sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Estórias que nos embalam

A nossa livraria e este tomo foram feitos um para o outro. "Embalagem - Estórias de Embalar" é uma delicada edição do autor Manuel Paula, que gosta tanto de embalagens antigas como nós. E decidiu reuni-las em livro. Embalagens de outros tempos que continuam a falar-nos ao coração - algumas delas ainda alindam as nossas prateleiras (a do bolo de mel do Funchal, dos sabonetes Confiança ou Ach. Brito, as latas da Encerite ou Coração) e outras que gostávamos de lá ver, em reedições merecidamente primorosas.

Todas notáveis, das mais elegantes às mais hilariantes (como a do xarope "Jerboner, para curar o vicio da embriaguês"). Um compêndio indispensável aos profissionais ou curiosos do design de embalagens (parece que agora também lhe chamam "packaging"). Com as suas 140 páginas, capa dura branca e uma embalagem preta, para protecção acrescida. Uma pérola em forma de livro.

"As embalagens são caixas de estórias, muitas, a maior parte ficarão submersas no esquecimento e desaparecerão. Outras, porque contiveram algo que é perene e porque se vestiram sempre de forma a serem olhadas e apreciadas, irão permanecer nossas companheiras nesta viagem que empreendemos. (...) Antes de mais, as embalagens fazem parte de um universo muito amplo, que tem a ver com o desenvolvimento de um determinado local geográfico, com as suas necessidades, tradições e capacidades de consumo. (...)

As imagens valem por si. Em grande parte reflectem o gosto e os ambientes das épocas. Sintetizam um retrato e uma preocupação, o dar a ver, valorizar o que se encontra em risco de se perder e já se perdeu tanto, ajudar a perceber as nossas contingências e como tantas vezes, com tão pouco, fomos capazes de inventar, de sonhar e de construir. (...) As embalagens traduzem um código genético que incorpora os nossos gostos, a nossa maneira de sentir e de se deixar embalar no sonho da posse. No fundo, são o espelho da nossa alma." Da introdução, por Manuel Paula.

1 comentário:

naomemandeflores disse...

Que máximo! Parece ser um livro incrível!