na loja gourmet do Jumbo das Amoreiras, na Portfólio do Aeroporto de Lisboa, e no Fundão. Uma excelente ideia para oferecer no Natal."

Patrícia Serrado
Mutante

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Uma jóia de património

No princípio, era uma inspiração na cabeça de Manuel Marques, que casou com a filha de um industrial mas decidiu encetar negócio por via própria e, vai daí, montou uma oficina na portuense Rua do Heroísmo. Consta ainda que a primeira criação veio de um fio de ouro que a esposa trazia ao pescoço na altura, e que ele terá derretido para lhe dar o seu cunho pessoal. Ela não há-de ter ficado muito desagradada e a produção prosperou, sob o precioso nome "Topázio" a partir daquele 1874, faz hoje 140 precisos anos. 

Entretanto, a empresa expandiu-se em Gondomar e o ouro deu lugar à prata, que continua a exportar para o mundo inteiro, com uma liderança segura. O segredo é o de sempre: a elegância que se revela nos detalhes, pelas mãos habilidosas que trabalham as matérias nobres e podem dedicar até um mês a cada peça que dali sai, passando pelas fases em que se molda, estampa e repuxa. Tudo é soldado, cravado, lixado e polido individualmente, com o mesmo esmero dos primeiros dias. 

Para assinalar tão redonda data, a Topázio pediu a 14 artistas que criassem outras tantas peças decorativas e a um realizador, João Botelho, um filme comemorativo que dá pelo título de "O Som da Prata". Mas a maior prova de solidez veio em Agosto deste ano quando, depois de um terrível incêndio nos armazéns, todos os funcionários da empresa arregaçaram as mangas para a reerguer das cinzas no prazo de uma semana (como mostra este vídeo da TVI), mostrando uma dedicação que vale ouro. Esta gente está mesmo de parabéns!

Prata da casa

"Tudo começou com Manuel José Ferreira Marques, que em 1874 fundou a Ferreira Marques & Irmão, proprietária da marca Topázio, e começou a trabalhar ouro, com as suas próprias mãos. Só na década de 1920 é que iniciaria o trabalho com a prata, e mais tarde, em 1934. Já depois da sua morte, iria ser fundada a Topázio. Durante o século XX a Topázio ganhou notoriedade como fabricante de produtos de "Arts de la Table" e de joalharia, introduzindo também o banho de prata. Quase um século e meio depois continua a ser uma marca de referência no sector em Portugal. Localizada em Gondomar, a fábrica cobre uma área impressionante de 4 mil metros quadrados e mantém uma capacidade de produção incrível. O "savoir faire", construído ao longo de quase século e meio é visível no espaço onde trabalham dezenas de artesãos, concentrados no seu ofício, como quem guarda segredos de mestria passados de geração em geração e onde algumas das máquinas remontam à década de 60 do século passado. Aqui não há correrias. Cada peça é única e segue um percurso diferente nas várias fases de produção, demorando por vezes centenas de horas a ser concluída. Continuando a ser uma empresa familiar, a administração da empresa foi substituída, há cerca de dois anos e meio, por uma nova equipa. Maria do Rosário Pinto Correia está agora à frente dos destinos da marca e fala da estratégia que a Topázio tem seguido, que passa, cada vez mais, pela afirmação da marca Topázio e pela aposta no mercado externo, para onde segue hoje "apenas" 32% da produção. Assim, o próximo capítulo poderá ser escrito noutra língua - tem todas as condições para se tornar numa marca de topo a nível mundial." 

Fora de Série, Outubro 2014
 "Sessenta homens trabalham, com afinco e mãos de artista as peças em prata que, mais tarde, irão para montras de lojas, prateleiras de coleccionadores, mesas de casas de família e até integrar as colecções de conhecidas marcas internacionais de vestuário e acessórios de joalharia. Na fábrica da Topázio, em Gondomar, perfilam-se artesãos seniores e alguns aprendizes de técnicas que demoram a dominar. Trabalhar metais, como a prata, faz parte da memória desta região do país e, outrora, deu emprego a muita gente."

Ana Sofia Santos, Expresso


"Aos 140 anos, numa semana Topázio renasce das cinzas"

"Empresa portuense, centenária na arte de trabalhar metais preciosos, a Topázio, assolada por um incêndio a um mês de comemorar os 140 anos, viu os trabalhadores arregaçar mangas para pôr tudo a funcionar numa semana. Prova de vitalidade de uma fábrica que começou com um simples fio de ouro e que até faz peças para Abramovich.

Onde antes se empilhavam peças de prata, agora jazem pelo chão. Onde cheirava a metal, é o odor a queimado a preencher o ambiente. Onde os artesãos se debruçavam na mesa enquanto moldavam obras de arte, agora olham para o teto enquanto pintam as paredes. Tudo mudou num ápice na fábrica da Topázio quando as chamas irromperam numa das alas do edifício. Um curto-circuito travou pela primeira vez a produção desta empresa do Porto, que há precisamente 140 anos se dedica ao trabalho em metais preciosos, especialmente na prata onde é a maior do País. Mas travou apenas, porque nada parou quando o incêndio deflagrou na madrugada de 30 de agosto. O choque inicial foi forte, mas de pouca dura. Ninguém quis ficar sem emprego e chorar pela desgraça: da administração aos trabalhadores, todos arregaçaram as mangas e das cinzas fizeram renascer a Topázio.
“Ainda não ouvi uma queixa, não vi uma má cara. Aqui todos arregaçaram as mangas para que a empresa não parasse. Que maior prova de vitalidade ao fim de 140 anos?”, questiona a administradora, Rosário Pinto Correia, que desliza despachada por entre a azáfama da reconstrução, sempre com o telemóvel na mão e um auricular no ouvido para o que der e vier: “O negócio não para”, diz ao DN.
A desgraça afetou apenas parte da empresa. O resto continua a funcionar, nomeadamente a moldagem das lâminas de metal. O espírito solidário estendeu-se a todos e as hierarquias diluíram-se. É ver a administradora a limpar casas de banho, a diretora de marketing a comprar pão e a organizar as refeições, os acionistas a pintar paredes, sempre com um sorriso nos lábios. “É um orgulho, é de ir às lágrimas de bom”, diz Rosário com emoção. É essa esperança que vai motivando todos para a Topázio não parar. Nos mais pequenos pormenores se vê o bom ambiente – nem que seja pela própria ementa da cantina, que apresentava um arroz… à Topázio, enfeitado com carne de porco, salsichas e pimentos para dar força para o trabalho de reconstrução.

Este espírito recupera as origens da fábrica fundada em 1874 na Rua do Heroísmo, no Porto, por Manuel José Ferreira Marques. Casado com a filha de um industrial, o fundador decidiu montar a sua própria oficina para pôr ao serviço as suas mãos habilidosas. Reza a lenda que Manuel Marques pediu à sua mulher o fio de ouro que trazia ao pescoço, o derreteu e transformou na primeira peça da empresa que nos anos 1930 passou a chamar-se Topázio.

Passado quase século e meio, o ouro passou à história e é em prata que se faz a liderança mundial da Topázio, exportando para todo o mundo. Uma visita à sala de exposição, na freguesia de Lagoa, em Gondomar, para onde se mudou nos anos 1960, revela uma imensa variedade de produtos em que apenas o prateado é comum às diferentes peças. Lá no canto mais distante da entrada, alinham-se uma série de menorás, candelabros habitualmente com sete braços. Mas não só: talheres, barcos, jarras, passepartouts, bengalas, salvas, bules, peças personalizadas – uma delas para o multimilionário Roman Abramovich -, que atingem preços exorbitantes, sejam banhados a prata ou maciços.
“O cliente pode comprar peças já feitas ou definir aquilo que quer. Se pretende um bule com uma tampa diferente, um bico de outra forma ou uma asa mais requintada, nós fazemos. Os diferentes componentes são produzidos separadamente e depois ligados conforme os desejos do cliente. Quase como se fossem legos”, explica a administradora.
Uma peça original demora “cerca de quatro semanas” a ser feita, esclarece Rosário Pinto Correia. Isto já depois de se ter decidido o que fazer.
“Validam-se as técnicas de produção, fazem-se os moldes, estampa-se e repuxa-se. É tudo soldado e cravado, lixado e polido. Há ainda os banhos e a secagem. Um mês é a média para se completar uma peça da Topázio”, diz.
Com o exemplo da empresa como mote, aqueles que compõem a Topázio vão terminando o levantamento da fábrica após o incêndio. Alimentados pela esperança – e também pelo arroz da cantina -, a produção é para continuar."

Bruno Abreu, Diário de Notícias