quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Pelo Okura

Mais do que um marco na arquitectura japonesa, o Okura é um hotel mundial dos mais preciosos, agora ameaçado de destruição para dar lugar a mais uma torre de vidro e betão. Construído em 1962, condensa perfeitamente a atmosfera dos anos 60, qual viagem no tempo sem efeitos especiais, e reúne a mais fina flor da tradição de trabalho em madeira, ecrãs de papel e iluminação; representando as cores e as formas, as artes e os ofícios desenvolvidos ao longo dos séculos pelos japoneses. Porque a sua perda seria verdadeiramente lamentável e irreparável, nós subscrevemos o abaixo-assinado lançado pela Monocle na tentativa de a deter. Porque gostamos de sítios especiais em qualquer parte do mundo, que tenham a ver com a sua envolvência, a sua história e o saber fazer da sua gente. Para salvar o Okura: assinar, assinar.

"Final check out"

"News that Tokyo’s iconic 1960s Hotel Okura is to be reconstructed has been met with outrage from admirers of its unique design. While Tokyo’s changing skyline is what makes it special, demolitions like this threaten its architectural history.

“Rumours had been swirling for months and then it came in May, the news all lovers of modern Japanese architecture had feared: the redevelopment of Hotel Okura in Tokyo. The word “iconic” is tediously overused but this hotel, a landmark since 1962, fully deserves the label. In September 2015 the best bit of the most loved hotel in Tokyo will be torn down by its owners to make way for a 38-storey glass tower. It will be a heartbreaking and irreparable loss.
Located in Toranomon on what had been a feudal estate, the Okura is an extraordinary testament to a key moment in Japanese design. It was built two years ahead of the Tokyo Olympics in 1964 – with an annexe added in 1973 – by an exceptionally gifted and diverse group that included the architects Yoshiro Taniguchi and Hideo Kosaka, the folk artist Shiko Munakata and the potter Kenkichi Tomimoto. Together they created a unique modern design that referenced the traditional colours, shapes and crafts of Japan.
Visitors can walk into the main building of the Hotel Okura today and still drink in the atmosphere of 1960s Tokyo. The lobby is much as it was: a perfect combination of wood, paper screens and pendant lights. Tomimoto’s vast mural dominates one wall. The signage is simple and concise. The lobby attendants wear their kimonos with unselfconscious ease. Even the displays of seasonal foliage, arranged by an Ikebana school, are agreeably understated.
If you were designing a hotel today you might not think to include a tea ceremony room or a “Go” salon for players of Japan’s version of chess but the Okura has both. It also has staff in tuxedos and bow ties, a Japanese garden and a bar where they’ve been making highballs since they were fashionable the first time around.
It is hard to imagine a more elegant dining room than the Orchid Room where they cook up sole bonne femme and wiener schnitzel like it was 1964. There, as in the rest of the hotel, staff go about their business with an assured confidence that only comes with years of experience. They are more than capable of dealing with the countless vips who’ve stayed here. President Obama was resident in April, conveniently close to the US Embassy. 

There is no doubt that poorly judged periods of renovation diminished the guest rooms at a time when a slew of international luxury chains has been opening in Tokyo. But just imagine if the owners did rethink the rooms. The Okura’s sense of place and quality of service are exactly what the modern traveller is crying out for and no amount of gold points and pillow menus can compensate for its loss.
There is some comfort that the south wing, built in 1973, will remain but there seems to be little hope for the architectural jewel of the main building. Hiroshi Matsukuma, head of Docomomo Japan, whose mission is to look after modernist architecture, says he is “shocked” by the news but is at a loss as to what can be done. “It’s a masterpiece,” he says. “It has a cultural and historical value that can never be reproduced again.” 

Tokyo citizens have become inured to the disappearance of familiar buildings. Earthquakes, firebombing and developers have all played their part. In the past decade some of the most painful demolitions have included the pre-war Sanshin Building in Hibiya and the Hanezawa Garden, a sprawling wooden residence and garden in Hiroo that dated back to 1915. Even the family home of the empress couldn’t be saved from the bulldozers. The central post office, a piece of startling white modernism from 1931, would have gone too if politician Kunio Hatoyama hadn’t taken a stand.
Change and construction are features of life in Tokyo and contribute to the city’s thrilling sense of purpose and energy. But should they come at the expense of the capital’s history and identity? The greatest world cities – Tokyo among them – are the ones that are rich in texture. 

In recent years, two other classic Tokyo hotels from the 1960s – Palace Hotel (1961) and Capitol Tokyu (1963) – have been redeveloped and, without wanting to take anything away from their carefully designed new incarnations, it does seem that a distinctive vintage of Tokyo’s design history is in danger of disappearing. 

One of the most impressive aspects of Tokyo’s winning bid for the 2020 Olympic Games was its pledge to use existing venues, many of which are now classics – such as Mamoru Yamada’s Budokan judo arena or Kenzo Tange’s stunning Yoyogi National Stadium – that were built for the 1964 Games. The Okura was part of that effort to make Tokyo shine as it emerged from the devastation of the war. How sad to think that it won’t be there for the second act. In the future, anyone interested in seeing what the original Okura looked like will have to watch the 1966 Cary Grant film Walk, Don’t Run, which is set during the first Tokyo Olympics and opens with a scene at the hotel.
Of course, redeveloping the Okura makes sense in purely economic terms (no surprise that some of the major investors of the group include construction company Taisei and Mitsubishi Estate). And here’s the problem: the vested interests of construction and property are too powerful to resist. The new 550-room hotel will reopen in 2019, in time for the Rugby World Cup and the Olympics the following year. No doubt there will be much talk of “Japanese aesthetics” and omotenashi (Japanese hospitality) surrounding the new building but the existing hotel already has both in spades. The demise of the Okura is akin to the loss of a good friend. Tokyo will not be the same without it.” 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

"Sonham, podem e fazem"

"Portugal está na moda. E a culpa também é de Catarina Portas - mentora da Vida Portuguesa, que recuperou marcas e produtos nacionais antigos - e de Mário Ferreira - dono da empresa de cruzeiros Douro Azul e candidato a turista espacial. Uma conversa sobre negócios, turismo e risco para descobrir o que têm, afinal, em comum, um tubarão do Norte e uma intelectual de esquerda lisboeta."
“Não acho que haja exploração exagerada de Lisboa, atenção! Aquilo que eu digo é que se deve repensar, porque o turismo de hoje não é o mesmo de há 20 anos, é muito massificado. É uma coisa muito rápida e, portanto, eu acho que as câmaras municipais, os atores da cidade, têm de pensar e definir regras claras para as coisas, refletir em conjunto. Há lojas, de facto, muito especiais que, com o tempo, se tornaram ainda mais especiais. Mas, como temos estado a assistir, há hotéis atrás de hotéis que estão a fechar lojas centenárias e com valor, em Lisboa. Eu não estou a dizer que todas as lojas antigas têm de se salvar, mas as que têm qualidade devem ser cuidadas porque são emblemáticas. (…) Uma loja centenária no rés do chão de um hotel é uma mais-valia. (...)
Agora faço parte de um conselho consultivo da Câmara de Lisboa, para as lojas com história. Tenho esperança que saia daqui um caminho. Atenção, isto não é um problema nosso, é comum a todas as cidades, hoje em dia."
 “O meu problema com o modelo de turismo de hoje é as coisas tornarem-se todas iguais. Sou pela diferença, há espaço para toda a gente e para várias formas de fazer as coisas. Não tem nada a ver com saudosismo, mas sim com identidade, com quem somos e o que fomos. Faz-me impressão ver medalhões a fingir antigo, um pastel de nata, que foi inventado no outro dia, com uma inscrição a dizer que é de 1904, é tentarem enganar as pessoas. Não é preciso. Fizemos um produto novo, ótimo! Vamos afirmá-lo como novo.
Há lojas em Lisboa, daquelas que têm souvenirs portugueses feitos na Ásia (que há muitas!), onde se vende um souvenir que é um autocarro de dois andares, daqueles de levar turistas, iguais em dezenas de cidades e vendem-nos como se fossem típicos de Lisboa. Quando é o mesmo para não sei quantas cidades.”
“O meu negócio partiu de uma investigação sobre as marcas portuguesas. E com uma noção muito nítida de que esta história é benéfica para as marcas. É uma forma de contar a história de um povo, de um país. Consigo contá-la através de um rótulo de sabonete. É impressionante! Há sabonetes monárquicos, republicanos, sabonetes que têm a ver com o Estado Novo e depois há o sabonete Grândola Vila Morena. Também pensei as lojas como um sítio onde a pessoa pode começar a estudar um país.”

“O sucesso para mim não se mede em Ferraris ou Maseratis, nem sequer em milhões, apesar de já faturarmos em milhões - o que é bom porque nos permite concretizar outros projetos. Mas não é isso que me move. Tem muito mais a ver com o caminho que as ideias fazem. Eu tinha uma série de ideias há dez anos: achava que os portugueses deviam gostar dos seus produtos, que era possível ter lojas no centro histórico sem destruir tudo para fazer cubos brancos iguais a uma loja de um centro comercial, achava que os quiosques eram uma mais valia e não um trambolho e que davam charme à cidade, quis provar que a manufatura não era o nosso atraso - que o facto de termos uma indústria que ainda tem alguma manufatura é uma mais-valia. Havia uma série de ideias que eu queria ver fazer o seu caminho. Não serei responsável exclusiva, mas ajudei. E esta é a medida do meu sucesso.”

"E o seu sonho, Catarina?
Bem, penso que estou prestes a concretizá-lo: vou abrir o meu gabinete de design da Vida Portuguesa. Terei cá um casal de designers - um português e uma alemã , que estão a mudar-se de Berlim. Eles produziram um trabalho notável, com o artesanato algarvio. A ideia é fazer desenvolvimentos de produtos exclusivos para A Vida Portuguesa, trabalhar com as fábricas. Enfim, é uma extravagância, a liberdade de poder criar."
Texto: Sara Sá
Fotos: Gonçalo Rosa da Silva

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Elogios brasileiros

Depois de, na semana passada, José Eduardo Agualusa ter escrito no Globo que A Vida Portuguesa do Chiado é “a loja preferida por nove em cada dez turistas brasileiros”, o blogue “diária” do brasileiro Raffaele Asselta não hesita em descrever a do Intendente, “que se destaca pelo espaço físico” como “uma das mais belas lojas da cidade”.
"Portugal é um dos países que mais cultivam e respeitam sua cultura. Não é a toa que sua arquitetura, cozinha, cerâmicas e muitos outros são procurados e visitados por turistas do mundo todo. Até sua música, o Fado, é considerado um patrimônio imaterial da humanidade declarado pela Unesco.
Com essa paixão pela tradição, a jornalista portuguesa Catarina Portas pesquisou os tradicionais produtos portugueses e que mantiveram suas embalagens originais ou que fossem inspiradas nelas. Reuniu todos e em 2007 lançou a marca A Vida Portuguesa (desde sempre).
Sempre em edifícios históricos, suas lojas com decoração rústica oferecem cerâmicas, mantas, vinhos, sardinhas, chás, licores, cervejas, azeites, sais, geléias, utensílios de cozinha, azulejos, sabonetes, cremes, brinquedos entre muitas outras coisas.

Uma das mais belas lojas da cidade, a Intendente em Lisboa se destaca pelo espaço físico. São 500m2 no mesmo lugar onde um dia funcionou uma fábrica de cerâmicas (Fábrica da Viúva Lamego), e seus mais de 3mil itens estão dispostos em diversas salas. O tamanho permitiu também que a oferta de produtos fosse maior que suas outras lojas: produtos de maior escala estão disponíveis para a venda como banheiras e fogões a lenha.

É um lugar onde os portugueses encontram seus produtos tradicionais, e nós turistas podemos comprar todos os presentes. Uma casa Portuguesa, com certeza."

Onde: Largo do Intendente Pina Manique, 23 – Lisboa
Quando: Diariamente das 10h30 às 19h30

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Levar a peito as marcas antigas

A Archivo quer ser um "tributo às marcas com história, que pelo seu passado e presente, representam o melhor de Portugal". Em forma de t-shirts que contam a história e simbolizam a força de cada uma das imagens recuperadas (da Oliva à Gazcidla, passando pela Famel ou pela Minor) que valem a pena levar a peito. À venda n' A Vida Portuguesa do Intendente.

Archivo de imprensa

"A Archivo nasceu há três anos e hoje já possui uma legião de fãs. O designer gráfico Pedro Fernandes, encontrava-se desempregado quando teve a ideia de criar a sua própria marca, tornando-se uma montra para as antigas marcas portuguesas, activas ou não.

Uma exposição de rótulos de marcas de sardinhas antigas num programa de televisão foi o necessário para despertar a vontade de arriscar no mundo dos negócios em Portugal. A atravessar um período de crise, o sector da publicidade deixou de ser um opção, pelo menos a curto-prazo, para o empreendedor português, designer há 19 anos e desempregado depois de trabalhar em projectos publicitários.

Pedro Fernandes começou por fazer um arquivo de todas as marcas portuguesas que existiram até então (daqui também nasceu a ideia do nome da marca) e “porque não mostrar um lado mais gráfico que não existia? Pensei que poderia ser engraçado, as pessoas não conheciam”, diz o empreendedor."

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Global reach

A IVO Cutelarias já se vem habituando a cortar terreno, a partir das Caldas da Rainha até onde houver um filete de peixe à espera de virar sashimi. Os prémios vêm tanto de Cuba como da Suécia e agora chega a distinção dos Estados Unidos da América, que coloca as suas facas entre as melhores da Europa. Também disponível nas lojas A Vida Portuguesa, é assim a Ivo: desde 1954 a cortar a eito.